MotoGP atuais: Franco Morbidelli

Por a 19 Maio 2020 16:00

Franco Morbidelli é o nome que se segue nas nossas crónicas sobre os atuais pilotos de MotoGP pela ordem em que acabaram o campeonato de 2019.

Morbidelli, nascido em Roma a 4 de Dezembro de 1994, é filho do ex-piloto Livio Morbidelli, vice-campeão italiano de 125. Livio era proprietário de uma oficina de motos em Roma, onde o jovem Franco se exibia com uma motorizada, mas fechou o estabelecimento em 2004 e mudou-se para Tavullia, porque, como dizia, “é o único lugar onde Franco poderá lançar-se na carreira que o levará a ser campeão do mundo”.

Assim, o pai de Morbidelli é italiano, mas a mãe Cristina é brasileira, de Pernambuco, facto que ostenta orgulhosamente nas cores do seu capacete.

O sonho de Livio encontrou terreno favorável no amigo Graziano Rossi, pai de Valentino, que ajudou a família Morbidelli a ingressar no mundo das corridas. Inicialmente nas minimotos, o garoto chamou a atenção de outro “padrinho”, Guido Mancini, ex-campeão italiano nas 50cc e dono de uma oficina em Pesaro, frequentada por vários jovens que depois se tornaram campeões, como Loris Capirossi e o próprio Valentino Rossi.

Além de vir de Roma, quando a grande maioria dos pilotos Italianos vem do Adriático, sendo a exceção notória Max Biaggi, Frankie é pouco habitual também por ter vindo para a MotoGP por via das Superbike e não das classes de apoio.

Foi campeão europeu de Superstock 600 em 2013 e só depois transitou para o MotoGP.

Apesar de ser um equívoco comum, ele não tem qualquer parentesco com Giancarlo Morbidelli, fabricante das famosas motos de corrida Morbidelli, ou do seu filho, o ex-piloto italiano de F1 Gianni Morbidelli.

Foi Mancini quem ofereceu o seu protótipo com motor Rotax para a estreia de Franco, aos 11 anos, na pista de Mores, na Sardenha. Mesmo mal pondo os pés no chão, o primeiro contato foi positivo, o que levou Mancini e Livio a programarem um segundo teste, com uma Aprilia 125.

Franco bateu o recorde da pista, numa tarde em que treinaram também Alex Gramigni, piloto da Gilera no Mundial de 125 e outro jovem de futuro, acelerando numa Metrakit, Lorenzo Baldassarri.

O primeiro encontro com outro personagem fundamental, Valentino Rossi, deu-se na pista de Dirt Track de Cava, onde os pilotos de velocidade da região treinavam em piso de terra.

Em 2011, com o apoio da Forward Racing, Franco Morbidelli competiu em 4 provas do Europeu de Superstock 600, com uma Yamaha YZR6. No ano seguinte fez o Campeonato inteiro, terminando o campeonato na 6ª posição.

Defendendo as cores do San Carlo Team Italia, Franco conquistou o campeonato europeu de Superstock, pilotando uma Kawasaki ZX6R. O título valeu-lhe três convites para o Mundial de Moto2, para correr como wild card na Gresini, em Aragón, Motegi e Valencia. Mesmo não pontuando, ele impressionou e arranjou uma vaga na Italtrans para competir regularmente na Moto2 em 2014.

A bandeira brasileira em destaque no capacete de Franco

Mas aquele 2013 não foi só de alegrias, pois nesse ano ele enfrentou um enorme trauma pessoal. quando aos 52 anos, seu pai, Livio, se suicidou. “Eu tinha duas opções; entrar em crise ou seguir em frente. Preferi a segunda, e amadureci muito aos 18 anos”.

Valentino Rossi teve um papel importante nessa superação, apoiando Franco como pessoa e como um dos alunos mais promissores da VR46 Riders Academy. “A humildade e a dedicação de Rossi são notáveis. Ele tem a experiência de alguém de 90 anos e o entusiasmo de alguém de 18″.

