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Ensaio Honda Forza 125 – Força de caráter

Ricardo Ferreira por Ricardo Ferreira
18 Junho, 2020
em MOTO+
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Ainda com um tempo relativamente curto de mercado, em poucos anos a Honda Forza 125 foi destroçando a concorrência, face às suas virtudes e a uma força de caráter pouco vulgar nas pequenas cilindradas. Fomos conhecê-la.

Em 2015 a Honda regressou ao segmento das scooters 125 GT com a Forza 125. Declinação de menor cilindrada da Forza 300, integrou nesse ano a lista de novos modelos da marca japonesa. Dotada com um novo motor, que pela potência a situava ao alcance dos mais novos encartados, assim como dos condutores com a carta de condução B (automóveis ligeiros), a Forza 125 surgiu no mercado um passo acima da Honda PCX 125 em termos de equipamento, conforto e capacidade.

A Forza 125 que experimentámos teve a sua última atualização
em 2018, ano em que passou por um completo ‘restyling’, adotando nesse ano um
motor totalmente adaptado ao Euro 4, ainda mais eficiente em termos de consumo
de combustível e com arranque sem chave, entre outras coisas. Nessa segunda
geração, a scooter da Honda passou a integrar um muito útil pára-brisas com
regulação elétrica, novos piscas de direção com LEDs, novas informações no
painel de instrumentos e expandiu o volume sob o assento por forma a acomodar
dois capacetes integrais.

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EVOLUÇÃO EM LINHA DE CONTINUIDADE

Esta segunda geração da Forza 125 foi especialmente trabalhada em dois aspectos: num novo motor com uma cabeça de quatro válvulas, baixas emissões e alto rendimento, o que significa menor consumo; e num chassis muito mais leve, destinado a dar o melhor de si nos percursos urbanos.

O motor da Honda Forza 125, um monocilíndrico a quatro tempos arrefecido por água e com quatro válvulas, foi revisto para melhorar o atrito interno, melhorar o consumo (com um sistema de paragem em modo inactivo) dando-lhe um alcance de 490 quilómetros por cada depósito de combustível (11,5 litros). Desenvolvimentos especialmente adaptados às necessidades da utilização urbana, como uma boa aceleração a partir do ponto de paragem e um desenvolvimento final suficientemente longo para poder funcionar com dignidade em estradas circulares.

A ciclística assenta sobre uma estrutura tubular de aço, agora
mais leve. Na frente monta uma suspensão com um garfo convencional com 33 mm de
diâmetro nas suas barras, e na traseira um conjunto de dois amortecedores. A
roda da frente tem 15 polegadas e a roda traseira 14 polegadas. Os novos pneus
Michelin City Grip são de série. O peso total do conjunto é de 162 kg com
líquidos e a distância entre o assento e o solo é de 780 mm.

ESTILO E POSICIONAMENTO NO MERCADO

A Forza 125 supera no tamanho algumas das suas diretas rivais, com um perfil que se distancia de uma maxiscooter desportiva, como a Yamaha X-Max 125, para se abeirar do conceito de uma GT de estilo executivo. Em resumo, dá a resposta certa ao cliente exigente, aquele que procura uma scooter onde possa tirar o máximo proveito em termos de condução, estilo, presença e performances, sem prejuízo do conforto.

O design renovado e fluido da Forza 125 começa no novo pára-brisas elétrico. Basta pressionar o botão no punho esquerdo e dispomos de uma extensão de 140 mm para melhorar a nossa proteção contra o vento. O sistema é prático, eficaz e seguro, porque se aciona de modo intuitivo, sem precisarmos de desviar a atenção da estrada.

Exteriormente aparenta linhas mais suaves e curvas, um
aspeto mais maduro e com novos pontos de assinatura pretos à frente e nas
carenagens laterais. A sua silhueta contemporânea, o conforto e baixos consumos
do motor – 2,4 litros a cada 100 km – foram argumentos determinantes para que fossem
vendidas mais de 30.000 unidades até ao aparecimento desta última evolução.

MOTOR COM IDLING STOP

O motor Honda tem quatro válvulas e refrigeração líquida e debita 14,9 CV (11kW) às 8.750 rotações por minuto com um binário de 12,5 Nm às 8.250 rpm, valores suficientes para mostrar uma entrega espontânea a baixos regimes, uma impulsão mais pacata na zona intermédia do conta-rotações, disparando depois com bastante mais energia e um ótimo alongamento entre as 6.000 e 8.750 rotações.

