O regresso de Cal Crutchlow ao MotoGP durou apenas onze voltas. As suficientes. O britânico, chamado à última hora para substituir o lesionado Johann Zarco na LCR Honda, abandonou durante a corrida principal do GP de Itália devido a um problema físico. Não foi uma queda. Foi o próprio corpo do piloto de 40 anos que disse “basta”.
«Infelizmente, esta manhã, durante o warm-up, fiz algo ao ombro. Fizeram-me alguns exames no centro médico e detetaram alguns danos. Aconselharam-me a fazer o que conseguisse na corrida, e foi isso que fiz. A equipa estava informada», explicou Crutchlow.
O inglês, que não disputava um Grande Prémio de MotoGP desde 2023, revelou ter sofrido uma rotura muscular perto da omoplata esquerda. Apesar das recomendações médicas, quis tentar correr.
«O meu plano era entrar nas boxes ao fim de três voltas, depois passou para cinco, depois para oito e finalmente para onze.»
Conhecido pelo seu sentido de humor, Crutchlow brincou com o seu breve regresso.
«No sábado fiz metade da corrida longa (a Sprint) e, no domingo, fiz a outra metade. Por isso, completei um Grande Prémio. Só que em duas partes, como um jogo de futebol.»
O britânico garantiu que as dores foram aumentando à medida que a corrida avançava.
«Sentia-me bem na grelha de partida, mas depois a dor foi piorando. Tenho uma tolerância à dor muito elevada, sempre tive. Mas não queria agravar a lesão. Não estou aqui para isso.»
Apesar do abandono, Crutchlow mostrou-se satisfeito com a sua prestação.
«O meu ritmo foi muito melhor do que na Sprint. Já estava um segundo por volta mais rápido. A equipa está satisfeita, a Honda está satisfeita. Eu também estou contente com a forma como correu o fim de semana.»
«Eles esperavam — e eu também — que fosse mais lento do que realmente fui. Não é fácil estar tanto tempo afastado e depois voltar a subir para a moto.»
Agora, o britânico será submetido a novos exames para avaliar a verdadeira extensão da lesão. A sua presença no Grande Prémio da Hungria deste fim de semana já foi confirmada apesar do problema fisico causado em Itália.
Entretanto, a LCR continua à procura de uma solução estável para substituir Zarco. Já Crutchlow deixa Mugello com a sensação de missão cumprida — e com um Grande Prémio completado, ainda que dividido em duas partes, como um jogo de futebol.
















