O paddock de Phillip Island foi o cenário de uma conversa profunda e humana com Pedro Acosta. Aos 22 anos, o piloto de Mazarrón prepara-se para o desafio de dar o salto para a equipa oficial da Ducati na próxima temporada, onde partilhará a box com Marc Márquez. Numa entrevista concedida ao jornal AS, o jovem talento falou sem filtros sobre a sua evolução, a gestão da fama, as suas referências históricas e as expectativas em relação ao maior desafio da sua carreira desportiva.
Com a chegada à equipa de Borgo Panigale no horizonte, Acosta tem claro que a sua prioridade inicial não será bater o novo companheiro de equipa desde o primeiro dia, mas sim aproveitar a oportunidade para aprender com uma das maiores lendas do motociclismo antes de este se retirar.
«A primeira coisa será adaptar-me à equipa e ver se consigo ir aprendendo algumas coisas com o Marc, pouco a pouco», reconheceu o piloto espanhol na conversa com o AS, consciente de que se trata de uma oportunidade única.
Questionado sobre o estatuto histórico de Márquez, o número 37 não hesitou em colocá-lo no topo do Olimpo do motociclismo, ao mesmo nível de Valentino Rossi: «O Marc fez muito na pista e o Valentino fez muito a nível mediático. Estão ao mesmo nível. São os dois melhores da história.»
Ao recordar as dificuldades sentidas na adaptação à categoria rainha e a ausência de vitórias durante a sua passagem pela KTM, Acosta reconheceu o peso psicológico que carregou até conquistar o primeiro triunfo na Áustria. Essa vitória representou um alívio necessário após vários meses de frustração.
Durante esse processo de recuperação da confiança e procura de tranquilidade, Carmelo Morales assumiu um papel fundamental na sua box.
«Aquilo que nunca poderia imaginar em relação ao Carmelo era que soubesse tanto sobre motos e que, no final, a sua opinião fosse tão válida para mim», explicou, recordando o apoio recebido durante a pior fase dos seus resultados.
«Passavam muitas coisas pela minha cabeça e liguei-lhe porque não estava a divertir-me. Pelo menos com ele conseguia rir-me. Aquilo que começou por ser um apoio fora da pista acabou por se tornar numa peça fundamental para compreender os problemas de uma perspetiva mais abrangente.»
Longe de criar uma personagem para agradar ao grande público, o piloto espanhol defende uma postura de absoluta naturalidade perante os meios de comunicação social. Acosta desvaloriza os deslizes verbais do passado — como o episódio de que foi protagonista na televisão — e compara a sua frontalidade à de outros campeões de gerações anteriores, como Jorge Lorenzo, que o seu próprio representante considera uma referência para o piloto nos seus primeiros passos.
«Usar uma máscara é muito fácil, mas chega uma altura em que ela cai. É melhor que as pessoas te conheçam e gostem de ti ou te odeiem por aquilo que realmente és, e não por uma personagem fictícia», afirmou Acosta.
Já consolidado como um dos principais protagonistas da grelha, o espanhol prepara-se agora para enfrentar, com a mesma autenticidade, um dos duelos geracionais mais aguardados do Campeonato do Mundo.














