Esta semana propomos uma escapadinha a um dos maiores lagos artificiais da Europa, e toda a sua região circundante. Vamos conhecer o Alqueva de moto?

Por Rui Pessoa
“Não viajamos para fugir da vida, mas para que a vida não fuja de nós.”
Antes de vos apresentar o roteiro, vou vos falar da região.
Falamos de um dos maiores lagos artificiais da Europa, construído sobre o Rio Guadiana.
Tem uma albufeira de 250 km2 e abrange cinco concelhos do Alentejo, com muitos pontos de interesse.
Na margem direita, recebem-nos os castelos de Juromenha, Alandroal, Terena, Monsaraz e Portel e, na margem esquerda, Mourão e Moura são miradouros privilegiados sobre este espelho de água.
“Alqueva” é uma palavra derivada de “alqueive”, “terra de pousio” ou “deserta”, de solos secos, sedentos de água, que agora parece não faltar.
A barragem fica situada no rio Guadiana, um dos mais longos da Península Ibérica, no Alentejo profundo, próxima da aldeia cujo nome é… Alqueva.
O lago veio dar uma atmosfera surpreendente a esta região.
Onde antes havia campo, com oliveiras, sobreiros e azinheiras, hoje vemos água e vida renovada, com ótimas condições para atividades ao ar livre e para a prática de desportos náuticos como a vela, o ski e wakeboard ou para passeios em canoa e kayak, sempre tão revigorantes.
O Alentejo tem algo de especial.
Talvez seja o branco das suas casas, a sua paisagem ondulada e melancólica que varia de cor consoante as estações do ano, talvez seja o estilo de vida e a simpatia das suas gentes…
Um destino repleto de interesse mototurístico, e não só.

Damos inicio a este Roteiro em Reguengos de Monsaraz, mais propriamente visitando a Igreja Matriz.
Vão ser cerca de 180km km por entre as maravilhas da região, para percorrer de mota ao ritmo alentejano.
O Concelho de Reguengos de Monsaraz proporciona uma excelente qualidade de vida aos seus habitantes e a todos os turistas que nos visitam.
A Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz esta localizada no coração desta cidade alentejana, mesmo de fronte para a Praça da Liberdade e a Camara Municipal de Reguengos de Monsaraz.

Na Praça da Liberdade após oito meses de obras de requalificação, teve como objetivo tornar este espaço histórico do centro da cidade mais atrativo para a população.
Assim, na área poente da praça, a Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz criou mais zonas pedonais e foi instalado um palco para atividades culturais, um sistema de jogo de água com 36 jatos que permitem fazer ondas e salpicos e 108 bicos de pulverização tipo nevoeiro que poderão originar a diminuição em três ou quatro graus centígrados da temperatura ambiente no verão.
Nesta zona da Praça da Liberdade, estão instaladas a maioria das esplanadas dos estabelecimentos de restauração. Na área nascente da praça foi colocado um quiosque para venda de jornais e serviço de pastelaria com esplanada.
Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz (Coord. GPS 38.424231, -7.534491), a sua construção teve início a 27 de outubro de 1887. A torre sineira está no meio da fachada.
No interior podem ver-se 3 naves e 3 capelas na zona da cabeceira.
O transepto é saliente. Os arcobotantes gigantes e o posicionamento da torre a meio da fachada fazem desta igreja um dos melhores exemplos do neogótico em Portugal.

Já na estrada pela M514 a nossa próxima paragem é em São Pedro do Corval, conhecida pela sua antiga tradição de mestria oleira, São Pedro do Corval é a terra da cerâmica alentejana por excelência.
São Pedro de Corval tem atualmente mais de vinte olarias de fabrico artesanal. Por isso, tem a maior concentração de olarias em Portugal e uma das maiores na Península Ibérica.
Ao passear pelas ruas desta hospitaleira freguesia de São Pedro do Corval, estes acolhedores recantos esperam a sua visita.
Encantadoras olarias a conhecer, onde a tradição, a história e a arte alentejanas se conjugam perfeitamente. E dão origem a extraordinárias peças artesanais, feitas em roda de oleiro, cozidas em fornos de lenha.
Depois, são pintadas à mão com as cores douradas do Alentejo.
Paramos junto à Igreja de São Pedro da Aldeia do Mato (Coord. GPS 38.449585, -7.481789)
A Igreja Matriz de São Pedro do Corval foi construída, graças à ação do patrono local, António Boeiro e de sua mulher Josefa Maria (sepultados na capela-mor), entre 1799 e 1805, data esta que pode ser observada na fachada da Igreja.
Na parte exterior constam elementos pombalinos, e no interior revestimentos em mármore. Encontramos na igreja, nos altares laterais, imagens do Menino Jesus, de Nossa Senhora das Dores, São José, de São Sebastião e de Santa Rita de Cássia

