Acidentes assustadores nos últimos GPs são culpa de manobras arriscadas quando todos estão tão próximos
É difícil saber o que dizer para lá do que já foi dito, até o que pensar, dos acontecimentos na corrida de MotoGP deste fim de semana em Barcelona. Foram precisas três partidas para completar uma corrida que muitos acham que devia ter sido abandonada logo na segunda paragem. De incidentes vários resultaram 3 pilotos feridos, 2 com alguma gravidade, 5 quedas, duas motos de 2 milhões cada destruídas e várias outras danificadas, e 6 pilotos no final investigados por possíveis contravenções às regras das pressões de pneus.
É evidente que, numa corrida de 24 voltas, muito depende de imponderáveis: todos os 21 pilotos passarem nas primeiras curvas com alguma frição, mas sem choques suficientemente violentos para mandar ninguém ao chão… Ninguém abalroar ninguém, ou arrastar consigo outro piloto ao cair… Ninguém atropelar um piloto caído à sua frente, a razão de TODAS as fatalidades nos últimos anos em MotoGP.

Há uns anos, o fosso entre as motos de fábrica e as privadas era enorme. Agostini ganhava corridas com vários minutos de avanço, por vezes dobrando todo o plamtel menos, talvez, o segundo classificado. As hipóteses de 3 pilotos estarem na mesma curva, quanto mais chocarem, eram remotas… Hoje, já não é assim… não raro, os primeiros 12 da grelha ficam separados por décimas de segundo, e perdem-se corridas por milésimas que seriam impossíveis de contabilizar na era dos cronómetros analógicos… e em nome do espetáculo acabam separados por escassas décimas de segundo e alguns com cores doutro fato impressas no seu.

Como proceder então se formos a direção de prova? Fazer figas e esperar pelo melhor? No Grande Prémio da Catalunha deste fim de semana, primeiro Bastianini, depois Martin e finalmente Acosta caíram sozinhos, este último por burrice que lhe custou o que seria a sua primeira vitória em MotoGP, e logo em casa…
Entre os que não caíram sozinhos, mas após colisões, a coisa não andou tão bem, e dizer que ambos foram vítimas de erros próprios, ao contrário do que muitas vezes acontece, não tira o gosto amargo da boca, nem a sensação de que algo está mal com o Mundial. Basta lembrar as vezes em que Miguel Oliveira foi abalroado neste campeonato sem culpas por Espargaró, Zarco e até Márquez, só aquelas ocasiões que saltam imediatamente à memória.

OK, presumivelmente, sendo o último ano das 1000, as coisas vão acalmar em 2027, pelo menos por algumas épocas, mas e as 16 corridas que faltam em 2026? Vamos continuar a arriscar vidas humanas o resto da época em nome do espetáculo e de não abanar o barco?
Os comissários da MotoGP têm dois cursos de ação numa prova: Aplicar castigos posteriormente, quando algo correu mal, o que parece ser a forma mais frequentemente escolhida de regular as coisas (embora tenhamos de nos interrogar até que ponto uma multa de 1.000 euros preocupa um atleta que ganha 2 ou 3 milhões por ano!) ou, muito mais proativo, antecipar comportamentos perigosos num briefing anterior a cada corrida.
É sabido que muitos pilotos nem se incomodam a ir às reuniões por achar que ‘no pasa nada’. Mas, porque prevenir é melhor que remediar, alguém tem de tomar uma atitude, o mais cedo possível. Antes que, em vez de lamentar a perda de motos de 2 milhões de euros, estejamos a lamentar a perda de vidas jovens. Que não têm preço.
















