MotoGP, 2020: A colisão entre Oliveira e Espargaró

Por a 27 Dezembro 2020 13:00

Um episódio inesquecível da temporada de 2020 continua a ser a implacável troca de golpes verbais entre os pilotos da KTM Pol Espargaró e Miguel Oliveira após a colisão em Spielberg, mas houve mais incidentes intra-KTM

Quando vejo um buraco tão grande, como piloto, o meu instinto é ultrapassar!” Miguel Oliveira

Pilotos das duas equipas de MotoGP da KTM Red Bull envolveram-se em colisões três vezes nos primeiros quatro Grandes Prémios da época passada, que custaram preciosos pontos e a liderança da equipa e decerto a Pit Beirer e Mike Leitner da KTM alguns cabelos grisalhos prematuros.

Pelo menos duas vezes, dois pilotos da KTM eliminaram-se mutuamente:

Logo no segundo GP de Jerez, Brad Binder colidiu na primeira curva com a traseira do seu colega de marca Miguel Oliveira, que saíra de um excelente 5º lugar da grelha, e empurrou-o para fora da corrida. Ainda por cima, Binder viria a cair depois, não acabando também ele.

Em Brno, Pol Espargaró impacientou-se com o seu ex-companheiro de equipa Johann Zarco e aterrou nos fundilhos do fato de cabedal em vez de subir ao pódio.

Depois, no primeiro GP da Red Bull em Spielberg, Pol Espargaró e Miguel Oliveira atiraram um ao outro para a gravilha sob os olhos horrorizados de toda a boxe da KTM na Estíria.

Isto deixou o espanhol sem pontuar no seu quarto GP em Spielberg na KTM!

O eventual nono no Campeonato do Mundo Miguel Oliveira, teve assim de sofrer duas quedas desnecessárias nos quatro primeiros Grande Prémios em 2020.

Para dar uma ideia da importância dos pontos assim perdidos, se assumirmos um modesto sexto de cada, ou 20 pontos, basta recordar que isso o teria colocado em terceiro à frente de Alex Rins na classificação final do Mundial!

Pol Espargaró, como vimos, terminou em quinto lugar no Mundial, em igualdade com Dovizioso, e perdeu apenas quatro pontos para o Terceiro Classificado do Mundial Rins igualmente.

Neste primeiro GP de Spielberg 2020, a questão da culpa não é transparente, pelo menos do ponto de vista de Pol Espargaró.

O espanhol e Oliveira lutavam por um lugar no pódio e colidiram na curva 4, a antiga curva Bosch, quando Oliveira se colocou por dentro de Espargaró e este, sem o ver, fechou a trajetória, acabando ambos por cair.

Estava longe de ser o fim do assunto. Oliveira declarou depois:

A queda é fácil de explicar. O Pol saiu muito, muito largo, e eu estava muito perto dele na Curva 4. Quando vejo um buraco tão grande, como piloto, o meu instinto é fazer uma manobra de ultrapassagem”, disse Oliveira.

“Claro, quando Pol voltou para o interior da curva, não me viu. Já analisámos os dados. Tocámo-nos um ao outro, depois a roda dianteira escapou-me. Tinha reparado que o Pol estava em apuros e foi por isso que estava pronto para o ultrapassar, que teria acontecido nessa curva 4. Estava convencido de que teria mantido o meu ritmo até ao fim. Estava em boa posição para terminar a corrida entre os cinco primeiros. Mesmo um lugar no pódio teria sido possível.”

Houve também um comentário no calor da batalha, que o piloto de ponta da KTM, Pol Espargaró, descreveu como desrespeitoso.

“Pol fica muito emotivo nestas situações e não pensa”, comentou Oliveira. “Infelizmente, nem todos os seres humanos nascem com a mesma inteligência. E às vezes é difícil usá-la durante a corrida quando se está numa moto.”

“Lutamos uns contra os outros, mas também temos de virar a cabeça e ver o que está atrás. Mas isso não é para todos”, comentou Oliveira numa entrevista televisiva ao Canal+.

Depois desta trovoada, o diretor de competição da KTM, Pit Beirer, e o manager de equipa Mike Leitner tiveram de pedir aos quatro pilotos de MotoGP (Binder e Lecuona também foram convidados a estar presentes) para falarem como homens e fazer as pazes antes do segundo GP de Spielberg.

Em Jerez, os piloto da KTM Brad Binder e Oliveira já tinham colidido na primeira volta e isso também, precisava de ser clarificado.

“Limpámos a folha”, admitiu Beirer.

Pol Espargaró ripostou às declarações de Oliveira alcunhando-o com o apelido do génio da matemática Albert Einstein.

A coisa virou-se contra ele quando, uma semana depois, Oliveira pôs a língua de fora depois da vitória no GP da Estíria, imitando a famosa pose de Einstein!

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