O CEO da KTM, Gottfried Neumeister, falou com a Speedweek sobre vários temas importantes relacionados com a presença da marca na MotoGP. Acima de tudo, confirmou que a crise financeira vivida pela KTM já faz parte do passado. Agora, a marca austríaca pode voltar a investir na competição sem correr grandes riscos, entrando numa fase de maior estabilidade. Inclusive, a KTM chegou mesmo a recusar uma proposta milionária relacionada com o projeto de MotoGP.
«Tenho o prazer de confirmar que decidimos, juntamente com o Conselho de Administração do Grupo Bajaj, continuar a operar as equipas oficiais com independência estratégica e sem investidores no futuro. Chegámos à conclusão de que, para atingir os objetivos ambiciosos que também temos no automobilismo, o melhor é atuar de forma independente e livre», revelou o responsável da KTM.
Neumeister explicou ainda: «Não é novidade nenhuma que existe um enorme interesse de investidores em entrar no projeto de MotoGP. Devido a esse interesse, o processo prolongou-se e rapidamente começámos a receber novas propostas praticamente todos os dias. Não é o nosso trabalho especular crescimento com capital externo. O nosso trabalho é querer ganhar, isso tem de estar sempre em primeiro lugar. Aqui não se trata de agir apenas numa lógica de negócio».
«Como é sabido, analisámos de forma muito intensa essa possibilidade», continuou o CEO da KTM. «Para isso, desenvolvemos um processo muito detalhado com um parceiro externo que fez um trabalho fantástico. A base foi uma avaliação económica da estrutura do desporto motorizado. Até nós ficámos impressionados quando nos deparámos com um valor de muitos milhões».
«Posteriormente, tivemos várias reuniões muito positivas com potenciais investidores, dentro de um processo de venda parcial. Estou muito agradecido por termos podido explorar esse caminho e por essa oportunidade ter existido. A análise da situação dos investidores demorou bastante tempo. Agora, o nosso principal acionista tomou connosco a decisão de permanecer independente, apesar da possibilidade de gerar milhões de euros», acrescentou Neumeister.
Mas nem tudo foi negativo neste processo: «A base disto tudo é que conseguimos uma recuperação bem-sucedida durante a reestruturação e temos agora força financeira para suportar as corridas oficiais. E não apenas suportá-las, mas também investir», ou seja, a KTM volta a poder investir sem receios depois da crise financeira.
«As corridas não funcionam com o travão de mão puxado. Também é preciso ter capacidade para investir quando chega o momento certo. Claro que é necessária disciplina nos custos, mas também alguma ousadia. Tudo isto demonstra que a Bajaj não está apenas ao lado da KTM, mas também comprometida com o MotoGP», concluiu Neumeister.

