As disputas no Rancho VR46, o centro de treino de Valentino Rossi nos arredores de Tavullia, são divertidas mas o espírito é o mesmo dos GPs, lutar o tempo todo. “E de vez em quando eu ganho ao Rossi, amigo do meu pai e meu mestre, uma satisfação e tanto”- diz Frankie.

Depois da terminar a sua primeira temporada em 11º no Mundial, tendo como melhor resultado um 5º lugar em Aragón, evoluiu bem e chegou ao pódio pela primeira vez em 2015, com um 3º lugar em Indianápolis. Porém lesionou-se logo depois no motocross e perdeu 4 corridas, fechando o ano em 10º no ranking mundial da classe intermédia.

A temporada 2016 levou-o a uma nova garagem, a da prestigiada equipa Marc VDS, do milionário Belga Marc van der Stratten. Com uma estrutura melhor, Franco visitou o pódio por seis vezes, três delas em 2º lugar, na Áustria, Inglaterra e Austrália.

2017 foi estupendo para o jovem piloto. Três vitórias seguidas, interrompidas só por uma queda quando liderava em Jerez de la Frontera, que não o impediu de seguir na frente do campeonato, com 11 pontos de vantagem sobre o suíço Tom Luthi.

Assim, finalmente, nesse ano, Franco venceu o Campeonato do Mundo de Moto2 com a Marc VDS Estrella Galicia 0.0, depois de o seu mais próximo candidato ao campeonato, Thomas Lüthi ter sido declarado incapaz para o GP da Malásia, na sequência de uma queda na qualificação.

Cada vez mais perto de uma vaga na MotoGP, onde além da Marc VDS, estava sendo cortejado pela LCR de Lucio Cecchinello, Franco manteve a serenidade.

Estreia em MotoGP com a Marc VDS em 2018

Depois do seu sucesso na classe de Moto2, Morbidelli conquistou uma oportunidade no Mundial de MotoGP em 2018, ascendendo à classe na Honda da Marc VDS e mostrando a sua capacidade ao longo de uma temporada positiva, que terminou em alta em Valencia quando garantiu o título de Rookie of the Year.

A grande oportunidade surgiu a seguir, com a formação da Yamaha Petronas para 2019. Morbidelli juntou-se à ambiciosa equipa de Sepang, estabelecendo metas mais elevadas na sua segunda temporada entre a elite do mundial.

Fez seis participações regulares ao longo do ano, melhorando de um início de ano difícil para conseguir três partidas na primeira linha e os melhores resultados da carreira, com 4 quintos no Grande Prémio das Américas, na Holanda, Grã-Bretanha e San Marino, para acabar em 10º no Campeonato.

Mantendo-se com a mesma equipa e com o companheiro de equipa Fabio Quartararo para 2020, Morbidelli, que ainda dispõe apenas de uma M1 de especificação A em vez da moto completa de fábrica, vai ter como alvo o pódio pela primeira vez e procurar desafiar para conseguir pontos significantes em todas as jornadas e aumentar o seu palmarés de 21 pódios em 106 corridas.

Diz que se sente “cidadão do mundo” e tem orgulho das raízes ítalo-brasileiras. “Pertencer a duas culturas é uma riqueza. Eu tive oportunidade de aprender muitas coisas. Da minha mãe eu herdei a atitude brasileira de ‘fluir com a correnteza’, sou calmo e relaxado. O lado italiano me ensinou a ser sério no trabalho e com as pessoas que eu gosto”.

E encerra com sábias palavras, em especial para um jovem de 25 anos: “Mais do que tudo, sou uma pessoa livre. O meu nome ‘Franco’ significa homem livre e cai-me bem. Sou uma pessoa autêntica, relaxada e sossegada. Não gosto de amarras e obrigações”.

Com o amigo e mentor Valentino

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