Romano Albesiano vive atualmente entre dois mundos. O engenheiro italiano, que chegou à Honda depois da sua passagem pela Aprilia, tornou-se o primeiro diretor técnico não japonês da HRC e revelou, numa entrevista ao Moto.it assinada por René Pierotti, que teve de adaptar a sua forma de trabalhar à distância que o separa da sede da marca em Asaka.
«Percebi rapidamente que era necessário estar presente no Japão com bastante frequência. Passo cerca de uma semana por mês lá e, dessa forma, consigo manter o contacto com o centro de desenvolvimento», explicou.
A sua contratação nasceu de uma chamada de Alberto Puig no final do verão de 2024, algo que o apanhou de surpresa.
«Sinceramente, não estava à espera. Estava muito bem onde estava anteriormente e depois surgiu esta proposta impressionante.»
Apesar da surpresa inicial, Albesiano admite que a oportunidade lhe trouxe grande satisfação e orgulho.
O engenheiro resume numa única ideia a principal mudança que introduziu na Honda.
«Na Honda era prática habitual apresentar uma moto completamente nova todos os anos. O que introduzimos foi aquilo que outras empresas já fazem: continuar a evoluir a base existente, aproveitar aquilo que já é bom, identificar os pontos fracos, substituir essas áreas e progredir dessa forma.»
Albesiano explicou ainda os riscos da filosofia anterior.
«Isso oferece oportunidades, mas também representa um grande risco, porque quando se atinge um bom nível de desempenho, a evolução passa por pequenos detalhes. Se se começa do zero, existe sempre uma fase de adaptação e familiarização.»
Questionado sobre se a Honda tentou realmente recuperar Marc Márquez este ano, Albesiano respondeu com um sorriso e remeteu a questão para Alberto Puig, embora sem afastar essa hipótese.
«Terão de perguntar isso ao Alberto Puig, mas é provável!»
Sobre a chegada de Fabio Quartararo à Honda, o italiano explicou que a sua participação nas negociações esteve relacionada com questões técnicas.
«Na conversa com o Fabio, houve um momento em que ele quis perceber, do ponto de vista técnico, que tipo de garantias lhe podíamos oferecer. Foi aí que acabei por estar envolvido na conversa.»
Albesiano mostrou-se particularmente entusiasmado com Diogo Moreira.
«É um piloto com muita clareza e serenidade, além de possuir um talento incrível. É surpreendentemente lúcido e tem a atitude certa, procurando constantemente superar-se a si próprio, em vez de apenas exigir melhorias na moto.»
Sobre David Alonso, admitiu ainda não o conhecer suficientemente bem.
«Ainda não o conheço muito bem.»
Relativamente à estagnação da Honda em 2026, Albesiano acredita que a marca evoluiu ao mesmo ritmo dos seus rivais, mas sem conseguir reduzir a diferença para a frente do pelotão.
Na sua opinião, os inúmeros acidentes, especialmente os de Joan Mir, tiveram um impacto significativo nos resultados da equipa.
«Este ano aproveitámos muito menos o potencial da moto devido a uma série de circunstâncias, principalmente demasiadas quedas. Hoje estaríamos numa situação diferente se tivéssemos gerido as corridas com mais cuidado.»
O italiano lamentou ainda a perda de um segundo lugar em Barcelona devido a um erro relacionado com a pressão dos pneus.
«Uma situação leva a outra e isso dificulta que o piloto consiga manter-se motivado.»
Sobre Johann Zarco, que regressou à competição após lesão, Albesiano explicou porque acredita que o francês continua competitivo aos 36 anos.
«Os pilotos que primeiro questionam o seu próprio desempenho, especialmente nas fases finais das suas carreiras, são aqueles que conseguem perdurar.»
O responsável da HRC revelou ainda que, na primeira conversa que teve com Zarco, o francês passou cerca de 40 minutos a explicar de que forma podia melhorar o seu próprio rendimento.
Por fim, Albesiano confirmou que a atual RC213V mudará de nome em 2027.
«Sim, vai mudar de nome. Sinceramente, neste momento não me recordo exatamente qual será, mas vai mudar.»
Segundo o Moto.it, embora ainda não exista confirmação oficial, a nova designação deverá ser RC214V.














