Paolo Simoncelli voltou a deixar uma daquelas reflexões cruas e sem filtros no seu habitual diário de viagem após os Grandes Prémios de Le Mans e Barcelona. O responsável da SIC58 Squadra Corse analisou dois fins de semana marcados pelo caos em pista, pelas quedas múltiplas e por um clima geral de tensão que, segundo ele, esteve muito perto de ultrapassar limites perigosos.
Mais do que os resultados desportivos, Simoncelli ficou com uma sensação muito mais inquietante: a de que todos estiveram demasiado perto de um desfecho dramático. “Saímos de Barcelona com a clara sensação de termos evitado por pouco uma tragédia”, resumiu. “Corremos um risco enorme, e acabou por correr bem.”
Simoncelli referiu-se diretamente ao incidente que envolveu Álex Márquez. Após um problema relacionado com a KTM de Pedro Acosta, a situação desencadeou uma sequência de quedas em cadeia. “Uma dessas sequências que vemos vezes sem conta e custa acreditar que sejam reais”, explicou. “E depois a segunda partida, ainda pior, com Zarco envolvido numa acrobacia absurda… algo que no final parece quase menos grave do que se esperava, e isso diz tudo.”
Para o dirigente italiano, estes episódios refletem um problema mais profundo do motociclismo atual: a linha muito ténue entre o espetáculo e o perigo real. “Há momentos em que o motociclismo nos lembra quão fina é a fronteira entre o espetáculo e o drama”, acrescentou.
















