A tensão entre os pilotos e a organização do MotoGP está a aumentar a poucos dias do Grande Prémio do Qatar. Segundo avança o Motorsport.com, os pilotos que se recusarem a participar na ronda de Doha poderão enfrentar sanções que podem mesmo deixá-los de fora das duas últimas corridas do calendário, em Portugal e Valência.
A possibilidade de viajar até ao Qatar continua a gerar preocupação no pelotão do MotoGP. A instabilidade política e militar que se vive no Médio Oriente levou vários pilotos a questionarem a realização do Grande Prémio, agendado para os dias 6 a 8 de novembro.
A organização mantém a intenção de realizar a prova e já transmitiu aos pilotos as possíveis consequências de uma eventual ausência. Segundo as informações disponíveis, a posição dos pilotos tem vindo a perder força nos últimos dias. Nas reuniões realizadas em Phillip Island, cerca de três quartos do pelotão mostraram-se contra a deslocação a Doha. Uma semana depois, essa oposição terá ficado reduzida a apenas três pilotos, de acordo com o que foi discutido no último encontro, realizado esta sexta-feira em Sepang.
A reunião ficou marcada pela tensão entre as duas partes. Aliás, os pilotos tiveram de recorrer às instalações da Yamaha depois de lhes ter sido negada a possibilidade de utilizar uma sala para realizar o encontro. Entretanto, as equipas e os responsáveis pelo campeonato mantêm uma posição comum: o Grande Prémio deve realizar-se.
O principal ponto de conflito está relacionado com as consequências de uma eventual ausência. De acordo com o Motorsport.com, os pilotos já foram alertados para as represálias que poderão enfrentar caso decidam não comparecer no Qatar sem uma justificação válida.
As sanções poderão partir das próprias equipas, que teriam a possibilidade de lhes imputar as multas financeiras aplicadas pela organização. No entanto, o cenário mais delicado está relacionado com a Federação Internacional de Motociclismo (FIM), que poderá considerar a ausência uma infração grave e aplicar sanções desportivas.
Entre as medidas que estarão em cima da mesa encontra-se uma particularmente importante para o desfecho do campeonato. Os pilotos que não se deslocarem ao Qatar poderão ser impedidos de participar nos dois últimos Grandes Prémios da temporada, em Portimão e Valência. Uma possibilidade que, caso se concretize, teria um impacto direto na fase decisiva do campeonato.
Por sua vez, a organização defende que existem garantias suficientes para realizar a corrida em condições normais. Carlos Ezpeleta, diretor-geral adjunto do MotoGP, viajou esta semana até ao Qatar para avaliar a situação no terreno e reunir-se com os responsáveis locais.
Segundo as informações divulgadas, o Governo do Qatar terá apresentado medidas de segurança, planos de evacuação e a cobertura de eventuais despesas que possam resultar de um encerramento do espaço aéreo.
O campeonato considera que, enquanto nenhum país proibir expressamente as viagens para o Qatar, não existe uma situação de força maior que permita cancelar a prova sem consequências financeiras. Esta posição coloca os pilotos numa situação complicada, uma vez que as recomendações para evitar deslocações à região não equivalem a uma proibição oficial.
O conflito surge também numa altura em que os pilotos parecem estar cada vez mais próximos de se organizarem para defender os seus interesses em conjunto. A possibilidade de criar uma associação de pilotos ganhou força nas últimas semanas, mas o braço-de-ferro em torno do Grande Prémio do Qatar poderá tornar-se um teste importante para perceber até onde estão dispostos a ir.














