A situação de Maverick Viñales continua a gerar dúvidas no seio da KTM, tanto em relação ao seu estado físico como ao seu futuro. À margem do GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, Guenther Steiner, diretor da Tech3, abordou o tema e deixou claro que ainda existem muitas incógnitas em torno do piloto espanhol.
Enquanto Viñales continua a recuperar de uma lesão no ombro, será novamente Pol Espargaró a substituí-lo este fim de semana. Steiner sublinhou que a prioridade absoluta é garantir que o espanhol regresse apenas quando estiver totalmente recuperado.
“Esta situação surgiu sem que ninguém a procurasse, nem sequer ele. Existe obviamente uma questão relacionada com a condição física do ombro, embora eu não conheça todos os detalhes. Não sou médico e há opiniões diferentes sobre o assunto. O mais importante é que ele recupere a saúde, porque isso é fundamental para conduzir uma moto. Neste momento, cabe aos médicos ajudá-lo a voltar à forma. Pol vai correr aqui em Silverstone, mas todos esperamos que o Maverick recupere”, afirmou.
Questionado sobre se a intenção passa por recolocar Viñales em pista assim que estiver apto fisicamente, Steiner respondeu com cautela.
“Se estiver saudável, sim. Mas não penso que tenha sido tomada uma decisão sobre o que acontecerá depois disso. Não quero comentar algo sobre o qual não tenho conhecimento suficiente.”
O responsável da Tech3 explicou ainda que a comunicação principal de Viñales acontece diretamente com a KTM, uma vez que o contrato do piloto é gerido pela marca austríaca e não pela equipa satélite.
“A sua principal linha de comunicação é com a KTM. Sou o diretor da equipa, mas ele tem contrato com eles e a responsabilidade dele é perante a KTM. Herdámos esta estrutura e não podia mudar a situação contratual. Tenho de permanecer dentro do meu papel.”
Quando questionado se tinha uma opinião pessoal sobre o caso, Steiner respondeu de forma enigmática:
“Tenho uma opinião, mas talvez seja melhor não a partilhar.”
O dirigente admitiu que existe alguma fricção entre as partes, embora tenha preferido não aprofundar o assunto.
“Para dançar o tango são precisas duas pessoas. Temos de ser honestos. Mas esta situação começou antes de eu chegar. Não sou ninguém para julgar. O que posso fazer é tentar ser correto com todos e ajudar a atingir os objetivos. Nesta situação criou-se alguma tensão, mas não posso fazer nada e não quero fazer parte disso.”
Steiner reconheceu que nunca viveu uma situação semelhante ao longo da sua carreira.
“Normalmente sabe-se o que aconteceu e qual é o caminho a seguir. Neste caso, nem os médicos conseguem ainda tomar uma decisão definitiva. Nunca me tinha acontecido algo assim, mas na vida há sempre situações novas.”
Além da situação de Viñales, Steiner falou também sobre a necessidade de ter pilotos de reserva preparados para responder a imprevistos, destacando a importância de contar com alguém do nível de Pol Espargaró.
“Cada fabricante deve resolver esse problema por si próprio. Quando tivemos apenas uma moto porque o Pol estava lesionado foi uma questão de azar. Desta vez estávamos preparados. Para nós, o importante é ter sempre disponível pelo menos um piloto do nível do Pol. Claro que o ideal seria não termos pilotos lesionados.”
O dirigente acredita ainda que as recentes medidas implementadas no campeonato poderão ajudar a reduzir o número de acidentes, esperando que os novos regulamentos tornem menos frequentes os cenários em que é necessário recorrer a pilotos substitutos.
















