Miguel Oliveira em conversa numa entrevista para o site da https://www.speedweek.com, falou sobre a sua recuperação de uma lesão grave e da sua mentalidade durante todo este processo. O piloto português fala ainda sobre a sua vida fora do paddock e o que poderá vir a fazer no futuro, depois de se retirar da competição.
– Não, no final das contas, tenta-se correr o mínimo possível para poder voltar. Claro, se estiver a correr com dois ou três segundos de atraso, não faz sentido. Mas voltar para se acostumar com a moto, para ganhar tempo de forma segura e relativamente competitiva, faz sentido. E foi exatamente isso que encontrei em Le Mans. Fisicamente, eu estava apto para pilotar a moto, não era competitivo, mas era o mínimo necessário para poder pilotar e ter uma sensação. E isso é o bom de tentar retomar o contacto.
Na minha experiência, isso só me reforça ainda mais a ideia de que a pista de corrida é o meu mundo. Não há nada pior do que estar em casa e ver que aquilo que mais gostas de fazer está a ser feito por outra pessoa no teu lugar. Então pensas: «Tenho de ser esse tipo, sou eu que tenho de estar lá e não aqui em casa.» Não há dúvidas, porque, no final das contas, só se pode duvidar de quanto tempo vai demorar para voltar. Mas sim, várias coisas passam pela cabeça, e uma delas é que eu amo esse mundo e não consigo me ver no sofá – eu vejo-me lá, e é lá que eu pertenço.
Acrescentou ainda: ‘Não acho que seja diferente, porque todos têm a sua vida fora do paddock, têm os seus pequenos projetos. Tenho projetos que me ocupam, para que não tenha tempo de ir ao paddock quando parar. Mas a verdade é que conduzo motos desde os oito anos de idade. E desde os oito anos de idade que conheço os circuitos, o paddock, os hotéis, as viagens, e quando isso desaparece de repente, é como se lhe tirassem uma parte do seu corpo. É inevitável ter de se adaptar a esta nova realidade e, neste momento, imagino uma vida após o motociclismo em que me envolvo num projeto no paddock, certamente no MotoGP.’
















