Poucas pessoas conhecem Jorge Martín tão bem como Daniele Romagnoli. O engenheiro italiano, conhecido pela alcunha de «Radar», acompanha o piloto há vários anos na função de chefe técnico, primeiro na Ducati e agora na Aprilia. Numa entrevista à Moto.it, gravada na quinta-feira do Grande Prémio da Indonésia, antes da queda de Martín em Phillip Island, Romagnoli explicou aquilo que distingue o campeão do mundo de 2024.
O primeiro aspeto que destaca é a sua capacidade de aprendizagem. Martín chegou ao MotoGP como campeão de Moto3 e com apenas um ano de experiência em Moto2, mas bastavam-lhe algumas indicações sobre telemetria, eletrónica ou afinações para as colocar imediatamente em prática na pista.
«Acima de tudo, a sua velocidade de aprendizagem», resume. A isso junta-se a sua personalidade: «Martín é um piloto verdadeiramente explosivo. Nunca sabes aquilo de que é capaz», afirma o italiano, que reconhece que essa impulsividade tanto pode jogar a seu favor como transformar-se numa limitação.
A primeira temporada em Noale foi um verdadeiro pesadelo. Martín lesionou-se durante os testes de pré-temporada em Sepang, voltou a sofrer uma queda pouco depois e o resto do ano tornou-se uma sucessão de dificuldades.
«Era um projeto bonito e acreditava muito nele. Caiu novamente logo no início e, a partir daí, tudo se tornou realmente complicado», recorda. «Vivi tudo isto de forma muito difícil», admite. Durante as ausências do piloto, Romagnoli trabalhou com o piloto de testes Lorenzo Savadori, de forma a garantir que o desenvolvimento da moto não perdia continuidade.
Este ano, tudo mudou. Martín falhou os testes de Sepang e chegou diretamente à Tailândia, mas adaptou-se imediatamente.
«Desde o início, as sensações foram animadoras, porque se sentiu muito confortável», explica. As vitórias na corrida Sprint e na corrida principal de Le Mans confirmaram que a Aprilia tinha um candidato ao título. «Só posso fazer um balanço positivo. Não sabemos como irá terminar, mas a forma como começámos é excecional: fomos competitivos desde o primeiro momento», salienta.
Nem tudo foi perfeito. O fim de semana de Barcelona, que terminou com seis quedas, incluindo as registadas no teste de segunda-feira, acabou por ter consequências importantes.
«Fez-nos pagar agora o preço em pontos: podíamos ter mais», reconhece. Ainda assim, mostrava-se otimista: «Estou muito satisfeito, estamos na luta. Estamos muito próximos em termos de pontos, será importante manter a máxima concentração e lutar pelo título, penso que até à última corrida».
Romagnoli vai continuar na Aprilia em 2027, onde terá pela frente um desafio triplo: uma moto nova, pneus novos e um novo piloto, Pecco Bagnaia.
«Naturalmente, será um desafio diferente», afirma. O engenheiro está convencido de que o bicampeão de MotoGP pode recuperar a sua melhor versão: «Provavelmente, bastará mudar de ares e encontrar uma moto que lhe dê aquilo de que precisa».
No final da conversa, Romagnoli recordou alguns dos pilotos com quem trabalhou ao longo da carreira, desde Carlos Checa a Jorge Lorenzo, passando por Marco Melandri e Danilo Petrucci. Mas, quando chegou a vez de falar de Martín, não teve dúvidas:
«Hiper-talento. Jorge Martín é um piloto extremamente talentoso pelo que é capaz de fazer em cima da moto. Sabe improvisar e consegue colocar em prática na pista aquilo que lhe é explicado».
















