O piloto francês concedeu uma entrevista ao meio desportivo Moto.it, na qual falou sobre os anos mais difíceis da sua carreira, a luta constante que continua a travar para alcançar bons resultados — e até lugares no Top 10 e Top 5 — e sobre o que poderia ter acontecido em determinados momentos da sua trajetória caso a Yamaha tivesse estado à altura.
A primeira questão foi direta: depois de vários Grandes Prémios sem resultados expressivos, e alguns até sem pontuar, terá sido um erro renovar e continuar ligado à Yamaha? Esta foi a resposta de “El Diablo”:
“Quando estamos a viver o momento não o vemos como um erro. Agora que as coisas não estão a correr bem, é fácil dizer que foi um erro. Na altura falava com os engenheiros, com toda a gente, e para mim não era um erro. Hoje estamos a sofrer, mas não digo que tenha sido um erro.”
No ano passado, todos assistiram à forma como Quartararo perdeu uma possível vitória em Silverstone devido à avaria do motor da sua Yamaha. Questionado sobre se esse triunfo teria mudado alguma coisa para ele ou para a marca, respondeu:
“Não, nada teria mudado. A Yamaha já tinha decidido desenvolver o motor V4 e tinha deixado de trabalhar na moto de 2025. Provavelmente, com a moto do ano passado teríamos sido mais competitivos este ano, mas o projeto era esse e temos de crescer com esta moto. Ainda assim, com mais desenvolvimentos da moto de 2025, este ano poderia estar a correr melhor.”
As declarações do francês têm sido, por vezes, bastante duras para a marca japonesa. Sobre isso, Quartararo fez questão de esclarecer:
“É verdade que, por vezes, fui um pouco duro nas críticas. É a minha forma de tentar melhorar as coisas. Depois percebi que não é necessário estar sempre zangado. Há muito tempo que procuro simplesmente fazer o meu trabalho, não ficar irritado — a Maider (responsável de imprensa) pode confirmar — e ajudar a melhorar a situação.”
Sobre os progressos mostrados em Le Mans, diante do público da casa, Quartararo explicou:
“Sim, estou a ser mais competitivo, mas o problema é que temos de olhar para a média. Le Mans é uma pista onde sempre fui forte, os pneus degradam pouco e não faz demasiado calor. Não podemos depender das condições. Precisamos de ter total confiança na moto e isso é algo que nos falta há cerca de três anos.”
Questionado sobre a pressão sentida ao ocupar o lugar de Valentino Rossi na equipa oficial da Yamaha, enquanto o italiano passava para a equipa satélite, Quartararo admitiu:
“Conselhos, não. Quando se está a este nível não se quer dar conselhos a ninguém. Senti-me um pouco mal, nervoso e ansioso. Tinha receio da reação dos adeptos italianos. Não por substituir o Valentino em si, mas porque eu entrava na equipa oficial enquanto ele ia para a equipa satélite. Vivi isso de forma complicada durante a pré-temporada e nas primeiras corridas. Depois passou.”
Também desmentiu os rumores que indicavam que Francesco Bagnaia teria recusado a Yamaha após uma conversa com ele:
“Não. Falei com o Bagnaia, mas seria como eu ir pedir conselhos a um piloto de outra marca sobre o meu futuro. Não faz sentido. E não é verdade. As pessoas falam sem saber e pensam que o Bagnaia não foi para a Yamaha por minha causa, o que é falso. Obrigado por esclarecerem isso com esta pergunta.”
Após os acidentes de Barcelona, voltou a discutir-se a pouca participação dos pilotos na Comissão de Segurança. Quartararo explicou porque deixou de comparecer:
“Eu não vou porque, no passado, vimos muitas vezes que pedíamos coisas que não eram feitas ou só chegavam três anos depois. Depois do acidente entre Morbidelli e Zarco na Áustria, em 2020, colocaram duas corridas na Áustria no ano seguinte. Nessa altura disse que não voltaria à Comissão de Segurança até que fosse obrigatória. Ou é obrigatório para todos ou, para mim, não faz sentido.”
Sobre a possibilidade de haver um representante dos pilotos, mostrou-se favorável:
“Sim, Bagnaia ou Marini seriam opções perfeitas. Ambos fariam um excelente trabalho.”
Para terminar, o francês foi desafiado a construir o piloto ideal de MotoGP, escolhendo as melhores características dos seus rivais:
“Com a melhor mudança de direção do Dani Pedrosa; a melhor velocidade em curva do Jorge Lorenzo; a melhor volta rápida do Jorge Martín; o piloto mais completo, Marc Márquez; a melhor relação com os meios de comunicação e a imprensa, Valentino Rossi; e a melhor travagem… eu. Essa é a minha melhor qualidade, juntamente com o meu carisma.”
















