O mercado de pilotos do MotoGP nunca permite conforto. E para Jack Miller, a situação começa a ficar seriamente tensa. Por trás das conversações em curso com a Pramac Racing, torna-se cada vez mais evidente uma realidade: o australiano pode mesmo ser forçado a sair da categoria principal… com uma saída já encaminhada na Ducati, mas rumo ao Mundial de Superbike.
A informação, avançada por Jack Appleyard, não é de todo insignificante. Confirma que a Ducati nunca virou completamente a página de Miller. Antigo piloto oficial da marca entre 2021 e 2022 e peça importante nos títulos de construtores dessa fase, o australiano continua a ser um ativo relevante no ecossistema de Borgo Panigale. E, num contexto em que as ligações entre o MotoGP e o WSBK são cada vez mais frequentes, o seu perfil volta subitamente a ganhar relevância.
O problema, para Miller, não é estritamente desportivo. É estrutural. Como tantas vezes acontece, o mercado fecha-se antes de certas situações ficarem resolvidas. Os grandes nomes já estão colocados, os projetos são planeados com vários anos de antecedência, e as últimas vagas tornam-se campos de batalha onde a experiência, por si só, já nem sempre chega para fazer a diferença.
Na Pramac, o seu futuro depende agora de um fator específico: a ascensão prevista de Izan Guevara. O jovem espanhol, apoiado pela Yamaha, representa o futuro do projeto. Miller representa continuidade, experiência e capacidade de desenvolver a moto. Dois perfis opostos, mas raramente compatíveis na mesma estratégia de longo prazo.
Appleyard, aliás, deixa pouco espaço para dúvidas sobre o possível desfecho no Motorsport Republica: «Se Jack não conseguir manter a sua posição atual, irá certamente correr em Superbikes em 2027».
Já não se trata de uma hipótese, mas de um cenário estruturado. Ainda mais porque esta opção já existiu no passado. Antes de prolongar a sua ligação até 2025, Miller recebeu uma proposta muito atrativa do paddock do WorldSBK. Na altura, escolheu ficar no MotoGP. Hoje, o contexto é diferente.
A equação torna-se ainda mais complexa com os efeitos em cadeia do mercado. Toprak Razgatlıoglu pode permanecer mais um ano na Pramac ou, em alternativa, ser promovido para outro projeto. Nicolò Bulega é apontado como possível entrada no MotoGP, o que libertaria um lugar estratégico no WorldSBK. E dentro da Ducati, vários cenários continuam em aberto, especialmente na VR46 Racing Team, onde a hierarquia pode mudar rapidamente.
Neste jogo de cadeiras, Miller encontra-se numa posição conhecida: a do piloto que espera enquanto tudo se decide à sua volta. Uma situação que já viveu e que pode repetir-se.
Mas, ao contrário dos anos anteriores, a alternativa está agora claramente identificada. O WorldSBK já não é visto como um passo atrás, mas como uma opção credível, por vezes até estratégica. Vários pilotos já revitalizaram as suas carreiras lá, recuperaram protagonismo ou até construíram novos títulos.
Para a Ducati, recuperar Miller para esse campeonato faria sentido: um piloto experiente, imediatamente competitivo, capaz de se integrar rapidamente e lutar por posições de topo. Para Miller, no entanto, a escolha seria mais complexa: permanecer na elite do MotoGP, mesmo numa estrutura instável, ou aceitar uma mudança de rumo para encontrar um projeto sólido.















