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Ensaio – Kawasaki Versys 1000

Virgílio Machado por Virgílio Machado
31 Maio, 2017
em Ensaios, MOTO+, Moto+ Destaque, Moto+ Estrada
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Ensaio – Kawasaki Versys 1000

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Poucas motos conseguem oferecer tantas qualidades como a Kawasaki Versys 1000 por um preço abaixo dos 14 000 euros. Uma moto que pede para viajar, mas que surpreende pela agilidade em ambiente urbano.

Sempre gostei do nome Kawasaki, há qualquer coisa sedutora na sonoridade da palavra. Já desde a minha juventude que as motos do construtor de Akashi me faziam arregalar os olhos, em parte graças às icónicas GPZ, bem diferentes da protagonista deste teste.

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A Versys 1000 é uma moto que convence logo nos primeiros quilómetros, a posição de condução é muito cómoda e a suspensão apresenta um pisar confortável, mas nem por isso menos eficaz quando a ideia é curvar depressa. A primeira sensação é que estamos perante uma moto mais leve do que é na realidade, o que nos obriga a confirmar os 250 kg registados na ficha técnica. É agil, fácil de levar e a embraiagem (assitida e deslizante) é tão leve como nenhuma que já tinha experimentado. Agilidade essa que permite uma boa desenvoltura em cidade para o peso que apresenta.

A somar a estes atributos existe um motor de quarto cilindros em linha, na minha opinião a melhor arquitectura que se pode desejar numa moto, quando se pretende simultaneamente performance e suavidade. Com 1043cc, este motor debita 120 cv de potência maxima e um binário de 102 Nm que só atinge o seu pico às 7500 rpm. A resposta da Versys quando se enrola o punho sem cerimónia é esclarecedora e garante de um sorriso rasgado, ainda que o fulgor até às 7000 rotações seja mais pronunciado do que daí para cima, até à zona vermelha do taquímetro. Isto em termos relativos, claro, porque ninguém no seu perfeito juízo pode ficar insatisfeito com o nível de performance do motor nesta faixa de rotação. O som melhora substancialmente, quanto mais alto for o regime utilizado, com a Versys a adoptar um silenciador individual do lado direito, com dupla saída.

Graças a um vidro regulável – o ajuste é manual, mas simples -, é possível manter velocidades de cruzeiro na ordem dos 140 km/h, sem ser castigado pelo vento. Pelo menos para um condutor com 1,76 m de altura. Não é o supra sumo da protecção aerodinâmica, mas oferece um bom compromisso, havendo outras possibilidades na lista de acessórios

As primeiras curvas

Quando as primeiras curvas dignas desse nome começam a dar um ar da sua graça, a Versys revela todas as qualidades da sua ciclística.

A forquilha invertida Showa transmite confiança na inserção em curva, apesar de afundar em demasia nas travagens mais empenhadas, enquanto o amortecedor traseiro, colocado em posição horiozontal, absorve com competência as irregularidades do piso e lida bem com os abusos de potência entregues à roda traseira. Não é difícil tocar involuntariamente com os pousa-pés no asfalto, tal é a confiança e o grau de divertimento que a Versys oferece. À saída da curva o optimismo dá liberdade à acaleração, não só pela boa aderência dos pneus Bridgestone Battlax T30, mas também pelo controlo de tracção que segue ligado no modo 1 – o menos interventivo sem contar com o modo desligado (ver caixa) – que já dá alguma margem de manobra para a os mais afoitos.

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Quando a velocidade sobe para outro patamar, a natureza mais soft da suspensão não evita algumas oscilações, sobretudo quando há vento forte, como aconteceu durante este ensaio.  É um prazer saltar de curva para curva com esta moto. A travagem é potente, graças a dois discos dianteiros, de 310 mm de diâmetro, em forma de pétala, que até se mostram excesssivamente solícitos no primeiro aperto da manete direita. O ABS está bem calibrado e só intervém quando é realmente necessário.

O preço do divertimento são so consumos quando a atitude da mão direira está longe dos padrões mais económicos. Numa utilização normal, que inclua cidade, estrada, rimo lento e acelerações mais vigorosas, conseguimos valores a rondar os 5,4 l/100 km, mas não nada difícil subir para a casa dos 7 litros quando se pretende usufruir de todo o potencial dinâmico desta Kawasaki. A caixa bem escalonada, precisa e muito silenciosa nas engrenagens é outro elemento que contribui para o prazer de condução. Sabe aquele barulho clássico que todas as motos fazem, quando estão paradas no semáforo e se engrena a primeira relação? A Versys 1000 não faz esse clank metálico. A suavidade da caixa e a leveza da embraiagem deviam servir de exemplo a motos bem mais dispendiosas.

Por outro lado, e apesar do preço competitivo, não deixa de ser criticável que uma moto como esta tenha relegado o indicador da relação de caixa para a lista de opcionais. Necessita de ser instalado por baixo do painel de instrumentos, do lado direito, e custa 160 euros.

Fora isto é dificil encontrar defeitos numa 1000 fácil de utilizar em ambiente urbano, mas com caraterísticas estradistas que pedem viagens longas, de preferência sem destino marcado. Esta versão é a mais barata, mas para os verdadeiros mototuristas existem as variantes Tourer ou mesmo a mais cara Grande Tourer (15 100 €) com malas laterais e top case.

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A potência certa

O temperamento dinâmico da Versys pode ser alterado com um mero toque no botão colocado no punho esquerdo, sendo possível escolher entre dois tipos de resposta do motor: Full e Low. O primeiro confia a totalidade dos 120 cv à roda traseira, enquanto o segundo reduz a entrega de potência na ordem dos 25%.

Este mesmo botão permite ainda optar entre os três modos do controlo de tracção (KTRC), sendo o 1 o menos interventivo e o 3 o mais “castrador” da aceleração exigida à roda traseira. Para os mais experientes, é sempre possível desligar este elemento adicional de segurança.

A combinação dos dois sistemas ofecere, na prática, várias opções consoante os desejos do momento e o tipo de piso em questão.
Por exemplo, em estrada seca pode optar pela combinação Full Power e Modo 1 do controlo de tracção para poder desfrutar da total entrega do motor, enquanto que em superfícies com menor aderência, ou chuva, a escolha Low Power combinada com o modo 3 do KTRC garante o nível máximo de segurança quando a ideia é não deixar a roda traseira patinar.

Ficha Técnica

TIPO 4 CIL. EM LINHA, REFRIGERAÇÃO LÍQUIDA

DISTRIBUIÇÃO 16 VÁLVULAS

BINÁRIO 102 NM ÀS 7500 RPM

EMBRAIAGEM MULTIDISCO EM ÓLEO

CAIXA 6 VELOCIDADES

TRANSMISSÃO POR CORRENTE

QUADRO TUBULAR EM ALUMÍNIO

SUSPENSÃO DIANTEIRA FORQUILHA DE 43 MM INVERTIDA, CURSO DE 150 MM

SUSPENSÃO TRASEIRA BRAÇO OSCILANTE TIPO BACK-LINK, CURSO DE 150 MM

TRAVÕES DISCOS DIANTEIROS DE 310 MM + DISCO TRASEIRO DE 250 MM COM ABS

RODAS 120/70 ZR17’’ + 180/55 ZR17’’

DISTÂNCIA ENTRE EIXOS 1520 MM

ALTURA DO ASSENTO 840 MM

CORES DISPONÍVEIS

Verde

Cinza

Titânio

PREÇO BASE: € 13,385

Mais informações AQUI

Concessionários AQUI

Texto:  Luís Guilherme

Tags: Kawasaki
Virgílio Machado

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