O sistema Idling Stop, que pára o motor após três segundos
ao ralenti e o reativa pela simples rotação do punho do acelerador, é um dos
elementos que mais contribui na diminuição dos consumos. Custa um bocadinho habituar-nos
a vê-lo desligar em todos os semáforos, mas é uma forma inteligente de
economizar…

PARTE-CICLÍTICA E EQUIPAMENTO

Vem de há muito, um antigo ditado que nos diz que ‘em equipa ganhadora não se mexe’, e a Honda aplicou-o em pleno nesta segunda geração da Forza 125. A largura do guiador manteve-se nos 754 mm, tal como a altura dos espelhos retrovisores, que subiu em 2017 aos 1.125 mm, para no trânsito congestionado das ruas de cidade evitar conflitos com os espelhos dos carros.

 Sob o assento o
espaço aumentou de 48 para 53,5 litros para poder alojar dois capacetes
integrais. Nem sempre consegue, depende do tamanho da calota, mas a verdade é
que temos muito mais área disponível… por exemplo para um capacete integral, um
fato de chuva e uma mala, que é o que habitualmente um executivo usa nas suas
deslocações diárias. Peca apenas num aspecto: a ausência da luz de cortesia.

O compartimento da carenagem à frente do lado esquerdo tem tampa com tranca e o seu espaço pode ser arranjado segundo as conveniências do condutor, por exemplo: para levar um telemóvel ou uma garrafa de água. Também podemos encontrar aqui uma tomada de 12 V para acessórios.

O sistema Smart Key da Forza 125 – para além de controlar o
botão da ignição e o fecho do compartimento – agora também comanda a mala
opcional amovível de 45 litros, uma novidade numa scooter Honda. Com a Smart
Key no nosso bolso, a “top case” tranca automaticamente quando nos afastamos,
fazendo o inverso ao nos aproximarmos.

O painel de instrumentos foi revisto e possui um velocímetro
e um conta-rotações analógicos, flanqueados pelo mostrador digital com 3 modos
de funcionamento (controlado por um interruptor no punho esquerdo):
conta-quilómetros totalizador, autonomia restante e consumo atual;
conta-quilómetros parcial, consumo médio e cronómetro; ou temperatura ambiente
e sensor da bateria. O ABS e Idling Stop são bons apoios à condução.

EM CONDUÇÃO

A posição de condução da Forza 125 é muito confortável, tanto em cidade como a velocidades mais elevadas nos trajetos interurbanos. Além disso, revela boa manobralidade no estacionamento e com facilidade a colocamos no descanso central. Tem uma boa ergonomia e todos os comandos estão acessíveis. A altura do banco não foi alterada, mantendo-se nos 780 mm e com bastante espaço para condutor e passageiro, mas um condutor de baixa estatura pode passar por algumas dificuldades.

As suspensões absorvem bem os impactos e as imperfeições do
asfalto quando a conduzimos numa forma mais incisiva, e o equilíbrio do
conjunto dá toda a certeza de que podemos chegar ao limite em total segurança,
até porque os travões são potentes e doseáveis, com o ABS a evitar o bloqueio das
rodas em travagens mais poderosas. A travagem dianteira está a cargo de um
único disco de 256 mm, complementado atrás também por um disco de 240 mm, ambos
com ABS de dois canais para maior segurança nas superfícies escorregadias.

O motor 4 tempos ESP da Forza 125 não esmorece a velocidades típicas do uso em cidade, entre os 40-60 km/h, conseguindo sem esforço realizar uma velocidade de cruzeiro na ordem dos 90 km/h, para uma velocidade máxima que se abeira sem dificuldades dos 110 km/h. No extremo, em descidas pouco acentuada conseguimos levá-la até ao limite de 130 km/h, e aí o motor ‘corta’… não dá mais!

O comportamento aerodinâmico pouco sofre ao subirmos para a altura máxima o para-brisas, excepto ao passar numa zona com fortes ventos ou rajadas laterais. Os pneus Michelin City Grip, de 15 e 14 polegadas revelam boa aderência, inclusive no piso molhado como tivemos oportunidade de experimentar. A opção por rodas de diferente diâmetro (120/70-15” à frente e 140/70-14” atrás, pareceu-nos uma boa escolha.