Não podemos continuar esta nossa viagem sem antes fazer uma visita ao menir megalítico de Santa Margarida (Coord. GPS 38.445501, -7.475954), popularmente conhecido como a Rocha dos Namorados.
Devido à sua forma em cogumelo e por estar profundamente enterrado no solo, esta pedra está intimamente ligada à ideia de fertilidade.
à saída desta freguesia temos ainda o Monumento de Homenagem ao Oleiro (Coord. GPS 38.444930, -7.475817)

Próxima paragem, Convento da Orada (Coord. GPS 38.455015, -7.373473)
Situado perto da Aldeia do Telheiro [e de Monsaraz], no coração da planície Alentejana, a Igreja da Orada de Monsaraz tem o seu nome ligado à especial devoção de D. Nuno Álvares Pereira, quando ali rezou entre algumas das refregas com os Castelhanos.

Cremeleque do Xerez (Coord. GPS 38.453404, -7.370926)
A par do mundialmente conhecido Stonehenge, temos neste neste roteiro como visita obrigatória, o Cromeleque de Xarez, que representa um dos mais interessantes exemplares do megalitismo em território Português.
O conjunto megalítico da Herdade do Xerez ou Cromeleque do Xerez, encontra-se destacado na paisagem, beneficiando do plano elevado da planície em que se encontra. O acesso é muito fácil.
É constituído por um recinto de planta quadrangular regular, centralizada, definida por 50 menires de granito, com tamanhos entre os 120 e 150 cm de altura cada um. Ao centro, existe um monólito de aspecto fálico com cerca de 4 metros de altura, em que foi identificada uma fiada de covinhas na face Oeste.
O Cromeleque data do período entre o início de 4000 a.C. e meados de 3000 a.C.
Este cromeleque foi o único monumento da região a ser transferido em 2004 devido à construção da barragem de Alqueva, para junto do Convento da Orada (Telheiro).

E que tal irmos à praia?
Sim, praia no meio do Alentejo
Praia Fluvial de Monsaraz (Coord. GPS 38.434616, -7.350493)
A praia fluvial de Monsaraz é mais uma praia fluvial de Portugal de excelência a, com todas as condições de uma praia fluvial com bandeira azul e praia acessível para todos.
Também um ponto mais nesta praia é ter atrás a vila histórica de Monsaraz que assim na sua visita pode aproveitar o dia na praia fluvial e a noite na vila histórica de Monsaraz.
Está situada no Centro Náutico de Monsaraz, inserida na albufeira de Alqueva.
É a primeira praia do Grande Lago Alqueva e foi inaugurada em Junho de 2017.
Galardoada com a bandeira azul, recebeu também as classificações de Praia Acessível (acesso para pessoas com mobilidade condicionada) e Praia Saudável (normas de segurança e de qualidade do ambiente).
O espelho de água oferece uma piscina de 100 metros quadrados integrada numa estrutura flutuante, com solário, dividida em piscina infantil e adulta.
A frente de praia tem 120 metros de extensão. O Centro Náutico disponibiliza bar/restaurante, parque infantil, zona de merendas, ancoradouro e rampa para acesso dos barcos à água.
O espaço ideal para um pit stop e aproveitar uma das esplanadas para descansar um pouco e aproveitar o ambiente descontraído que aqui se vive, ou porque não um mergulho nestas aguas mornas.

Tomamos outra vez a estrada, e subimos pela M514 em direcção a Monsaraz, pelas curvas e contra curvas que deliciam qualquer motociclista, mas Monsaraz ficará para mais tarde neste Roteiro.
Seguimos para Mourão, pela N256 que nos permite ter uma experiência única ao atravessarmos o “Grande Lago” pelas suas longas pontes.

