A Ducati domina o MotoGP há várias temporadas, mas Davide Tardozzi já olha para 2027. Com a chegada das novas MotoGP de 850 cc, o diretor da equipa oficial acredita que a hierarquia poderá mudar profundamente. E, entre todos os potenciais adversários, há um nome que se destaca: Fabio Quartararo. Para o responsável da Ducati, o francês possui um talento fora do comum e, se a Honda conseguir construir uma moto competitiva à sua volta, poderá voltar a ser o principal rival de Borgo Panigale.
Em declarações ao Misterhelmet, Davide Tardozzi não escondeu a enorme admiração que tem pelo campeão do mundo de 2021.
“Fabio Quartararo é um piloto super, super, hiper talentoso que, se for gerido da forma correta, pode causar problemas… e grandes problemas.”
A escolha das palavras é reveladora. Na Ducati, ninguém subestima o potencial do francês, apesar das várias épocas passadas a lutar com uma Yamaha incapaz de competir regularmente com as melhores motos da grelha.
Desde 2022, os resultados de Fabio Quartararo por vezes esconderam o seu verdadeiro nível. No entanto, dentro do paddock, a sua reputação manteve-se intacta. Todos os engenheiros sabem que o francês continua a extrair prestações que a YZR-M1 já não deveria ser capaz de oferecer, especialmente numa volta rápida ou nas fases de travagem, onde o seu estilo de pilotagem continua a ser uma referência.
As suas dificuldades não resultam de uma quebra de rendimento, mas sim das limitações técnicas da Yamaha. É precisamente isso que alimenta as preocupações de Tardozzi.
A mudança de Quartararo para a Honda em 2027 surge no momento ideal. A MotoGP prepara-se para entrar numa nova era com motores de 850 cc, aerodinâmica simplificada e a eliminação dos dispositivos de ajuste da altura da moto.
Todas estas alterações oferecem aos construtores uma oportunidade única para recomeçar praticamente do zero. A Honda espera repetir aquilo que a Ducati conseguiu no início da década de 2020: construir uma moto assente num projeto técnico sólido e regressar gradualmente ao topo.
Se este processo de reconstrução resultar, Quartararo poderá voltar a dispor de uma moto à altura do seu talento. Além disso, as futuras MotoGP deverão devolver maior protagonismo ao piloto. Com menos carga aerodinâmica, motos menos potentes e a eliminação de alguns dispositivos eletrónicos e mecânicos, a pilotagem pura terá novamente um peso mais importante no desempenho.
Apesar disso, Davide Tardozzi não demonstra preocupação excessiva. Recorda que a Ducati continuará a contar com uma formação de enorme qualidade nas próximas temporadas.
“Temos uma equipa realmente, realmente forte.”
Com Marc Márquez, Pedro Acosta, as equipas satélite e uma estrutura técnica que continua a ser a referência da categoria, a Ducati mantém argumentos muito sólidos. Ainda assim, Tardozzi recusa qualquer excesso de confiança.
As palavras do dirigente da Ducati fazem recordar as temporadas de 2021 e 2022. Em 2021, Quartararo resistiu à recuperação de Francesco Bagnaia e deu à Yamaha o seu primeiro título mundial desde Jorge Lorenzo. No ano seguinte, Bagnaia respondeu com uma recuperação espetacular para conquistar o campeonato.
Desde então, essa rivalidade perdeu força, à medida que a Yamaha foi ficando para trás em relação às motos mais competitivas da grelha. A transferência de Quartararo para a Honda poderá dar uma nova vida a esse duelo.
No fundo, Davide Tardozzi nunca coloca em causa o nível de Fabio Quartararo. A única incógnita é a moto que terá nas mãos. E é precisamente isso que resume a sua análise: o fator decisivo não será Quartararo, mas sim a Honda.
Se o construtor japonês conseguir concretizar a sua revolução técnica para 2027, a Ducati já sabe qual é o piloto que poderá voltar a disputar-lhe o trono mundial. E quando esse aviso vem do responsável da equipa que atualmente domina a MotoGP, merece ser levado muito a sério.
















