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WSBK 2026 em retrospetiva: o ano de Bulega, o adeus da Pirelli e o regresso de Oliveira

Paulo Araújo por Paulo Araújo
21 Outubro, 2026
em Autosport, Destaque Homepage, Mundial Superbikes, Newsletter destaque, Velocidade
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WSBK 2026 em retrospetiva: o ano de Bulega, o adeus da Pirelli e o regresso de Oliveira

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Com duas provas em Portugal, os fãs puderam ver Oliveira lutar com as Ducati

O Mundial de Superbike de 2026 foi a época de Nicolò Bulega, que ganhou 32 das 36 corridas, e a última da Pirelli como fornecedor único de pneus, depois de 23 temporadas. Com Toprak Razgatlıoğlu no MotoGP, a Ducati dominou por completo: a equipa Aruba.it Racing venceu todas as 36 corridas, repartidas entre Bulega (32 vitórias) e o companheiro Iker Lecuona (quatro), e ficou com todas as doze poles. Foram 40 vitórias seguidas da Ducati, desde a segunda corrida do Estoril de 2025 até à segunda corrida de Jerez.

O Campeonato ronda por ronda

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Phillip Island, 21 e 22 de fevereiro. Bulega ganhou as três corridas a partir da pole. Yari Montella (5) foi segundo na primeira, Axel Bassani, da Bimota, foi segundo na Superpole Race e na segunda corrida, e Álvaro Bautista fechou o pódio da segunda. Baldassarri (34) fez o melhor resultado do ano com 3 Miguel Oliveira caiu na Superpole, largou do último lugar da grelha na primeira corrida e acabou em oitavo.

Portimão, 28 e 29 de março. Bulega repetiu o pleno e chegou a nove vitórias seguidas, incluindo as do final de 2025. Oliveira foi a surpresa da ronda ao ser terceiro nas três corridas, perante mais de 82 mil espectadores. Na primeira corrida herdou o lugar quando Montella caiu da segunda posição, na quinta volta, e terminou a 4,815 segundos de Bulega.

Na Superpole Race repetiu o terceiro lugar e, na segunda corrida, resistiu a Alex Lowes, que fez dois terceiros, marcando a boa forma da Bimota. Petrucci foi 10.º, 12.º e 7.º.

Assen, 18 e 19 de abril. Bulega voltou a vencer tudo, com Lecuona sempre em segundo. Na primeira corrida teve de resistir ao companheiro, à medida que os pneus começaram a perder rendimento. Foi o primeiro duplo pódio de Sam Lowes com dois terceiros na Ducati da Marc VDS. Oliveira fez sétimo na primeira corrida.

Balaton Park, 2 e 3 de maio. A ronda dos recordes de sequência. Bulega somou a 14.ª, 15.ª e 16.ª vitórias consecutivas, cada uma novo máximo, e fez o melhor arranque de sempre numa época de SBK, com 12 vitórias seguidas, batendo as 11 de Bautista em 2019. Igualou os 25 pódios consecutivos de Colin Edwards e de Razgatlıoğlu, e chegou à ronda seguinte com uma vantagem de 82 pontos, a maior desde 2015. Oliveira foi terceiro na primeira corrida, mas foi abalroado na Superpole Race e fraturou o ombro.

Most, 16 e 17 de maio. Bulega fez outro pleno, Lecuona marcou a volta mais rápida da primeira corrida, e a BMW esteve diminuída: Oliveira falhou a ronda, Petrucci desistiu na primeira corrida depois de uma queda que lhe partiu o cóccix e Michael van der Mark foi chamado como substituto. Foi o momento alto da época de Garett Gerloff na Kawasaki, com 4º na primeira manga.

Aragón, 30 e 31 de maio. Bulega ganhou as três corridas. Na Superpole Race, uma aposta dos pilotos entre pneus macios e duros deu uma das melhores corridas do ano, com vários toques entre rivais, e foi Bulega, com o pneu mais duro, quem venceu. A BMW correu sem os dois titulares, com Van der Mark e o estónio Hannes Soomer como substituto.

Misano, 13 e 14 de junho. Bulega somou o sétimo pleno da época, com Lecuona e Montella no pódio. A segunda corrida foi a 25.ª vitória consecutiva de Bulega, um recorde absoluto. Oliveira regressou ainda combalido e fez oitavo e sexto, antes de desistir na segunda corrida.

Donington, 11 e 12 de julho. Lecuona venceu a primeira corrida e interrompeu a sequência de Bulega, que ganhou depois a Superpole Race e a segunda corrida. A Ducati garantiu os títulos de construtores e de equipas, e foi uma ronda sem nenhum top 10 para a BMW.