Chegados a Mourão, será no Castelo de Mourão que fazemos a nossa visita (Coord. GPS 38.384976, -7.346725)
Mourão é uma pequena cidade do Alentejo, em Portugal, onde se destaca o Castelo de Mourão, do ano de 1343, imponente acima da colina.
Mourão, situa-se na margem esquerda do rio Guadiana.
Sua história foi marcada por fatos importantes, como a batalha de Mourão, que ocorreu em seu território, entre portugueses e castelhanos, em 1477, durante a Guerra de Sucessão de Castela.
Banhado pelo rio Guadiana, o município de Mourão sempre manteve-se forte na agricultura, repleto de plantações de oliveiras, característica desta região.
Nos arredores do lago formado pelo rio desvenda-se belas paisagens e até mesmo praias de água doce.
O Castelo de Mourão foi construído no ponto mais alto da vila, durante o reinado de D. Afonso IV, no início de 1343.
Olhando pela frente do castelo, parece estar intacto, porém ao entrar percebe-se algumas partes em ruínas em um certo abandono (infelizmente).
Construída em 1681, a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias possui arquitetura estilo barroco, incorporada às muralhas do castelo de Mourão. O terremoto de 1755 destruiu parte do interior da igreja, que foi reconstruído posteriormente.
Seu interior é bastante simples e preserva uma imagem de pedra da Nossa Senhora das Candeias.
A fronteira com Espanha fica a apenas 7 km a Leste da cidade, por isso sugerimos uma visita ao pais vizinho, para abastecer de combustível em Vilanova Del Fresno.

Regressando, a próxima paragem é na Aldeia nova da Luz (Coord. GPS 38.343729, -7.385787)
A barragem de Alqueva conduziu à esperada submersão da povoação da Aldeia da Luz.
A antiga Aldeia da Luz, cuja origem remontava ao período Paleolítico e Neolítico, foi considerada o impacto social mais significativo da construção da Barragem do Alqueva, ocupando agora uma área de cerca 2.040 hectares.
A nova Aldeia da Luz foi construída para realojar os habitantes da antiga aldeia da Luz submergida pelas aguas da barragem de Alqueva, e foi construída de forma a manter no essencial as características da aldeia antiga.
As obras iniciaram-se em 1998 e terminaram em 2002.
A nova povoação foi edificada em 2002 em local muito próximo da antiga Luz. Implicou a construção de 212 casas de habitação, de arruamentos, largos e estradas, de estabelecimentos comerciais e de equipamentos coletivos (escolas, centro de saúde, equipamentos desportivos, praça de touros, lavadouro, jardim público e cemitério).
Foi refeito o santuário de Nª Srª da Luz, à imagem do original de fundação quatrocentista e procedeu-se à transladação do cemitério.
O Museu foi construído como lugar de a perpetuar a memória da antiga aldeia e suas gentes. Uma colecção etnográfica da Aldeia, peças arqueológicas, estando o museu dotado de uma sala de exposições temporárias.
Também as terras de cultivo, agora regadas pela barragem, foram distribuídas pela população, impondo-se hoje a vinha e o olival na nova paisagem.
Fora da monotonia das autoestradas e vias rápidas, as curvas e contracurvas das estradas nacionais prometem momentos de verdadeiro prazer de condução e muitas emoções para viver.
A quietude alentejana é o que nos atrai, longe dos grandes centros urbanos e da loucura do dia a dia. Mas para nos conquistar, cedo nos revela muito mais do que a sua alma sossegada.
É um repleto de pequenos povoados que nos contam a seu ritmo histórias de outros tempos. Oferece-nos as estradas que os unem e se estendem por entre as longas e belas planícies de cultivo da região.
Percorrê-las de mota é uma prazer relaxante, de quilómetros de boas e pequenas estradas de trânsito quase inexistente.
As curvas escasseiam, mas nem só de curvas vive um motociclista.
As paisagens são de perder de vista e os amarelos dos campos conjugados com o azul forte do céu alentejano dão uma cor única a esta viagem.
As panorâmicas estradas da região valem a viagem, assim como a excelente qualidade do piso que oferecem!

