O diretor de competição da KTM, Pit Beirer, confirmou que os problemas de fiabilidade dos motores da marca austríaca no MotoGP têm origem numa falha de controlo de qualidade por parte de um fornecedor.
O problema tem provocado o desligamento repentino de alguns motores KTM durante as corridas. O caso mais mediático aconteceu no Grande Prémio da Catalunha, em maio, quando Pedro Acosta liderava a prova e viu a sua RC16 desligar-se subitamente, originando um grande acidente para Alex Márquez, que seguia logo atrás.
Durante o Grande Prémio da Alemanha, Beirer já tinha admitido à Sky Italia que:
“Há algo de errado dentro dos nossos motores.”
Agora, a causa foi finalmente identificada.
Com o desenvolvimento dos motores congelado desde o início da temporada passada e os problemas a surgirem apenas este ano, tudo apontava para uma questão de fabrico.
Segundo Beirer, essa suspeita confirmou-se.
“Acabámos por descobrir que estávamos a utilizar componentes sujeitos a elevados esforços no motor que não cumpriam os padrões de qualidade especificados. Esses componentes críticos do motor falhavam em determinadas condições. Tratam-se de peças fornecidas por um fornecedor externo e, após a investigação, conseguimos também excluir a possibilidade de que este tipo de dano ocorra com peças que cumpram corretamente as especificações.”
As regras de homologação do MotoGP impedem que a KTM abra livremente os motores selados para substituir os componentes afetados.
Por isso, a marca austríaca teve de apresentar um pedido especial à MSMA (Associação dos Construtores do MotoGP).
“Apresentámos um pedido especial à MSMA, acompanhado de documentação detalhada, solicitando autorização para abrir os motores afetados durante a pausa de verão e substituir os componentes críticos por peças corretas com especificações idênticas.”
Beirer revelou ainda que já recebeu respostas positivas de alguns fabricantes.
“Já recebemos feedback positivo durante o GP da Alemanha, embora ainda existam respostas pendentes. Esperamos uma boa cooperação e estamos a demonstrar total transparência em todo o processo.”
A KTM já agradeceu publicamente o apoio da Aprilia, mas continua a necessitar da aprovação de Ducati, Honda e Yamaha antes de avançar com a intervenção nos motores.
Contudo, a autorização não é automática.
Alguns construtores poderão defender que o problema de fiabilidade pode ser mitigado através da redução da potência dos motores, algo que, segundo vários rumores do paddock, a KTM já terá feito em algumas rondas recentes.
Por esse motivo, a marca austríaca terá de demonstrar que os componentes defeituosos continuam sujeitos a falhas mesmo com níveis de desempenho reduzidos. A KTM espera agora obter a aprovação dos restantes fabricantes para resolver definitivamente um problema que tem condicionado a sua temporada de MotoGP.
















