A nova fórmula técnica de 850 cc da MotoGP será “um pequeno passo atrás para dar dois em frente”, segundo o diretor da Tech3 KTM, Guenther Steiner.
O antigo chefe de equipa da Haas na Fórmula 1 está a meio da sua primeira temporada como CEO da Red Bull KTM Tech3, depois de ter assumido a liderança da estrutura de Hervé Poncharal no final da época passada.
A temporada de 2026 tem sido complicada para a Tech3, sobretudo devido à situação de Maverick Viñales, cuja lesão no ombro sofrida em julho de 2025 continua sem estar totalmente recuperada. As críticas públicas do espanhol à KTM também foram aumentando à medida que a época avançava para a pausa de verão.
Viñales foi substituído por Pol Espargaró no Grande Prémio da Grã-Bretanha, no passado fim de semana, e tudo indica que ficará sem lugar no pelotão para 2027, ano em que entrarão em vigor os novos regulamentos de 850 cc.
Uma das esperanças associadas ao novo regulamento é que as corridas se tornem mais espetaculares graças à redução da aerodinâmica e à eliminação dos dispositivos de controlo de altura da moto (ride-height devices). Isso deverá devolver mais controlo aos pilotos e reduzir a exigência sobre os pneus, especialmente o dianteiro, cuja gestão se tornou cada vez mais crítica desde que as pressões mínimas passaram a ser fiscalizadas de forma mais rigorosa em 2023.
O próprio Steiner não considera que as corridas atuais da MotoGP sejam más, mas acredita que as novas motos representarão um avanço relativamente às atuais máquinas de 1.000 cc.
“Acho que as corridas já são bastante emocionantes na maior parte das vezes”, afirmou Steiner na sexta-feira do Grande Prémio da Grã-Bretanha.
“Há ocasionalmente uma corrida em que se pode dizer que poderia ser um pouco melhor, mas penso que, no geral, é bastante emocionante.
O que acredito que as motos de 850 cc vão trazer é um pequeno passo atrás para depois dar dois passos em frente em termos de espetáculo.
Um pouco menos de potência, um pouco menos de aerodinâmica, e penso que isso vai acontecer.
Os pilotos dizem-me que as motos são agradáveis de conduzir, que têm controlo sobre elas, e isso é o mais importante.”
Neste momento ainda não é claro qual será o fabricante mais forte na nova era de 850 cc em 2027. Steiner considera que será necessário esperar pelo início da próxima temporada para perceber verdadeiramente a hierarquia do campeonato, apesar dos constantes rumores que apontam diferentes marcas como favoritas.
“Neste momento parece que vamos ter cinco campeões do mundo no próximo ano, porque todos dizem que os testes estão a correr de forma fantástica”, brincou Steiner.
“Mas isso é normal. Estou no desporto motorizado há tempo suficiente para saber como funciona. É a mesma coisa no início de cada época: ‘estamos muito bem, estamos fortíssimos’.
Estás muito bem até aparecer alguém melhor do que tu.
Penso que, de uma forma geral, os testes estão a correr bem para todos. Ouvimos comentários e há quem ache que sabe quem está na frente, mas já faço isto há demasiado tempo para acreditar nisso sem reservas.
Enquanto a moto acumular quilómetros, fizer testes, aprender sobre os pneus e recolher dados, fico satisfeito.
Depois, para saber quão competitivo será cada fabricante, a única forma é esperar pelo próximo ano.”
















