Segundo Iker Lecuona, o atual domínio da Ducati no Mundial de Superbikes é responsabilidade dos restantes construtores presentes no campeonato.
A Ducati venceu as 24 corridas disputadas em 2026 até ao momento e não perde uma prova desde que Toprak Razgatlioglu triunfou na Superpole Race do Estoril, em outubro do ano passado, ao serviço da BMW.
Trata-se de uma sequência de 28 vitórias consecutivas para a marca de Borgo Panigale no WorldSBK. Além disso, a equipa oficial da Ducati conseguiu dobradinhas em 20 das últimas 21 corridas e monopolizou todos os lugares do pódio em cada prova desde a Superpole Race de Balaton Park, no início de maio.
A Ducati também conquistou as últimas nove pole positions consecutivas. Em Donington Park, ocupou as seis primeiras posições na Corrida 1 e, no final do fim de semana, já tinha garantido matematicamente os títulos de fabricantes e equipas. Na luta pelo campeonato de pilotos, apenas Iker Lecuona, companheiro de equipa de Nicolò Bulega na Aruba.it Racing Ducati, ainda pode impedir o italiano de conquistar o título de 2026.
Lecuona, que trocou a Honda pela Ducati este ano após ter alcançado apenas dois pódios em quatro temporadas, não vê qualquer problema nesta situação, considerando que o desempenho da Panigale V4 R é fruto do excelente trabalho realizado pela marca italiana.
“Claro que neste momento podemos dizer que temos a melhor moto”, afirmou Lecuona após a segunda sessão de treinos livres em Donington Park.
“Quando surgiu a bandeira vermelha, os seis primeiros eram Ducati. Depois vinha o Alex Lowes e logo a seguir mais uma Ducati. O Álvaro Bautista também estava perto. Ou seja, todas as Ducati estavam lá. A Ducati funciona muito bem. A Ducati fez um trabalho incrível este ano e a moto funciona em qualquer circuito, em qualquer condição e para qualquer piloto. Isso também é muito difícil de conseguir, porque cada piloto tem um estilo de condução diferente, mas todos conseguem ser rápidos.”
Por outro lado, existem os fabricantes rivais que, como alertou Alex Lowes, podem começar a questionar a continuidade no campeonato caso não tenham qualquer hipótese de vencer corridas perante uma moto como a Ducati.
Lecuona, porém, não demonstra qualquer simpatia por essa posição e acredita que a falta de competitividade dos adversários é um problema criado por eles próprios.
“Eles podem queixar-se do que quiserem dizer”, afirmou.
“Sinceramente, não me importa e, honestamente, a culpa é deles. Se querem ganhar, têm de construir uma moto para ganhar.”
O espanhol destacou ainda a diferença de filosofia entre a Ducati e os fabricantes japoneses.
“Eu digo sempre a mesma coisa. Os fabricantes japoneses querem ganhar corridas com uma moto de estrada. A Ducati quer ganhar corridas, por isso construiu uma moto de competição para a estrada. É simples. Podem reclamar o que quiserem, mas as regras são as regras. A Ducati trabalhou dentro do regulamento e fez tudo corretamente.”
Lecuona acredita que penalizar a Ducati seria injusto, tendo em conta o investimento realizado pela marca italiana para alcançar este nível de desempenho.
“Talvez para o campeonato não seja o cenário mais interessante, mas a Ducati investiu muito dinheiro e muito trabalho para melhorar a moto. Se continuarem a limitar e a limitar o desempenho, chega um momento em que a Ducati diz: ‘Adeus, porque construímos esta moto dentro das regras’.”
O piloto espanhol acrescentou ainda que, na sua opinião, a Ducati nem sequer está a explorar todo o potencial disponível.
“A nossa moto nem sequer é suficientemente rápida, honestamente. Se tivéssemos todo o débito de combustível que nos falta — e nós sentimos isso — seríamos meio segundo mais rápidos por volta. Não se pode continuar a cortar mais.”
Apesar de compreender as preocupações dos rivais, Lecuona deixa uma mensagem clara:
“Percebo a situação, mas se querem ganhar, construam uma moto para ganhar. Eles têm experiência e potencial suficientes para o fazer.”
















