Gigi Dall’Igna, diretor-geral da Ducati, concedeu uma entrevista à Moto Sprint na qual analisou a primeira metade da temporada, a recuperação da Aprilia e o futuro da marca com a chegada do novo regulamento técnico em 2027. O engenheiro de Borgo Panigale, fiel ao seu estilo, não evitou nenhuma questão e ofereceu uma visão sincera sobre a situação atual do campeonato.
«A primeira parte da temporada foi um pouco mais complicada do que estamos habituados, mas faz parte do jogo. Creio que alguém chegou à primeira corrida um pouco mais preparado, tanto do ponto de vista da moto como da forma física dos seus pilotos», explicou Dall’Igna.
O responsável da Ducati garantiu que a marca tem vindo a recuperar terreno. «Ainda não estamos a 100%, precisamos de fazer algum trabalho e alguns ajustes. Mas estamos perto e, em alguns casos, vencemos de forma clara. Estamos a meio da temporada, o campeonato é longo e queremos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para o conquistar.»
Questionado sobre o sistema de concessões e a aproximação dos rivais, Dall’Igna foi direto. «Depende de olharmos para o motociclismo como desporto ou como espetáculo. Se o encararmos como desporto, todas as concessões são negativas. No desporto, o melhor deve ganhar sempre.»
No entanto, o engenheiro italiano também compreende o outro lado da questão. «Os investimentos que temos de fazer são muito elevados, por isso precisamos de receitas significativas, e essas só chegam se o espetáculo tiver determinado nível. Nesse sentido, as concessões são importantes. Mas devem procurar garantir que vence o melhor, porque, no final, gosto de pensar no motociclismo mais como um desporto do que como um espetáculo.»
Sobre a nova era técnica que se aproxima em 2027, com motores de 850 cc e pneus Pirelli, Dall’Igna mostrou-se entusiasmado. «Sou engenheiro antes de tudo. Um engenheiro tem no seu espírito a vontade de experimentar coisas novas. Não vejo como um problema abandonar uma fórmula que nos deu tantas satisfações. A parte mais importante que transferimos de um projeto para outro é o conhecimento adquirido. Isso permitir-nos-á partir não de uma posição de vantagem, mas pelo menos de uma posição que nos permita ser um protagonista importante.»
Dall’Igna garantiu que a pressão dos rivais não o preocupa, servindo antes como motivação adicional. «Não me assusta nem me preocupa. Mas certamente dá-me mais motivação para trabalhar e para incentivar a minha equipa a trabalhar ainda mais. Nesta aproximação dos rivais à Ducati, as concessões tiveram um papel importante. Mas, se os outros deram passos maiores do que os nossos, isso é normal depois de tantos anos de domínio.»
O diretor da Ducati concluiu com uma reflexão sobre o equilíbrio que deve existir entre competição e entretenimento. «É preciso ser muito equilibrado, usar bastante a cabeça e, quando necessário, saber recuar se algo não estiver a seguir a direção correta.»
















