No fim de semana do primeiro match point para conquistar o título, a sexta-feira no Qatar deixou Marc Márquez com motivos para sorrir. Primeiro de manhã e segundo à tarde, atrás da Ducati de Fabio Di Giannantonio, o espanhol mantém os olhos postos nos seus adversários. Desde logo nas Aprilia, com um Marco Bezzecchi muito competitivo e um Jorge Martín em recuperação progressiva.
Se Martín terá sobretudo de lutar contra a sua própria condição física, o adversário com quem Márquez terá de ter mais cuidado será também, e principalmente, Bezzecchi. O italiano já não pode cometer erros e tem todos os argumentos para atacar num fim de semana em que será tudo ou nada. Nas últimas semanas, porém, a rivalidade entre Márquez e a Aprilia também se fez sentir ao nível das declarações, levando o espanhol a esclarecer: «A minha guerra é com os pilotos, não com as marcas».
«Começámos em excelente forma», começou por explicar Marc. «Durante a tarde trabalhámos de maneira diferente para experimentar algumas coisas, mas demos um passo atrás, porque as sensações de manhã eram melhores. Assim, na parte final da sessão, consegui encontrar o ritmo certo. Estou contente com a forma como começámos, mas será um fim de semana difícil, porque, como vimos, há vários pilotos rápidos, especialmente Bezzecchi com o pneu médio traseiro, mas Di Giannantonio também esteve muito veloz.»
Também houve um problema com a corrente.
«O lado positivo é que aconteceu durante os treinos livres. Felizmente, foi na última curva e consegui chegar à via das boxes sem perder tempo. Sinceramente, não sei quantos quilómetros tinha, nem sequer pergunto. Confio na equipa e sei que vão resolver a situação para o resto do fim de semana.»
Já encontraste o ritmo ideal para a corrida ou foi mais difícil do que esperavas?
«Não, o ritmo estava lá. Mesmo quando estás num circuito onde tens dificuldades, se tiveres ritmo consegues pilotar depressa. Talvez não da forma mais correta, mas consegues ser rápido. A Malásia foi um fim de semana importante e também aqui começámos bem.»
Já estás atento aos teus principais adversários?
«Parece-me que Di Giannantonio e Bezzecchi são os pilotos mais rápidos em pista. Ainda não analisei o ritmo de corrida, mas, pelos treinos livres, parece-me que Martín e Pecco também estão a pilotar bem. Não podemos esquecer-nos de Ogura e Fernández, que também estarão na luta.»
Era importante terminar à frente de Bezzecchi?
«Seria mais importante ter um ritmo superior ao dele», brincou. «Porque, neste momento, é ele quem tem mais ritmo. Bezzecchi está numa posição em que, seja amanhã ou no domingo, será tudo ou nada. Tem de atacar, é isso que é preciso fazer para ganhar corridas e é isso que vai fazer. É uma posição desconfortável, porque já não pode cometer erros, mas, ao mesmo tempo, é confortável porque não tem nada a perder. Por isso, vai apostar tudo, mas quando tens a vantagem que ele tem, podem surgir dúvidas e não podes cometer erros.»
Em que condições viste Martín? Vai tentar terminar o fim de semana.
«Martín está a encontrar a força que só a luta por um título mundial te pode dar. Vi-o a pilotar de uma forma quase natural, a atacar com o seu estilo habitual. Espero que seja competitivo durante todo o fim de semana.»
Disseste que o título só pode ser perdido pelos pilotos da Aprilia. Tem havido uma troca constante de declarações entre a Aprilia e Márquez. Vês Martín como um adversário?
«Sim, a minha guerra é com os pilotos, não com as marcas. Simplesmente tento dar 100% e vencer com as minhas cores em pista. Como piloto, essa é a única guerra que me interessa. Entre as marcas existe respeito. Há engenheiros na Aprilia que trabalharam na Ducati e vice-versa.»
Quais são as expectativas para este fim de semana?
«A qualificação será crucial. Temos de tentar garantir um lugar na primeira linha, o que não será fácil. Não vejo tudo de forma negativa, mas há muitos pilotos rápidos. Para além de Di Giannantonio e Bezzecchi, temos o grupo de Martín, Bagnaia, Ogura e Fernández. Será uma qualificação muito disputada.»














