O agora comentador de motociclismo em vários podcasts, e antigo diretor técnico de MotoGP, Ramón Forcada, não hesitou em dar a sua opinião no canal oficial de YouTube do DuraLaVita sobre o estado atual do Campeonato do Mundo de Motociclismo, já em plena pausa de verão e antes do arranque da segunda metade da temporada.
A primeira análise de Forcada incidiu sobre os 37 pontos conquistados por Marc Márquez na Alemanha:
«Talvez não com tanta facilidade, com tanto controlo, porque sobretudo na corrida longa, para mim, ele estava a gerir muito. Se tivesse precisado de forçar mais, podia tê-lo feito. Como ainda está condicionado pela lesão, isso obriga-o a controlar um pouco mais, mas a gestão foi perfeita. Na Sprint não foi tão fácil, nem houve tanta diferença como na corrida longa, mas também nunca deu a sensação de que a pudesse perder.»
Sobre a luta pelo título, Forcada destacou:
«O Bezzecchi fez as primeiras cinco corridas da época de forma espetacular, tal como o final do ano passado. Depois, por alguma razão, desapareceu. No fim de contas, a quantidade de pontos que o Marc recuperou não pode ser feita sozinho. Tu podes fazer 37 pontos em todas as corridas, mas não recuperas tantos se os outros não falharem. E os outros estão a falhar muito.»
Pensando já no regresso à competição após a pausa de verão, o espanhol afirmou:
«A pausa é curta, mas quando a temporada recomeçar será preciso ver como regressam os pilotos. Se o Álex Márquez recuperou totalmente, se o Marc melhorou ainda mais o braço direito, se o Bezzecchi regressa e volta ao seu nível normal. E também se o Acosta volta a fazer corridas mais agressivas, porque dá essa sensação.»
Falando especificamente sobre Sachsenring, acrescentou:
«A corrida longa da Alemanha foi boa, mas todos estavam a gerir no limite mínimo. O Pedro disse que faria o que pudesse sem correr riscos. Todos comentaram que, antes da pausa, ninguém quer lesionar-se. Claro que nunca queres magoar-te, mas quando tens os pontos que eles têm, o mais importante é conseguir fazer uma gestão perfeita da corrida. E o Álex Márquez, vindo das lesões que teve, fez uma corrida muito boa.»
Forcada destacou ainda um dado curioso sobre a categoria rainha:
«O MotoGP é a categoria com menos pontos. É a primeira vez na história, desde que existem corridas Sprint, que há um líder com tão poucos pontos. Isso acontece porque há uma enorme quantidade de zeros, tanto dos líderes como dos restantes pilotos.»
Apesar de Jorge Martín continuar na liderança, o antigo diretor técnico acredita que a situação está longe de estar resolvida:
«O Martín não geriu bem a situação. Quando tens duas motos satélite da mesma marca à tua frente, é complicado. Que uma moto satélite ganhe uma corrida pode acontecer, não existe uma corrida perfeita. Mas quando as duas te batem sistematicamente, isso torna-se um problema sério. Nesta luta não podes excluir Bezzecchi, Di Giannantonio, não podes excluir ninguém. Porque aqueles que pareciam favoritos praticamente eliminaram-se a si próprios. Se o Martín chegar a Silverstone e encontrar algo que lhe dê mais confiança, talvez consiga manter a liderança.»
Ao falar dos pilotos da Aprilia, Forcada elogiou Ai Ogura:
«O Ai Ogura não treina, nem agora nem nunca. Não faz praticamente nada. Anda de mota quando pode. É muito japonês nesse sentido. Não treina e termina as corridas em boa forma. Quando entrou na Trackhouse disse: “Fui campeão do mundo de Moto2. Enquanto o meu método funcionar, vou continuar a fazer as coisas à minha maneira. Se não vos interessar, não há problema.” Ele simplesmente percebeu como utilizar a sua técnica para se cansar menos do que os outros.»
Perante os bons resultados da equipa norte-americana, Forcada não compreende porque Raúl Fernández continua sem lugar garantido para 2027:
«O Raúl vai perder o seu principal apoio, porque o Davide Brivio vai sair. Com os resultados que está a fazer, e sem saber qual será o papel do Guidotti em 2027, não percebo porque ainda não tem contrato. É semelhante ao caso do Manu González. Com aquilo que está a fazer na Moto2, provavelmente nem vai subir porque os lugares estão a acabar. Não percebo porque não o contratam. O mesmo acontece com o Raúl. Pelo que fez no ano passado e pelo que está a fazer agora numa equipa satélite, a renovação devia ser automática.»
Sobre as movimentações para 2027, Forcada mostrou-se crítico em relação à KTM:
«A gestão deste ano está a ser uma confusão. Basta olhar para o que a KTM fez com o Maverick Viñales. Não percebo o que pretendem. Ele não teve culpa nenhuma. Diz que não lhe deram um contrato assinado. A forma como ele próprio gere a situação e a forma como o Raúl a gere são completamente diferentes.»
Ao falar de Pedro Acosta e Fabio Quartararo, deixou uma previsão clara:
«O Pedro conseguir ser competitivo durante toda a corrida com essa mota é impressionante. Quando chegar à Ducati no próximo ano, vai ser algo de outro nível. Além disso, ainda é muito jovem. Não passou anos de desilusões como outros pilotos. O Fabio Quartararo, por exemplo, já deve estar cansado de lutar contra tudo: a fábrica, a mota e até os pneus. O Fabio precisa de mudar de marca e de ambiente. Se for para outra mota, seja ela boa ou má, já será algo diferente. E se conseguir bater a Yamaha, seria quase cómico.»
Para concluir, Ramón Forcada analisou a situação das marcas:
«A Ducati e a Aprilia têm de estar muito à frente das marcas japonesas, isso é inevitável. A Yamaha recebeu muitas concessões para melhorar a mota e não sei se nas últimas corridas encontrou algo importante, mas continua a faltar-lhe qualquer coisa. O Miller foi competitivo, mas depois olhamos para o Toprak e vemos que está a sofrer bastante. Já o Cal Crutchlow está a fazer um trabalho enorme com a Honda, mesmo depois de tanto tempo afastado das corridas.»
