Aldeia da Estrela (Coord. GPS 38.269438, -7.396432)
A Aldeia da Estrela tem uma localização privilegiada junto da albufeira de Alqueva.
Antes erguida sobre uma pequena elevação (o dito monte alentejano) e envolvida por outros montes, atualmente submersos pelo Alqueva, onde a população guardava os seus animais, vê-se agora como uma península.
Tornou-se assim um povoado ribeirinho, um dos vários povoados ribeirinhos deste imenso lago que a mão do homem fez, mas possivelmente o mais bonito.
Antes era preciso um burro para carregar as águas do Guadiana e seus afluentes até cá. Agora, no que toca a água, é só espreitar janela fora.
Constituída por 50 residentes permanentes, é uma das povoações mais envelhecidas do concelho.
É um local paradisíaco, com magnificas paisagens e onde podemos respirar a calma e a tranquilidade alentejanas.
Não se lhe conhece um passado histórico tão rico como em outras localidades vizinhas. Por isso a sua arquitectura é, sobretudo, composta por casario popular, dominado pela singela igreja paroquial. Sítio de gente simples e acolhedora, tem na sua rica e variada gastronomia tradicional um dos principais cartões de visita.

Paragem obrigatória sobre o paredão da Barragem do Alqueva (Coord. GPS 38.197207, -7.496669)
Quem passa pela Barragem de Alqueva depara com uma frase em letras garrafais, a frase é nada mais nada menos que “On a clear day you can see forever”
A estrada é longa agora. A paisagem muda uma vez, outra vez, abre-se expande-se em cores cada vez mais claras. Mais de cinco horas, mais de quinhentos quilómetros. Continua a ser interior. Mas agora é luz.
Luz. Sem barreiras, até ao horizonte, quase a ferir os olhos, longe, muito longe, ideia de um infinito. O corpo dá uma volta de 180 graus e a luz mantém-se, mas cada vez mais suave nessa rotativa, e por fim filtrada, novo horizonte, mais perto, parece já ali e separável em cada um dos seus componentes. Água, azul, campos em vários tons, sinal de uma ou outra elevação, uma casa, uma aldeia ao fundo. Só que sempre, luz e uma frase a rasgar essa iluminação.
ON A CLEAR DAY YOU CAN SEE FOREVER.
Juntos, palavras, luz e a geografia do Alqueva compõem um poema
“Foi então pela palavra, o casamento de vários signos ancestrais, o alfabeto e a união de um conjunto de intenções.
Invenção, poder ao espectador, desafio, vibração.
“É uma frase pessoal que acabei por perceber que tem outras conexões e que faz parte da minha vida”, conta João Louro.
“Lembrei-me de estar a olhar para o horizonte num sítio maravilhoso, com uma série de problemas à volta e uma série de felicidades à volta”.
“Era um dia muito límpido. Esse pensamento surgiu e percebi que era muito importante para me tranquilizar e me lançar para a frente.”
“On a clear day you can see forever é quase motivacional”, isto para dizer que a obra do artista surge da sua própria vida, a experiência que tem com as coisas.”
“A frase não sendo nova ganhou ali poder.”
“Ganha poder brutal perante a máxima felicidade ou a máxima tristeza”, a frase a puxar os limites, que, como refere, “é o que está no âmago da literatura” e a faz central na sua obra plástica.”
Para recompor as forças e repousar um pouco, nada melhor que uma paragem na esplanada da Marina da Ameira e apreciar um pouco deste grande lago (Coord. GPS 38.277064, -7.532875)
A Marina da Ameira é a maior infra-estrutura náutica do Alqueva. É local de partida dos Barcos Casa e de Cruzeiros que percorrem o Alqueva.
Perto da aldeia da Amieira, fica localizada numa península e possui um cais ancoradouro, bar esplanada, restaurante panorâmico e disponibiliza diversos serviços náuticos

Seguindo este roteiro existe ainda tempo para visita a mais uma das Praias Fluviais do Grande Lago que é o Alqueva
Praia Fluvial da Amieira ( Coord. GPS 38.291042, -7.559064)
Inserida na bela paisagem do Grande Lago de Alqueva, nasce a primeira praia fluvial do concelho de Portel, a Praia Fluvial de Amieira
Oferece 600 metros de areal, dos quais 150 são vigiados, além de uma zona relvada com toldos e zona delineada na água para crianças.
Sol já mostra querer ir descansar, e assim tomamos a estrada novamente, a N255 que circunda este grande lago, onde em certas partes parece fazermos parte e estarmos dentro do grande lago, quando atravessamos as pontes que fazem nos passar por cima dos vários braços de água.
Terminamos esta escapadinha pelo Alentejo em grande, na Vila Medieval de Monsaraz.

