O mercado de pilotos não conhece pausas e, neste início de julho, a ligação entre MotoGP e Mundial de Superbike (WorldSBK) torna-se cada vez mais evidente. No paddock de MotoGP existem atualmente cinco pilotos à procura de um lugar para 2027: Franco Morbidelli, Brad Binder, Maverick Viñales, Alex Rins e Jack Miller.
São nomes de peso que começam a olhar com interesse para o campeonato de motos derivadas de série, encarando o WorldSBK como uma oportunidade para relançar as respetivas carreiras. No entanto, existe um problema: os lugares disponíveis são muito poucos.
Nas equipas de fábrica, Yamaha, Bimota e Kawasaki já têm praticamente os seus planos definidos. Já BMW e Ducati dispõem de uma vaga em aberto, enquanto na Honda o futuro de Somkiat Chantra continua por decidir. As atenções concentram-se sobretudo em duas motos muito cobiçadas: a Ducati e a BMW.
A situação da Ducati é particularmente interessante. Com a saída prevista de Nicolò Bulega para o MotoGP, a vaga na equipa oficial Aruba.it Racing Ducati tornou-se a mais apetecível para os pilotos provenientes da categoria rainha.
Apesar disso, a equipa liderada por Stefano Cecconi não tem pressa em tomar uma decisão. Com Iker Lecuona já confirmado como peça central do projeto para 2027, a Ducati pretende analisar cuidadosamente todas as opções disponíveis, dando especial importância à motivação do futuro companheiro de equipa do espanhol.
Entre os candidatos surge Franco Morbidelli, um piloto muito bem visto pela estrutura italiana. Além da experiência acumulada em MotoGP, o italiano teria também a vantagem da sua nacionalidade e visibilidade mediática. Contudo, muito dependerá das exigências salariais do piloto, uma vez que uma parte significativa do orçamento da equipa já estará comprometida com Lecuona.
Mas Morbidelli não é o único interessado. Brad Binder também já sondou o universo Ducati, recolhendo informações tanto sobre a Aruba.it Racing como sobre possíveis alternativas nas equipas independentes Go Eleven e Barni.
As duas estruturas privadas da Ducati também não pretendem tomar decisões precipitadas.
A Go Eleven precisa primeiro de esclarecer o futuro de Lorenzo Baldassarri, enquanto a Barni continua à espera de uma resposta de Álvaro Bautista. O bicampeão mundial ainda não decidiu qual será o próximo passo da sua carreira, e várias movimentações do mercado dependem diretamente dessa decisão.
Caso Bautista opte por sair, não está excluída uma reunião com Danilo Petrucci, atualmente ligado à BMW. No entanto, o futuro do italiano permanece em aberto, sobretudo depois de a marca alemã não ter exercido a opção de renovação existente no seu contrato.
Também a BMW prefere agir com prudência. A marca de Munique não quer ser apanhada desprevenida, mas recusa tomar decisões precipitadas.
Entre os nomes que está a avaliar destaca-se Manu González. O espanhol, orientado por Edoardo Rovelli, é uma figura já conhecida no paddock das Superbikes, e uma mudança para o WorldSBK representaria quase um regresso a casa.
Com as portas do MotoGP praticamente fechadas para si, González acompanha atentamente as oportunidades que possam surgir tanto na Ducati Panigale V4 R como na BMW M 1000 RR, aguardando que o mercado entre verdadeiramente em movimento.
O mês de julho promete ser particularmente intenso, mas existe um elemento que poderá fazer toda a diferença para os pilotos de MotoGP que pretendem mudar-se para o Mundial de Superbike: o dinheiro.
O WorldSBK não funciona com os mesmos orçamentos nem com as mesmas dinâmicas financeiras do MotoGP. Por isso, muitos pilotos poderão ter de ajustar as suas expectativas salariais para garantir um lugar competitivo.
Com poucas vagas disponíveis e muitos candidatos de peso na corrida, o mercado poderá acabar por favorecer aqueles que se moverem mais rapidamente. Nas próximas semanas, o cenário deverá tornar-se mais claro, mas uma coisa já é certa: a batalha pelos lugares de 2027 está apenas a começar.
















