O Campeonato está à beira da maior alteração em 25 anos
O primeiro passo concreto para a maior alteração ao Mundial de Velocidade em mais de um quarto de século já foi dado. As novas 850 equipadas com os pneus Pirelli já foram testadas por (alguns) dos pilotos que as utilizarão em 2027.
Com as atuais 1000 cc a chegar perto dos 380 km/h nalgumas pistas e a oferecer aos seus pilotos uma escolha de 14 botões para ajustes ao longo de uma prova, além do dobro de corridas devido à introdução das Sprint, mudanças eram claramente necessárias para preservar o espetáculo sem escalar o perigo e os custos de forma ridícula.
Pensa-se que a combinação de menor capacidade, maior leveza e simplificação ao eliminar interferência eletrónica excessiva e dispositivos de altura, etc., introduzirá uma nova era de competição: mais segura, menos perigosa e eventualmente capaz de oferecer corridas mais disputadas aos espetadores. Isto vai de mão em mão com a tentativa da nova entidade promotora, Sports Entertainment Group, de globalizar verdadeiramente o Campeonato, nomeadamente elevando o perfil nos EUA, onde mal era conhecido, pese embora o país ter fornecido, ao longo dos anos, alguns dos maiores campeões da modalidade, de Kenny Roberts a Eddie Lawson, Wayne Rainey, Kevin Schwantz ou Nicky Hayden.
A grande mudança anterior fora a mudança para 4 tempos em 2001, essa provocada pelo desaparecimento das 2 tempos. Estas, em boa verdade, tinham atingido o limite de desenvolvimento, orçando na altura pelos 180 cv e 290 km/h, contra um peso de cerca de 130 kg e motores algo explosivos, que, combinados com a então ausência de controles eletrónicos, davam origem a acidentes espetaculares.

A outra coisa que vai deixar de existir são ajudas eletrónicas excessivas e os dispositivos de abaixamento da suspensão, tão controversos e frequentemente na origem de avarias e quedas quando falhavam em desengatar, ou o faziam bruscamente com a moto já em curva, que muitos ‘insiders’ acreditam foi a origem do espetacular acidente de Jorge Martin na Hungria.
Especialistas envolvidos na MotoGP, como Giorgio Barbier da Pirelli, pensam que em 2027, com a combinação de leveza e características de aderência dos Pirelli, favorecendo a excelência da ciclística sobre a força bruta dos motores, as velocidades em curva poderão até aumentar, em benefício do espetáculo.
A passagem das Moto3, agora multimarcas, a uma fórmula de nutrição de valores mais equilibrada, com Yamaha idênticas, ajudará a fazer o resto.
Em breve, poderemos ter uma MotoGP sem as cavalagens e velocidades de agora, mas corridas mais próximas e ainda mais espetaculares…














