O “divórcio” entre Francesco Bagnaia e a Ducati não se vai desenrolar apenas em pista. Está agora a estender-se aos bastidores, para um terreno muito mais sensível: o das figuras-chave. E nesta luta de poder silenciosa, um nome tornou-se o centro das tensões — Cristian Gabarrini.
Isto porque, se a saída de Bagnaia rumo à Aprilia para 2027 parece já confirmada, a Ducati não pretende facilitar essa transição. Pelo contrário. Segundo várias fontes concordantes, incluindo o Moto Sprint, a marca de Borgo Panigale estará disposta a impedir que Gabarrini acompanhe o piloto, quebrando assim uma dupla construída ao longo de quase uma década.
Esta decisão vai muito além de uma simples escolha organizacional. Toca num dos pilares do desempenho no MotoGP: a relação entre o piloto e o seu chefe de mecânicos. Desde os tempos iniciais na Pramac Racing em 2019, Bagnaia e Gabarrini construíram uma sintonia rara, aperfeiçoada ao longo de temporadas e títulos. Uma ligação técnica, mas também humana, que acompanhou o italiano até ao topo.
Romper essa ligação numa mudança de equipa não é algo menor. Priva Bagnaia de um ponto de referência essencial, de uma linguagem comum e de um ambiente onde sabe funcionar. E é precisamente isso que torna a posição da Ducati estratégica. Ao reter Gabarrini, o construtor não está apenas a preservar conhecimento interno — está também, de forma indireta, a dificultar a integração do seu antigo piloto num rival direto.
O contexto dá ainda mais peso a esta decisão. Bagnaia não sai da Ducati num momento positivo. A sua temporada de 2025, marcada por um quinto lugar no campeonato, deteriorou significativamente a relação com a direção. O início de 2026, igualmente complicado, apenas acelerou o processo. Já no final do ano passado, a decisão de o substituir estava tomada, com a chegada de Pedro Acosta prevista para 2027 como parte de uma estratégia de renovação.
















