A revolução do MotoGP em 2027 não envolverá apenas os motores de 850 cc, a aerodinâmica simplificada ou uma eletrónica menos complexa. Para alguns pilotos, a mudança mais decisiva poderá estar… nos pneus. E, nesse aspeto, Toprak Razgatlioglu já possui uma vantagem que muito poucos dos seus futuros rivais poderão reivindicar.
Nos primeiros testes oficiais das motos de MotoGP para 2027, realizados à porta fechada em Brno, a Yamaha confiou o desenvolvimento da sua futura máquina a Augusto Fernández e Toprak Razgatlioglu. Os tempos por volta têm, nesta fase do projeto, um valor relativo, mas um detalhe chamou rapidamente a atenção no paddock.
O campeão do mundo de Superbike sentiu-se imediatamente confortável com os novos pneus Pirelli. Uma constatação confirmada pelo próprio Augusto Fernández à MotoSprint.
“Ele sentiu-se confortável desde o início, especialmente com o pneu dianteiro.”
Uma observação longe de ser insignificante.
Nos últimos meses, as atenções têm-se centrado na redução da cilindrada para 850 cc, na diminuição da aerodinâmica e na eliminação de várias ajudas eletrónicas. No entanto, para Augusto Fernández, o maior desafio não estará aí.
Segundo o piloto de testes da Yamaha, a adaptação aos pneus será a principal dificuldade técnica para os pilotos atualmente habituados aos Michelin. Uma mudança muitas vezes subestimada, já que o pneu dianteiro influencia diretamente a travagem, a entrada em curva e, acima de tudo, a confiança do piloto.
Durante anos, Razgatlioglu construiu a sua reputação no Mundial de Superbike com pneus Pirelli. O seu estilo espetacular, as travagens extremamente tardias e o controlo excecional da frente da moto foram desenvolvidos em torno das características destes pneus.
Em 2026, o piloto turco teve de se adaptar a um ambiente completamente novo com os Michelin. Em 2027, o cenário inverter-se-á. Serão os restantes pilotos de MotoGP a terem de se adaptar a um fornecedor que Toprak conhece praticamente de cor.
Ainda assim, é cedo para tirar conclusões definitivas. Mesmo perfeitamente adaptado aos pneus Pirelli, Razgatlioglu continuará dependente da competitividade da futura Yamaha. A sua primeira temporada no MotoGP já demonstrou isso mesmo.
Apesar de alguns progressos encorajadores, o turco continua a aprender uma disciplina bastante diferente do Superbike, enquanto a Yamaha M1 ainda se encontra atrás das motos mais competitivas do pelotão. O abandono em Assen, provocado por fortes vibrações, recordou que as limitações atuais da moto continuam a ser significativas.
A chegada da Pirelli ao MotoGP poderá, contudo, alterar mais profundamente a hierarquia do que muitos imaginam. Os jovens pilotos provenientes do Moto2, já habituados aos pneus da marca italiana, também beneficiarão de uma transição mais natural.
Razgatlioglu faz parte desse grupo privilegiado. Aliás, essa é precisamente a razão pela qual o piloto turco tem insistido, há vários meses, que a sua verdadeira avaliação no MotoGP só deverá ser feita a partir de 2027.
Com uma moto totalmente nova e pneus que conhece perfeitamente, Toprak acredita que as comparações começarão verdadeiramente nessa altura.
Os primeiros testes em Brno parecem dar-lhe razão: se a Yamaha conseguir dar o salto competitivo esperado, Toprak Razgatlioglu poderá entrar na nova era do MotoGP com uma vantagem que muitos tinham subestimado.
