Os 1.490 mm de distância entre eixos oferecem estabilidade e
a geometria do quadro – 26.5° de inclinação da coluna de direcção e 89 mm de
eixo de arraste (trail) – providencia uma direcção muito ágil. O baixo peso da
Forza 125, apenas 161 kg, torna-a fácil de levar à mão, sendo uma scooter
relativamente fácil de estacionar, apenas um pouco mais de esforço que na PCX
125.

CONCLUSÃO

Fabricada nas instalações da Honda em Itália e com uma qualidade de construção acima da média, vários degraus acima das concorrentes asiática, a Forza 125 é assim uma opção muito interessante para os motociclistas mais executivos que procuram uma scooter luxuosa.

Resumindo as mudanças ao essencial, a Honda soube na altura
certa, antes da concorrência, melhorar ainda mais a Forza 125, uma scooter que
nos dá algo mais, aquele conforto extra de uma scooter GT de superior
cilindrada, mas por a qual temos de pagar bastante mais. Nota final muito
positiva para esta Honda Forza, que apesar da chegada tardia ao mercado – muito
depois da rival Yamaha X-Max – soube construir o seu próprio caminho para
chegar a igual sucesso.   

PREÇO E CORES

O PVP da Forza 125 é de 5.075 euros, subindo 5.525 euros com a top case. Fica assim ligeiramente acima da sua maior rival, a X-Max 125 que pode ser adquirida a partir de 4.995. Contudo, a proposta da Yamaha aproxima-se mais do conceito desportivo que do estilo executivo da Honda. 

A Forza 125 está disponível em cinco opções cromáticas: Vermelho Metalizado Mate Carnelian/Preto Pérola Nightstar ; Branco Pérola Mate Cool/Cinzento Metalizado Mate Cynos; Prata Metalizado Mate Lucent/Azul Pérola Mate Pacific; Cinzento Metalizado Mate Cynos/Cinzento Metalizado Mate Carbonium; Preto/Cinzento Metalizado Mate Cynos.

Os acessórios para a Forza 125:

Top case opcional de 45 litros compatível com o sistema
Smart Key

Porta-bagagens traseiro (instalação directa)

Bolsas interiores

Punhos aquecidos

Outros acessórios da linha Honda:

Porta-bagagens traseiro

Top case de 35 L à cor da moto

Kit de punhos aquecidos

Aplicações cosméticas à cor da moto

Saco interior

Kit de alarme

Capa de exterior

Cadeado em U

FICHA TÉCNICA

Motor: monocilíndrico a 4 tempos, 4 válvulas, com arrefecimento
líquido

Cilindrada: 125 cm3

Diâmetro x curso: 52,4 mm x 57,9 mm

Potência: 15 CV a 8750 rpm

Binário máximo: 12,5 Nm a 8250 rpm

Alimentação: injecção electrónica PGM-FI

Capacidade do depósito: 11,5 litros

Quadro: estrutura tubular em aço

Dimensões (C x L x A): 2140 mm x 755 mm x 1470 mm

Altura do assento: 780 mm

Peso total com líquidos: 162 quilos

Distância entre eixos: 1490 mm

Suspensão dianteira: garfo telescópico ø 33 mm

Suspensão traseira: dois amortecedores reguláveis

Travão dianteiro: ø 256 mm disco ABS

Travão traseiro: disco ø 240 mm ABS

Pneu dianteiro: 120/70-15

Pneu traseiro: 140/70-14

A CONCORRÊNCIA

YAMAHA X-MAX 125

Potência máxima: 14,2 CV; Peso: 175 kg

Preço: a partir de 4.995€

PEUGEOT 125 ALLURE

Potência máxima; 14,4 CV; Peso; 176 kg

Preço; a partir de 4.899€

KYMCO SUPER DINK 125i ABS

Potência máxima; 13,5 CV; Peso; 176 kg

Preço: a partir de 4.399€

SYM JOYMAX Z 125

Potência máxima; 14,3 CV; Peso: 171 kg

Preço: a partir de 3.899€

GALERIA HONDA FORZA 125

Tags: confortoHonda ForzaMaxi ScooterScooters 125Teste
Ricardo Ferreira

Ricardo Ferreira

Apaixonado por motos desde muito cedo, está desde há muito ligado à Comunicação Social, tendo trabalhado em diversos meios como AutoHoje, revista Motociclismo, jornal Volante, revista MotoMagazine e Autosport, entre outros.

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