O arranque do Mundial de MotoGP 2026 deixou um cenário tão aberto quanto inesperado, e Pol Espargaró analisou, numa entrevista ao Mundo Deportivo, as chaves destas primeiras corridas. O espanhol destaca a evolução da Aprilia, as dúvidas em torno da Ducati e o papel de nomes como Pedro Acosta, Marc Márquez e Maverick Viñales.
Do seu ponto de vista, o que está a acontecer nestas primeiras provas tem alguma lógica se olharmos para o final da época passada, embora admita que o nível atingido pela Aprilia superou até as previsões mais otimistas. “O ano passado já nos dava pistas de que este início seria muito bom para a Aprilia, embora talvez não tanto”, reconhece, antes de apontar o outro grande fator inesperado do campeonato: “Talvez não esperássemos ver tantas fragilidades na Ducati como estamos a ver”.
Para Espargaró, é precisamente essa combinação — uma Aprilia extremamente forte e uma Ducati mais vulnerável do que o habitual — que explica grande parte da imprevisibilidade atual: “Acho que estes dois fatores são os que mais surpreenderam no início da temporada”.
No caso da KTM, o balanço é mais moderado. O próprio Pol admite que o desempenho ficou abaixo do que gostaria, embora reconheça a dificuldade do contexto: “Estamos um pouco mais fracos do que eu queria, mas sabendo que não era fácil”.
Ainda assim, destaca a evolução, especialmente visível em Acosta:
“Demos um pequeno passo em frente, melhorámos, sobretudo com o Pedro, que começou na Tailândia a ganhar e a liderar o campeonato do mundo. Foi incrível”.
Apesar disso, o objetivo continua mais acima: “Ainda falta um pouco para chegar à Ducati”. Em todo o caso, Espargaró acredita que a verdadeira hierarquia começará a definir-se quando o campeonato chegar à Europa: “Vamos ver um cenário mais claro agora em Jerez, onde as condições são próximas do ideal e poderemos perceber realmente o potencial de cada fabricante”.
Um dos grandes protagonistas deste início de época é Marc Márquez, cujo rendimento está longe do domínio demonstrado no ano anterior. Espargaró oferece uma explicação baseada na sua experiência com lesões, apontando para um fator muitas vezes invisível: o processo físico de recuperação.
“Marc é um tipo muito inteligente e acho que já deu a entender algumas vezes que não estava totalmente bem do ombro, mas não quer mostrar completamente as suas fragilidades”, explica.
Para além da dor, insiste que o problema é estrutural:
“Teve uma pré-temporada bastante curta e, quando tens uma lesão, não é só esse músculo ou osso que enfraquece, mas tudo à volta”.
Por isso, considera que o tempo é determinante:
“É preciso um processo, um tempo de recuperação que talvez o Marc não tenha tido e que está a ter agora”.
Nesse sentido, a recente pausa pode marcar um ponto de viragem:
“Estas três semanas foram importantes para começar a ativar o corpo e recuperar o tónus muscular que lhe faltava. Talvez não sinta tanta dor, mas falta-lhe força muscular”.
Agora, com a chegada a Jerez e o apoio do público, Espargaró deixa em aberto o regresso de Márquez ao mais alto nível:
“Vamos ver se conseguimos vê-lo voar novamente.”
















