Marc Márquez enfrenta uma nova etapa no MotoGP. Depois de superar lesões que marcaram a sua carreira e de voltar a lutar pelo título, tem agora uma perspetiva diferente sobre o seu futuro e sobre aquilo que ainda pretende alcançar antes de pendurar o capacete. Numa entrevista ao canal de YouTube da Autosport, o piloto de Cervera reflete sobre o seu futuro, a renovação geracional na Ducati e a pressão de continuar a competir ao mais alto nível. As suas palavras deixam no ar uma incógnita sobre quanto tempo continuará na grelha.
As férias após conquistar o título em 2025 que nunca chegaram: «Pensei que, se ganhasse, tiraria umas férias longas, ou pelo menos mais longas do que o habitual. Mas, depois da lesão na Indonésia, os planos de férias que tinha com a Gemma foram cancelados, para tentar chegar nas melhores condições possíveis ao início da temporada.»
Onde se vê daqui a três anos: «Diria que é difícil responder. Desta vez, é um pouco mais complicado, bastante mais complicado. Não sei. Se quiseres que te dê uma percentagem, talvez diga que existe uma probabilidade de 70% de me retirar e de 30% de continuar. Mas nunca se sabe, porque, no fundo, estamos numa fase em que preciso de avaliar as coisas a cada momento», afirmou o espanhol.
O momento da sua vida que gostaria de voltar a viver: «Não sei exatamente em que dia foi, mas diria que foi um dia de 2020, depois da lesão. Não antes, mas sim o dia em que voltei a subir para a moto.» E acrescentou: «Aprendemos com os momentos difíceis, não com as vitórias. Quando ganhas, significa que estás a fazer as coisas corretamente. Mas, naquele dia, aprendi muitas coisas. Foi o dia em que tomei a decisão. Não havia muitas pessoas à minha volta, mas, no fim, sou eu que tenho de decidir. Depois da lesão, queria voltar o mais rapidamente possível e continuar a treinar. Essa decisão mudou-me.»
A retirada nunca esteve nos seus planos após a lesão: «Não tive tempo para chegar a esse ponto. Uma semana depois de ganhar o campeonato, voltei a lesionar-me. Com uma lesão, nunca me retiraria se existisse a possibilidade de recuperar, voltar a competir e tentar novamente. Essa é a minha filosofia. Nesses momentos, tens de tentar. É verdade que existem lesões perante as quais não tens escolha e que te obrigam a tomar decisões diferentes. Espero que isso nunca me aconteça, mas, naquela altura, não considerei retirar-me.»
O que o motiva a lutar pelo título esta temporada: «Sinto-me tranquilo e relaxado. Acho que essa também é a razão pela qual, quando não me sinto bem, consigo aceitar a situação. Estamos sempre a correr riscos, mas sou capaz de terminar em sétimo. Em toda a minha carreira, nunca tinha terminado tão longe dos primeiros lugares. Antes, nem sequer admitia essa possibilidade mentalmente.»
Os números já não definem a sua carreira: «Depois de conquistar o campeonato no ano passado, percebi que nem todos os dias são de sol. Há dias em que as coisas não correm bem, e aceito isso. Não há problema. O campeonato do ano passado mudou a minha forma de encarar a retirada no futuro. Conquistar mais um título ou menos um não vai mudar a forma como me vou retirar. Sentir-me-ei livre e em paz comigo mesmo.»
Pedro Acosta, novo reforço da Ducati para 2027: «Estou muito contente pela equipa, porque acho que escolheram o piloto certo para o futuro da Ducati. Eu não sou o futuro da Ducati. O futuro da Ducati passa por um piloto de 20, 21 ou 22 anos. Têm o Acosta e o Fermín, que estarão na equipa oficial, além dos pilotos mais jovens que vêm a seguir. Acho que o Acosta será muito rápido com a Ducati ou, melhor dizendo, tem de o ser. Se chega a uma equipa que está a ganhar corridas, tem de ganhar corridas», afirmou.
A inevitável mudança de geração: «Há mudanças que não vale a pena tentar travar. Simplesmente, temos de as aceitar e tentar aprender com elas, embora, por vezes, isso seja difícil. Em algumas ocasiões, as coisas mudam e temos de aceitar essa realidade. É como quando falamos do Messi e do Lamine Yamal. Se compararmos aquilo que conquistaram, escolhemos o Leo Messi. Mas, se os colocarmos frente a frente neste momento, o Lamine é mais rápido e tem mais energia.»
A próxima temporada poderá ser uma das mais interessantes dos últimos anos? O piloto espanhol confia no trabalho da Ducati, mas não baixa a guarda: «É possível, mas nunca se sabe. Talvez a temporada comece e alguém tenha uma moto espetacular. Pode ser que a Aprilia tenha um foguete e os seus pilotos estejam na frente. Estamos a trabalhar com a Ducati para termos a melhor moto e a melhor equipa. E acho que, do lado dos pilotos, a Ducati também conta com uma das melhores formações.»
A luta pelo campeonato com Martín continua muito renhida: «O Jorge é um piloto extremamente rápido. Para mim, um dos seus pontos fortes é não pensar demasiado quando está em cima da moto. Age por instinto e é muito rápido. Com o passar dos anos, vai pensando cada vez mais», afirmou. «Uma das suas maiores qualidades é precisamente o instinto. Ataca de forma natural e tem muita velocidade.»
Enquanto continua a lutar pelos primeiros lugares da categoria rainha, o #93 começa a encarar o seu futuro com uma tranquilidade que não tinha anteriormente. A possibilidade de se retirar nos próximos anos já não parece uma decisão distante, embora ainda tenha desafios pela frente.
Por sua vez, a Ducati prepara a renovação da sua formação, com Acosta como uma das grandes apostas para o futuro. Márquez, por seu lado, tem a certeza de que a sua carreira não será avaliada apenas pelos títulos que conquistar antes de pendurar o fato de competição.















