Os conflitos bélicos no Médio Oriente estão na origem dos obstáculos que impedem o MotoGP de viajar até ao Qatar para disputar uma corrida em Losail. Para já, a prova continua prevista no calendário, embora ainda exista tempo para que surjam acontecimentos que impossibilitem a sua realização. À partida, o Grande Prémio do Qatar está marcado para o fim de semana de 8 de novembro, ou seja, falta pouco mais de meio mês. Ainda assim, a promotora do campeonato pretende manter a prova, aconteça o que acontecer.
O dia 8 de novembro não era a data inicialmente prevista para o Grande Prémio do Qatar, que teve de ser adiado precisamente devido aos conflitos bélicos. A situação também afetou o Grande Prémio de Portugal, no Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, e o Grande Prémio da Comunidade Valenciana, obrigando a alterações no calendário. Normalmente, a temporada termina, o mais tardar, a meio de novembro, mas em 2026 prolongar-se-á até ao final do mês.
Jorge Martín, líder do campeonato com a Aprilia, afirmou, segundo o Motorsport:
«Em termos desportivos, não me afeta, nem para o bem nem para o mal. É igual para todos. Não é algo que eu possa controlar, decidir se vamos ou não, porque não depende de mim. Pode ser uma corrida em que vença e some 37 pontos, ou pode acontecer-me uma queda e não somar nenhum. É muita especulação e é impossível saber o que pode acontecer e que influência poderá ter. Não quero gastar energia com esse assunto.»
Pecco Bagnaia, da Ducati Lenovo, declarou:
«Não quero expressar opiniões que me possam causar problemas. No entanto, se a nossa segurança é realmente uma prioridade, então todos os aspetos devem ser cuidadosamente ponderados. Se as condições não forem as adequadas, penso que vale a pena esperar antes de tomar uma decisão.»
Fabio Quartararo, da Yamaha, afirmou:
«Não estou preocupado com a possibilidade de ir ao Qatar. A verdade é que será apenas mais uma corrida, que já estava prevista. Não é algo que me tire o sono. Se a Fórmula 1 for, nós também teremos de ir.»
Marc Márquez preferiu não se comprometer com uma posição clara:
«Prefiro não dar a minha opinião para já, mas tenho uma coisa muito clara: a vida é uma só e corridas há muitas.»
É evidente que os pilotos não têm certezas quanto à segurança e à pertinência de disputar o Grande Prémio do Qatar nestas circunstâncias. Muitos parecem inclinar-se para a ideia de que, perante um conflito bélico, será preferível não correr naquele território. Ainda assim, como referiu Quartararo, se a Fórmula 1 avançar com a realização da prova, o MotoGP poderá ter de seguir o mesmo caminho.
Importa referir que a situação no Qatar se agravou, uma vez que terá sido registado um ataque com mísseis contra instalações petrolíferas da estatal saudita Aramco, situadas a cerca de 160 quilómetros de Losail. O emir do Qatar, Hamad Al-Thani, terá alertado os cidadãos para que «estejam preparados para o pior cenário possível».
Carlos Ezpeleta, diretor desportivo e CEO adjunto do MotoGP, comentou os acontecimentos:
«Estamos a acompanhar de perto a situação. Temos previsto viajar para o Qatar, mas, obviamente, a segurança e o bem-estar de todo o pessoal e dos adeptos são a nossa máxima prioridade. Continuamos a monitorizar os acontecimentos.»














