O MotoGP afirma que a razão pela qual o Grande Prémio da Austrália não foi antecipado um dia, perante as previsões meteorológicas adversas, foi o facto de as previsões de sábado não apontarem para os problemas de visibilidade que se verificaram no domingo.
A última edição do Grande Prémio da Austrália em Phillip Island, disputada no domingo, foi cancelada devido às más condições meteorológicas, que provocaram problemas de visibilidade e impediram o helicóptero médico de levantar voo.
Após o cancelamento da corrida, os pilotos realizaram uma volta controlada de desfile como forma de homenagem aos adeptos.
Pilotos como Jack Miller e Marc Márquez afirmaram que Phillip Island «merecia melhor», numa altura em que o Grande Prémio da Austrália se mudará para Adelaide a partir do próximo ano.
No entanto, foram levantadas questões sobre o motivo pelo qual a MotoGP não tomou medidas para reduzir o risco de a corrida de domingo ser cancelada, como aconteceu em 2023.
As previsões meteorológicas desfavoráveis que antecederam o Grande Prémio da Austrália de 2023 levaram à antecipação da corrida principal para sábado, enquanto a Sprint foi adiada para domingo.
Nesse ano, as corridas de Moto2 e Moto3 realizaram-se, mas a Sprint acabou por ser cancelada.
Na quinta-feira, Fabio Di Giannantonio revelou aos jornalistas que já tinham existido conversações sobre uma possível alteração do programa de Phillip Island devido às previsões de mau tempo.
Um porta-voz do Grupo MotoGP afirmou que a Direção de Corrida esteve a acompanhar as previsões meteorológicas, mas que os problemas de visibilidade que acabaram por levar ao cancelamento da corrida não estavam previstos até sábado.
«A Direção de Corrida acompanhou muito de perto as previsões meteorológicas para o fim de semana», referiu um breve comunicado.
«Estavam previstas chuva e vento para domingo, mas não com uma intensidade que colocasse em risco a realização das corridas.
«Até sábado, não existiam informações que indicassem que a visibilidade seria limitada e que o helicóptero não poderia levantar voo no domingo.»
Alterar os horários das corridas é uma tarefa complexa, devido ao impacto que essas mudanças podem ter nos espectadores que compraram bilhetes.
No entanto, domingo já estava previsto como o dia com as piores condições meteorológicas. Mesmo que as previsões não apontassem para os problemas de visibilidade que se verificaram, o tempo em Phillip Island sempre foi conhecido pela sua imprevisibilidade.
Por isso, há argumentos para defender que a MotoGP deveria ter adotado uma abordagem mais cautelosa, sobretudo tendo em conta a possibilidade de a última edição do Grande Prémio em Phillip Island terminar de forma tão dececionante.
Esta questão ganha ainda maior relevância devido ao impacto que o cancelamento da corrida principal poderá ter na luta pelo título mundial.
Marc Márquez lidera o campeonato com uma vantagem de 10 pontos sobre Jorge Martín, que fraturou o pulso numa queda durante a Sprint de sábado e foi declarado inapto para disputar o Grande Prémio.
Isto não significa que o resultado de Martín tivesse sido necessariamente diferente caso os 25 pontos da corrida principal estivessem em disputa no sábado. Ainda assim, saber que a Sprint poderia ser a sua única oportunidade de pontuar durante todo o fim de semana poderá ter influenciado a sua abordagem, levando-o a assumir mais riscos.
A decisão de retirar 25 pontos da equação também levanta dúvidas, tendo em conta a incerteza em torno do Grande Prémio do Qatar, que ainda poderá ser cancelado caso o conflito na região se agrave.














