Quando as luzes se apagarem e a corrida começar no domingo, poderemos estar perante uma das maiores recuperações de sempre numa única temporada de MotoGP. Terão passado 161 dias desde que Marc Márquez (Ducati Lenovo Team) estava a 102 pontos da liderança do campeonato até ao momento em que o #93 poderá enfrentar a consagração sob as luzes de Lusail, no Qatar, para revalidar o título e conquistar um histórico oitavo campeonato na categoria rainha.
Uma temporada extraordinária entra agora nas suas últimas três rondas, mas, se os resultados lhe forem favoráveis no sábado, o atual campeão do mundo poderá voltar a garantir esse estatuto antes mesmo de chegar a 2027.
Márquez terá a primeira oportunidade de conquistar o seu oitavo título mundial. Sob os holofotes de Lusail, a história está à sua espera. Mas todos querem também conquistar a sua parte da glória…
As contas são simples: ao longo do fim de semana, Márquez terá de somar mais 30 pontos do que o seu principal rival na luta pelo título, Jorge Martín (Aprilia Racing), e mais oito do que o colega de equipa do espanhol, Marco Bezzecchi.
Isto significa que os resultados terão mesmo de jogar a favor de Márquez. Se não conseguir terminar pelo menos em quinto lugar na Sprint de sábado, a possibilidade de conquistar o título no domingo fica automaticamente descartada.
Com a participação de Martín dependente de uma avaliação médica na quinta-feira, depois de ter falhado as sessões que atribuíam pontos no Grande Prémio da Malásia, poderá ser Bezzecchi a tentar adiar as celebrações do #93.
Márquez já venceu duas vezes em Lusail, em 2014 e 2025, e, em termos de oportunidades para garantir o título, cinco dos seus sete campeonatos foram conquistados logo na primeira ocasião possível. Será que consegue elevar esse registo para seis em oito quando a bandeira de xadrez for agitada no domingo?
Quanto a Bezzecchi e Martín, ambos terão de estar ao seu melhor nível para travar o #93. Trinta pontos podem parecer uma diferença considerável, mas, tendo em conta os problemas físicos do campeão do mundo de 2024 e o facto de Bezzecchi precisar de terminar a Sprint entre os cinco primeiros para garantir que continua matematicamente na luta, a tarefa não será nada fácil.
Será que os restantes pilotos da Aprilia poderão ter uma palavra a dizer? Ai Ogura (SuperFile Trackhouse MotoGP Team) esteve muito rápido na última ronda, conquistando o quarto lugar, e depois de ter protagonizado uma intensa batalha com Bezzecchi, poderá voltar a ser uma ameaça. Já o seu colega de equipa, Raúl Fernández, continua dependente de uma avaliação médica devido às fraturas nos dedos.
Pedro Acosta (Red Bull KTM Factory Racing) ocupa o quarto lugar do campeonato e, apesar de ainda estar matematicamente na luta, precisa de somar mais 31 pontos do que Márquez.
Entre o quarto e o sexto lugar da classificação, há apenas 30 pontos a separar Acosta, Ogura e Fabio Di Giannantonio (Pertamina Enduro VR46 Racing Team), vencedor do Grande Prémio do Qatar em 2023. Francesco Bagnaia (Ducati Lenovo Team), vencedor em 2024, espera repetir o sucesso que alcançou no pódio em 2025.
Enea Bastianini (Red Bull KTM Tech3) completa o top 10 do campeonato e, depois de ter terminado entre os cinco primeiros na Malásia, regressa ao circuito onde conquistou a sua primeira vitória no MotoGP, em 2022.
O italiano conseguiu ultrapassar Fermín Aldeguer (BK8 Gresini Racing MotoGP) na classificação, mas o #54 também viaja para Lusail e, caso receba luz verde na avaliação médica de quinta-feira, regressará à competição.
A prestação da KTM em pista foi bastante positiva em Lusail em 2025, com Maverick Viñales a conquistar o segundo lugar, antes de ser penalizado devido à pressão dos pneus. Ainda assim, foi um fim de semana encorajador, algo que tanto o espanhol como Brad Binder (Red Bull KTM Factory Racing) vão querer repetir em 2026. O sul-africano, recorde-se, já conquistou dois pódios no Qatar.
Luca Marini (Honda HRC Castrol) terminou em sétimo na última ronda, o seu melhor resultado desde a Hungria, e procura repetir uma prestação semelhante este fim de semana. Já o seu colega de equipa, Joan Mir, já foi candidato ao pódio no Grande Prémio do Qatar em temporadas anteriores, mas continua a enfrentar algumas dificuldades físicas, pelo que a sua competitividade permanece uma incógnita.
O outro piloto da Honda, Diogo Moreira (Pro Honda LCR), poderá garantir o título de Rookie do Ano caso some 15 pontos. O seu colega de equipa, Johann Zarco (Castrol Honda LCR), alcançou um excelente quarto lugar em Lusail em 2025. Conseguirá repetir o feito em 2026?
Depois de ter conquistado dois pódios e liderado corridas durante longos períodos na temporada passada, Franco Morbidelli (Pertamina Enduro VR46 Racing Team) também não deve ser descartado como candidato a um bom resultado neste último Grande Prémio do Qatar.
Por fim, apesar do regresso de Aldeguer, Iker Lecuona continuará a desempenhar funções de substituto, desta vez de Alex Márquez, que foi submetido a uma cirurgia ao ombro após o Grande Prémio da Malásia, em Sepang, e espera regressar para a ronda de Portimão, com a BK8 Gresini Racing MotoGP.
A Yamaha decidiu retirar-se do Grande Prémio do Qatar, pelo que as equipas Monster Energy Yamaha MotoGP e Prima Pramac Yamaha MotoGP não estarão presentes.
Primeiro ponto de decisão, 20.ª ronda: o Grande Prémio do Qatar poderá proporcionar o momento mais importante da temporada até agora. Resta saber se Márquez fará novamente história ou se a Aprilia — ou Acosta — conseguirá adiar as celebrações.