Monsaraz (Coord. GPS 38.444527, 7-380035)
A airosa vila medieval de Monsaraz, mantêm a sua magia de outrora como poucos lugares no mundo.
Feita de cal e Oeste lugar sussurra-nos, por entre o eco dos nossos passos nas suas ruas, magníficas histórias de reis audazes, cavaleiros templários, gentes bravas e damas de beleza singela.
Suspensa no tempo, a histórica povoação alentejana, uma das mais antigas de Portugal, é o destino obrigatório neste nosso Roteiro, Especialmente depois de, em 2017, ter vencido na categoria “Aldeias Monumento” do concurso 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias.

Mostrando já indícios de ser um castro fortificado durante os tempos pré-históricos, Monsaraz sempre teve fortes influências militares e religiosas, impecavelmente preservadas no tempo até aos dias que correm.
A localização privilegiada de Monsaraz, situada no topo da colina e com vista sobre o Guadiana e a fronteira com Espanha, tornou-a altamente cobiçada pelos povos que a disputaram.
Então de nome Saris ou Sarish, Monsaraz foi conquistada aos muçulmanos por Geraldo Sem Pavor, em 1167, numa incursão militar que saiu de Évora.
Após a derrota sofrida em Badajoz, D. Afonso Henriques volta a perder controlo de Monsaraz para os mouros.
Contudo, em 1232, D. Sancho II recupera de vez Monsaraz com o apoio e auxílio dos Templários, a quem acaba por doar a bela vila alentejana.
Aliás, as marcas deixadas pela Ordem do Templo, mais tarde Ordem de Cristo, estão ainda vivas e de boa saúde por entre as muralhas de Monsaraz.

Hoje vila museu do Alentejo, Monsaraz foi a cabeça de concelho até meados do século XIX, altura em que a administração concelhia passa a estar sediada em Reguengos de Monsaraz. Uma curiosidade: sabia que Reguengos significa “relativo a Rei”, estando diretamente ligada ao prefixo latino regis (= Rei)
Enquanto todo o concelho de Reguengos de Monsaraz cresceu através dos séculos, acompanhando a modernidade, Monsaraz voltou as suas costas ao tempo e deixou-se ficar como queria, menina e donzela – intemporalmente magnífica.
As muralhas que circundam a vila guardam uma povoação acolhedora, onde a luz acaricia os pitorescos e tradicionais lares das hospitaleiras gentes desta terra.
Descobrir Monsaraz é viajar no tempo e desfrutar da História no presente.
Aprecie o imponente e peculiar cerco muralhado que abraça esta vila-museu do Alentejo, erguido durante as Guerras de Restauração.
Esta muralha previa, no seu plano, a construção do Forte de São Bento, originalmente em forma estrelada, os Baluartes de São João e do Castelo e a Ermida de São Bento.

Estava igualmente planeada a construção de três torres em Monsaraz: a primeira, no marmelão de São Gens; a segunda, na herdade das Pipas; a última, na herdade de Ceuta.
A cerca muralhada de Monsaraz tem quatro grandes portas por onde pode entrar na vila. A principal, a Porta da Vila, está protegida por dois torreões semicilíndricos e tem, a encimar o seu arco gótico, uma lápide consagrada à Imaculada Conceição, em 1646, por El-Rei D. João IV. A Porta d’Évora, no lado norte da muralha e também de arco gótico, protege-se por um cubelo.
As restantes, d’Alcoba e do Buraco, são portas de arco pleno. Virando costas às entradas, a vista sobre os campos do Alentejo é… soberba.
O castelo de Monsaraz é um ponto turístico único e excepcional em Portugal, pois é um dos mais esplêndidos mirantes sobre o maravilhoso espelho-de-água da Barragem de Alqueva.
Caminhe devagar até ao Largo D. Nuno Álvares Pereira e entre na deslumbrante Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lagoa. Erguida sobre as ruínas de uma igreja gótica, destruída devido à peste negra que assolou a região, este monumento religioso, do século XVI e em xisto regional, é de autoria de Pêro Gomes.
No seu interior, estude com atenção e deixe-se encantar pelo túmulo de Gomes Martins Silvestre, cavaleiro templário, primeiro alcaide e povoador de Monsaraz. Construído em mármore de Estremoz, tem esculpido, na sua face frontal, um cortejo fúnebre onde desfilam dezassete figuras.
Também sobre as ruínas do seu antecessor desfeito no terramoto de 1755, está o Pelourinho oitocentista. Em mármore branco de Estremoz, este símbolo da jurisdição e autonomia de Monsaraz está situado mesmo em frente à Igreja Matriz.
Obrigatório visitar miradouro que fica a meio da colina onde existe uma estátua de homenagem ao Cante Alentejano (Coord. GPS 38.442005, -7.379131)

