O debate já vinha a ganhar forma há muito tempo, mas desta vez está a ser abordado de frente. Álvaro Bautista não se limitou a fazer uma análise do estado atual do MotoGP; questionou a sua própria essência. Por trás do crescimento espetacular do campeonato, da sua exposição global e do frenesim mediático, o espanhol vê um desvio. Uma transformação gradual do desporto num espetáculo, onde a imagem acabou por se sobrepor à própria corrida.
A sua observação é direta, quase sem filtros: “Antes, a ênfase estava mais na corrida do que na imagem. Agora, tenho a impressão de que a imagem se sobrepõe quase à própria corrida.” Uma frase que resume o essencial do seu pensamento e que se enquadra numa leitura mais ampla da evolução do MotoGP nos últimos anos.
A chegada massiva das redes sociais, a proliferação de conteúdos e a exposição constante dos pilotos alteraram profundamente o seu papel. Já não são apenas competidores. Tornaram-se figuras públicas, marcas em si mesmas, obrigadas a gerir constantemente a sua imagem.
Bautista não nega esta evolução. Limita-se a colocá-la numa hierarquia que considera desequilibrada. Na sua perspetiva, o MotoGP afastou-se do seu núcleo de competição pura. E é precisamente isso que contrapõe ao Campeonato do Mundo de Superbike, onde compete atualmente. Nesse campeonato, vê uma autenticidade preservada, uma ligação mais direta entre pilotos e público, uma imersão que vai além da simples observação da corrida.
“Nas Superbike ainda existe esse espírito competitivo… Quando as pessoas vêm ver-nos, não se limitam a assistir às corridas, sentem-se parte delas.”
Bautista vai ainda mais longe ao estabelecer uma distinção clara entre os públicos das duas disciplinas:
“95% dos espectadores de Superbike são verdadeiros apaixonados… No MotoGP, muitos vêm pelo espetáculo, pelo evento. Não sabem nada de motas, nem conhecem metade dos pilotos.”
















