O duelo entre Alex Márquez e Pedro Acosta em Misano proporcionou uma imagem pouco habitual: depois de um forte ataque do piloto da KTM, o piloto da Gresini mostrou-lhe o dedo do meio durante a corrida. Poucos minutos depois, e ainda antes de subir ao pódio, Alex sentiu necessidade de pedir desculpa ao seu rival: «Aquilo não esteve certo».
A velocidades superiores a 250 km/h, a diplomacia por vezes fica para segundo plano. Alex Márquez viveu isso na pele no domingo, em Misano. O piloto da Gresini e Pedro Acosta envolveram-se numa batalha particularmente intensa enquanto tentavam recuperar posições na frente do Grande Prémio de San Marino.
Um ataque do piloto da KTM na curva 10 provocou uma reação imediata de Alex: um dedo do meio levantado de forma ostensiva, perfeitamente visível nas imagens da transmissão do MotoGP.
A história poderia ter terminado com algumas palavras mais duras depois da bandeira de xadrez. No entanto, aconteceu precisamente o contrário. Antes da cerimónia do pódio, os três primeiros classificados — Marc Márquez, Alex Márquez e Pedro Acosta — reúnem-se, como é habitual, numa sala onde podem rever imagens da corrida.
Alex não esperou que Acosta lhe pedisse uma explicação. «Aqui perdi a cabeça, peço desculpa», disse-lhe imediatamente. O piloto da KTM claramente não tentou prolongar o incidente. Mas Márquez insistiu: «Aquilo não esteve certo. Fiz uma coisa que não devia ter feito. Desculpa, Pedro».
A reação ganha ainda mais importância por ter acontecido apenas alguns minutos depois de um duelo em que nenhum dos dois tinha qualquer intenção de ceder.
@alexmarquez73 was trying to tell @37_pedroacosta a little something 🫢 (they talked it out later 🤝)#SanMarinoGP 🇸🇲 pic.twitter.com/pYtJWBt2Wh
— MotoGP™🏁 (@MotoGP) September 13, 2026
Alex Márquez, no entanto, não mudou de opinião quanto à origem da sua irritação. Segundo o espanhol, o ataque de Acosta na curva 10 foi particularmente agressivo.
«Ele tocou-me na curva 10 e fiquei zangado. Travei forte e quase bloqueei a frente. Pensei: ou largo a mota ou caio. Não estava à espera daquilo».
Mais tarde, explicou a situação com maior detalhe à DAZN. «A entrada dele na curva 10 foi quase diretamente na minha direção, e não gostei disso».
Alex admite, portanto, que continua a considerar a manobra excessiva. O que lamenta não é ter ficado irritado, mas a forma como reagiu. «Quando estamos zangados, acontecem coisas que não deveriam acontecer».
E acabou por ser Pedro Acosta a colocar rapidamente um ponto final no assunto. Sem polémicas, pedidos de sanções ou troca de acusações diante dos microfones.
«O Pedro é alguém com quem se pode falar, e ficou por aí», reconheceu Alex.
Os dois pilotos tinham, de resto, outros motivos para celebrar. Alex Márquez terminou na segunda posição, apenas 0,657 segundos atrás do irmão Marc, enquanto Acosta completou o pódio, depois de também ter ultrapassado Jorge Martín.
A situação ganha ainda um detalhe curioso quando se olha para 2027. Pedro Acosta vai deixar a KTM para integrar a equipa oficial da Ducati ao lado de Marc Márquez. Alex, por sua vez, vai abandonar a estrutura Ducati e juntar-se à equipa oficial da KTM.
Ou seja, os dois pilotos terão certamente muitas mais oportunidades para se encontrarem em pista.
Em Misano, pelo menos, demonstraram que um ataque pode ser extremamente agressivo sem necessariamente dar origem a uma rivalidade duradoura.
O gesto do dedo do meio tornou-se rapidamente viral, mas talvez a cena mais reveladora tenha acontecido depois da corrida: Alex Márquez não procurou desculpas para o seu gesto e Pedro Acosta evitou alimentar a polémica. Os dois conversaram, apertaram as mãos e subiram juntos ao pódio.
No MotoGP, felizmente, nem todas as rivalidades precisam de durar dez anos.
















