A Bélgica foi, em tempos, um dos principais países de
motocross do mundo. No entanto, com alguns dos grandes pilotos de topo, como
Kevin Strijbos e Jeremy Van Horebeek, a chegar ao fim da carreira, será preciso
encontrar a geração que os irá substituir.
Uma das possibilidades é o jovem piloto Jago Geerts
que, tudo indica, terá um grande futuro no desporto motorizado. Porém, para
além de Geerts e Liam Everts, são muito poucos os belgas a subirem no
motocross. Isto deve-se, em grande parte, ao facto de terem sido encerradas
inúmeras pistas no país. Sendo que, actualmente, restam apenas seis.
Stefan Everts mostrou-se extremamente desapontado com
esta situação, relembrando os velhos tempos.
“Havia tantas pistas aqui e agora vão desaparecer
todas. Tiraram-nas todas e isso parte-me o coração, porque há 18 anos que viajo
à volta do mundo com a bandeira belga no pódio. O que recebemos em troca agora?
Nada”, explicou decepcionado o piloto belga, dez vezes campeão do mundo,
que tanto fez pelo desporto nacional.
“Eu tinha a minha própria estátua na minha cidade
natal, tínhamos a nossa pista (Neeroeteren), era um clube local que fazia muito
pelo desporto. Quando eu estava a ganhar, eles estavam todos lá (políticos),
dois anos depois tiraram a pista. Acabou. Eles podem tirar aquela estátua se
quiserem, mas só têm de trazer de volta a pista de motocross”.
Com estes problemas crescentes que afetam o desporto
belga há, sem dúvida, uma enorme pressão sobre os pilotos mais novos. Joel
Smets, ex-piloto, também parece preocupado com a falta de jovens talentos e
quer desesperadamente que Liam Everts esteja à altura do desafio.
“Há mais de uma década que estamos à espera de um
novo Campeão do Mundo e não parece que vá acontecer tão cedo. Além do Jago
(Geerts), só resta o Liam. É por isso que nós, belgas no paddock, apoiamos o
Liam porque queremos muito que ele se seja bom e ganhe campeonatos.”
Para além da questão do desaparecimento das pistas de motocross, a audiência também tem vindo a diminuir. “As pessoas na Bélgica estão a ver muito menos motocross do que na altura em que eu e o Stefan corríamos. Neste momento não temos essa super-estrela”, afirmou Smets.
Foto: Smeys G.














