Já recuperou o fôlego? Depois de um longo inverno de espera, a ronda de abertura da temporada na Tailândia certamente não desiludiu, com dois confrontos espetaculares a inaugurarem a temporada de 2026 da MotoGP. Agora, o campeonato segue para o Goiânia, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, marcando o regresso do MotoGP ao Brasil após mais de duas décadas — e com uma novidade: um líder do campeonato pela primeira vez, Pedro Acosta da Red Bull KTM Factory Racing.
Temos um herói da casa, uma nova hierarquia e tantas incógnitas ao longo da grelha que é difícil prever o que pode acontecer. Mas se Chang International Circuit já foi suficientemente imprevisível, o Brasil pode ser ainda mais, com os 22 pilotos a enfrentarem um circuito totalmente novo para todos.
Com novos desafios, novos fãs e um piloto da casa para apoiar, o MotoGP começa um novo capítulo no Brasil, onde mais um fim de semana de drama a alta velocidade nos espera.
Para alguns foi polémico, mas que estreia incrível foi a vitória de Acosta na corrida Sprint na Tailândia. Um duelo intenso, sem concessões, entre o #37 e Marc Marquez da Ducati Lenovo Team foi uma forma espetacular de começar a temporada.
Depois de confirmar o bom momento com um pódio no domingo, Acosta chega ao Brasil como líder do campeonato. Não foi ainda a vitória num Grande Prémio que o espanhol tanto procura, mas ficou claro que a KTM deu passos importantes em relação ao início da época passada. A pergunta agora é: será que a primeira vitória numa corrida principal chega em Goiânia?
Do outro lado da box da KTM, Brad Binder também teve um fim de semana positivo na Tailândia. Apesar de Acosta ter concentrado grande parte das atenções, os dois resultados dentro do top-7 colocam Binder em sexto no campeonato.
Isso aumenta também a motivação na Red Bull KTM Tech3, onde Enea Bastianini e Maverick Viñales procuram melhores resultados. Viñales mostrou velocidade promissora nos testes em Sepang International Circuit, mas teve um fim de semana discreto em Buriram, enquanto Bastianini terminou em 12.º e garantiu alguns pontos.
Durante a pré-temporada já se falava que a Aprilia poderia aproximar-se da Ducati, mas provar isso num Grande Prémio é outra história. E foi exatamente isso que aconteceu.
Marco Bezzecchi foi o grande destaque. Apesar de uma queda na Sprint, o italiano conquistou a pole position com recorde de volta e venceu o Grande Prémio de domingo com autoridade.
O sucesso foi ainda mais evidente com:
- Raul Fernandez a conseguir dois pódios pela Trackhouse MotoGP Team
- Jorge Martin a mostrar novamente o nível do campeão de 2024 pela Aprilia Racing
- Ai Ogura a terminar no top-5
Com isso, quatro pilotos Aprilia chegaram ao Brasil entre os cinco primeiros do campeonato.
Para a Ducati, o início da temporada não correu como esperado. A marca perdeu a impressionante sequência de 88 pódios consecutivos, mas continua longe de estar fora da luta.
Fabio Di Giannantonio da Pertamina Enduro VR46 Racing Team chega ao Brasil como melhor Ducati no campeonato.
Já o campeão Marc Márquez viu um pódio escapar devido a um problema raro na roda traseira e começa o fim de semana 23 pontos atrás de Acosta. No entanto, ninguém descarta o espanhol — especialmente em circuitos novos, onde o seu histórico é impressionante.
Do outro lado da garagem da Ducati, Francesco Bagnaia teve dificuldades com a sensação na frente da moto e não conseguiu repetir o bom ritmo mostrado nos testes.
Também Alex Marquez, da BK8 Gresini Racing MotoGP, teve um fim de semana complicado, saindo da Tailândia sem pontos.
Já Fermin Aldeguer está confirmado de regresso e espera aproveitar as aprendizagens da equipa para voltar competitivo.
Logo atrás de Di Giannantonio e Márquez no campeonato está Franco Morbidelli, que tem raízes brasileiras e terá um fim de semana especial.
Mas quem promete receber a maior ovação será Diogo Moreira, piloto da LCR Honda. O rookie chegou ao MotoGP e pontuou logo na estreia, algo que impressionou discretamente o paddock.
Agora, com o apoio do público e num circuito que ninguém conhece bem com motos de MotoGP, mais pontos são perfeitamente possíveis para o brasileiro.
Para a Honda, a Tailândia teve sinais positivos apesar de algum azar. Joan Mir mostrou bom ritmo antes de um problema na corrida, enquanto Luca Marini e Johann Zarco marcaram pontos.
Já a Yamaha continua a adaptar-se à nova Yamaha YZR-M1 com motor V4. Fabio Quartararo e Alex Rins pontuaram na Tailândia, enquanto o rookie Toprak Razgatlioglu mostrou bons sinais ao lado de Jack Miller na Prima Pramac Yamaha MotoGP.
Depois de uma abertura espetacular na Tailândia, o campeonato segue agora para mais três dias de ação no Brasil. O guião? Ninguém sabe ao certo — e é exatamente assim que gostamos no MotoGP.
