Magny-Cours, 5 e 6 de setembro. Bulega ganhou outra vez as três corridas, a segunda interrompida por bandeira vermelha, com Lecuona e Montella no pódio. Os dois pilotos da BMW partiram do 18.º e do 19.º lugares da grelha e ficaram fora dos dez primeiros nas três corridas.

Cremona, 26 e 27 de setembro. Lecuona fez a pole e o triplete, e Bulega foi segundo nas três corridas, o que lhe chegou para ser campeão com seis corridas por disputar, o primeiro piloto a conquistar os títulos de Supersport e de Superbike e apenas o segundo italiano campeão, depois de Max Biaggi. Lecuona terminou a época com recordes de segundos lugares, seguidos e no total. Dixon, regressado de lesão, marcou o melhor resultado da Honda em 6º. Oliveira caiu duas vezes, mas a equipa falou em sinais de melhoria na BMW.

Estoril, 10 e 11 de outubro. Bulega fez a pole com 1:33:884, a primeira da Ducati no circuito, e baixou o recorde da pista para a casa dos 1:33. Ganhou as três corridas, com voltas mais rápidas de 1:34:949 na primeira, 1:34:525 na Superpole Race e 1:34:696 na segunda. Chegou às 29 vitórias numa época, batendo as 27 de Bautista de 2023, e ultrapassou o recorde de pontos de Jonathan Rea, com 664. Lecuona foi sempre segundo e o estreante Alberto Surra foi sempre terceiro, mas foi Montella que garantiu o título de piloto independente.

Jerez, 17 e 18 de outubro. Bulega fez a 11.ª pole da época, igualando o recorde de Ben Spies, com 1:36:643. Ganhou as três corridas: a primeira foi a sua 50.ª vitória em apenas 106 partidas, mais depressa do que qualquer piloto, e a segunda corrida levou-o às 52 vitórias de Troy Bayliss. Com Bautista a despedir-se da Barni com um terceiro, a Ducati ocupou os sete primeiros lugares na primeira corrida, só a terceira vez na história. Terminou com 726 pontos, 163 acima de Lecuona.

Os recordes do ano de despedida da Pirelli
Além do que já se referiu, Bulega fez a primeira época com mais de 700 pontos, 36 pódios (o anterior recorde eram 34, de Rea em 2019) e 49 pódios seguidos. Os recordes de volta caíram em vários circuitos: além do Estoril, em Portimão, a melhor volta da Superpole Race ficou em 1:39:107, e em Cremona o recorde de corrida passou para 1:27:783. A Pirelli despediu-se com os compostos extramacio e supermacio, que foram usados na maior parte da época.

As duas rondas portuguesas
Portimão foi a festa de Oliveira, com os três terceiros lugares e a BMW a anunciar que ele já estava abaixo do melhor tempo de Razgatlıoğlu na Superpole, com 1:39:068. O Estoril foi menos sensacional no resultado, mas igualmente forte: Oliveira fez quinto na Superpole, com 1:34:549, e foi quarto nas duas primeiras corridas, a Superpole Race a pouco mais de um décimo do pódio, antes de recuperar de um erro na segunda corrida e chegar ao oitavo lugar. A curva sete do circuito passou a chamar-se “Curva Miguel Oliveira”, numa cerimónia diante de mais de 36 mil adeptos. Petrucci, por seu lado, terminou 18.º, 16.º e 16.º.

O que isto tudo implica para 2027
Oliveira acabou o ano em 11.º, com 142 pontos, e a BMW em terceiro dos construtores até ao Estoril, a 504 pontos da Ducati. A equipa de Munique renovou com Oliveira “para 2027 e depois”, contratou Brad Binder e despediu-se de Petrucci. O chefe de equipa Sven Blusch diz que só terá equipa satélite em 2028, e também não ajuda o facto de os pneus passarem a ser da Michelin e de os travões e o combustível também mudarem, o que obriga toda a gente a recomeçar. Bulega vai para o MotoGP, o que abre a maior vaga da Ducati em anos. O Calendário de 2027 já foi anunciado, tem 12 provas e continua com duas vindas a Portugal, Portimão em março e Estoril em outubro.

Tags: BIMOTADucatiHondaKawasakiMiguel OliveiraWSBKYamaha
Paulo Araújo

Paulo Araújo

Com uma experiência de várias décadas no âmbito do motociclismo, viajou pelo mundo cobrindo eventos nas duas rodas. Já foi piloto de velocidade, team manager, instrutor, jornalista e comentador de rádio e televisão, especializando nas modalidades de velocidade, em particular MotoGP, SBK e Endurance.

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