A primeira metade da temporada foi, no mínimo, complicada para a BMW. Apesar dos lampejos em Portimão e Balaton, a M 1000 RR foi obrigada a correr atrás da concorrência. Longe vão os tempos em que a moto alemã vencia com Toprak Razgatlioglu, já que agora Miguel Oliveira e Danilo Petrucci são obrigados a perseguir os rivais à distância.
A última ronda em Donington evidenciou todas as dificuldades, com Danilo e Miguel a terminarem longe das posições de destaque.
Quem fez o balanço da situação foi Shaun Muir, explicando o momento vivido pela equipa alemã.
“Não classificaria Donington como um desastre, mas certamente estamos muito desapontados”, afirmou. “Esperávamos ser competitivos para lutar entre o quarto e o sexto lugar, mas não conseguimos encontrar o nível que prevíamos. O teste realizado aqui há poucas semanas tinha-nos dado uma boa base de partida, mas aquilo que vimos nos FP1 e FP2 não se traduziu nos resultados que esperávamos. Estou desapontado pela equipa e, sobretudo, por não termos conseguido dar ao Danilo e ao Miguel uma moto à altura. Temos de analisar o que aconteceu e reagir. Acreditamos que identificámos o problema e agora temos de o resolver.”
O surpreendente é que Oliveira foi mais rápido em Donington do que Toprak Razgatlioglu no ano passado, quando venceu as três corridas. Como é possível? Significa que a BMW ficou ao mesmo nível enquanto os outros deram um passo maior?
“É preciso olhar para o quadro geral. É verdade que os tempos foram muito mais rápidos do que no ano passado, mas não acredito que este fim de semana represente a verdadeira situação da BMW. Desde o início da fase europeia da temporada, Miguel tem sido mais rápido do que em 2025 e, na maioria das rondas, melhorámos os nossos tempos por volta na qualificação. O que vimos aqui não reflete o nosso verdadeiro potencial. Não foi um bom fim de semana, isso é evidente. Identificámos algumas áreas onde temos de intervir, em particular na gestão da travagem e na forma como o piloto consegue explorar o potencial da moto. É um aspeto que influencia diretamente a confiança do piloto: quando não tens confiança, travas demasiado cedo e perdes velocidade.”
Falaste num “reset”. Será necessária uma grande mudança?
“Temos uma base muito sólida construída ao longo dos anos por Michael van der Mark e Toprak. Afastámo-nos dessa direção porque procurávamos algo mais. Estávamos convencidos de que, com o pacote atual, poderíamos lutar regularmente pelo pódio, mas não pelas vitórias. Essa é a realidade. Demonstrámo-lo em Portimão, em Balaton e noutros eventos onde conseguimos subir ao pódio. Não perdemos essa base técnica. Precisamos apenas de perceber como reencontrar o caminho certo.”
Já têm testes programados?
“Sim. Confirmámos testes em Magny-Cours e no Estoril. Vamos utilizar parte dos dias de testes disponíveis e serão fundamentais para compreendermos melhor a direção a seguir.”
Falaste com Miguel sobre o futuro dele? Como se convence um piloto a permanecer na BMW neste momento?
“Antes de mais, não podemos esquecer que ainda somos os campeões do mundo em título e que este pacote já demonstrou ter potencial. Miguel e Danilo são pilotos muito diferentes. Oliveira conhece bem esta moto e este projeto. Com Petrucci o trabalho é mais complexo, porque a base técnica com que estamos a trabalhar exige uma adaptação importante e estamos precisamente a tentar resolver esse aspeto.
No geral, temos de devolver confiança aos pilotos. Qualquer que seja a direção que tomarmos com Danilo e Miguel, teremos de convencê-los de que este pacote pode voltar a lutar de forma consistente pelo pódio.”
O que estão a dizer aos pilotos quando falam sobre o futuro?
“Temos muito material e muitos recursos à disposição. Nas próximas quatro semanas vamos realizar vários dias de testes entre o programa de Superbike e o da equipa. É um esforço importante e partilhado. Quando falo com os representantes dos pilotos, a mensagem é clara: estamos a construir um projeto que já demonstrou ser capaz de chegar ao pódio. Agora precisamos de acelerar o processo e devolver aos pilotos a confiança necessária.”
Visto de fora, porém, parece que a BMW perdeu terreno nas últimas rondas.
“Compreendo essa perceção, sobretudo olhando para os resultados de Donington. Mas é preciso considerar o contexto geral. Passámos por corridas difíceis em Balaton, Most, Misano e chegámos aqui com dois pilotos que vinham de lesões importantes. Por isso, não acredito que seja correto avaliar a situação apenas com base neste fim de semana. É preciso olhar para toda a temporada e para o contexto global. Afinal, em Donington a BMW tinha vencido as seis últimas corridas realizadas. Isso demonstra que o potencial da moto não desapareceu de um dia para o outro.”
