O Sol já mostra querer se ir deitar, e estamos num dos melhores locais de Portugal para assistir a um Pôr do Sol fantástico.
A melhor localização para ver o pôr do sol em Monsaraz é no topo do seu castelo, de onde é possível curtir os campos iluminados pelo fim de tarde ou ver a luz desaparecer sobre o gigantesco lago Alqueva.
A noite toma lugar ao dia, e sabia que, ainda por cima, é aqui que encontra o melhor céu do mundo para ver as estrelas?
Não podemos esquecer que estamos numa região onde o céu foi considerado pela UNESCO uma reserva para observação de estrelas.
À noite, as luzes públicas são reduzidas ao mínimo, para possibilitar as condições perfeitas para ver o céu, mesmo para os mais astrónomos mais principiantes.
Imaginemos um lugar onde nos sentimos cobertos por um majestoso céu estrelado.
A sensação é indescritível e normalmente apenas possível de forma artificial, num planetário, onde nos sentamos confortavelmente para uma lição sobre as estrelas.
Em Portugal, temos a sorte de ter essa sensação ao ar livre.
É uma área protegida e certificada internacionalmente, registada como uma reserva Dark Sky, ou “Starlight Tourism Destination”, que se estende por uma área de cerca de 3000 quilómetros quadrados.
Podemos observar a Ursa Maior, a Ursa Menor, a Cassiopeia e uma grande diversidade de outras constelações, visíveis consoante a estação do ano.
Localizamos as representações dos signos do Leão, Virgem e Balança, descobrimos Escorpião e Sagitário e seguimos até ao misterioso Capricórnio, sem esquecer o Cisne, a Águia e a Lira.

Portugal é conhecido e reconhecido pela sua gastronomia, e no Alentejo não é possível resistirmos aos sabores da comida regional. Neste caso, destacam-se as açordas, as migas, os pratos de carne de porco, os enchidos e os vinhos do Alentejo.
Restauração a nossa sugestão vai para:
- Reguengos de Monsaraz
Restaurante Aloendro (Coord. GPS 38.426637, -7-548725)
Restaurante o Barril (Coord. GPS 38.424526, -7.534356)
Restaurante Plano B (Coord. GPS 38.423586, -7.534584)
Taberna Al-Andaluz (Coord. GPS 38.425184, -7.536093)
- Corval
Adega do Cachete (Coord. GPS 38.445901, -7.482899)
- Telheiro
Restaurante Sem-Fim (Coord. GPS 38.454054, -7.381753)
- Monsaraz
Restaurante Taverna Os Templários (Coord. GPS 38.443927, -7.380207)
Restaurante Bar Xarez (Coord. GPS 38.444303, -7.380381)
Restaurante Sabores de Monsaraz (Coord. GPS 38.445517, -7.378946)
- Mourão
Restaurante Adega Velha (Coord. GPS 38.383439, -7.341925)
Restaurante A Chaminé (Coord. GPS 38.382425, -7.343820)
O Pátio da Oliveira (Coord. GPS 38.383172, -7.343732)
Restaurante O Beiral (Coord. GPS 38.382929, -7.344989)
- Hotelaria
Terras de Monsaraz (Coord. GPS 38.435086, -7.531513)
Monte da Avo Chica (Coord. GPS 38.451488, -7.380326)
Raiz Alentejana (Coord. GPS 38.424410, -7.534258)
Encanto Da Planicie (Coord. GPS 38.429463, -7.563529)
Hotel Solar de Alqueva (Coord. GPS 38.425067, -7.538451)
Quinta Sao Jorge (Coord. GPS 38.459679, -7.497332)
São Lourenço do Barrocal (Coord. GPS 38.443009, -7.417626)
Estalagem de Monsaraz (Coord. GPS 38.445611, -7.379375)
Casa Dona Antonia – Turismo Rural em Monsaraz (38.443660, -7.380404)
Boas Curvas e até à próxima!















