Jorge Martín completou em Silverstone um fim de semana praticamente perfeito. Depois de conquistar a pole position e vencer a corrida Sprint, faltou apenas a cereja no topo do bolo: a vitória no Grande Prémio. Ainda assim, o segundo lugar atrás de Raúl Fernández representa um resultado de enorme importância, sobretudo na perspetiva do campeonato.
O espanhol foi claramente o piloto que mais pontos somou entre os candidatos ao título e deixou Silverstone com uma vantagem que aumentou para 31 pontos. Basta recordar que, antes desta ronda, cinco pilotos estavam separados por apenas 25 pontos. Agora, Martín dispõe de uma margem equivalente a quase um Grande Prémio e uma Sprint sobre o seu perseguidor mais próximo, Marco Bezzecchi.
“Foi uma boa corrida, mas para mim ficou condicionada logo na partida”, explicou Martín. “Não queria perder a liderança, por isso entrei na primeira curva praticamente sem travar e o dispositivo traseiro de arranque não se desativou. Foi por isso que perdi várias posições. Depois tentei recuperar o mais rapidamente possível, mas a minha estratégia ficou comprometida.”
“Quando cheguei ao segundo lugar, o Raúl já tinha uma vantagem de quase cinco segundos. A partir daí tentei apenas encontrar o meu ritmo. Em algumas voltas parecia estar mais perto e houve momentos em que pensei que ele pudesse sofrer uma quebra de rendimento do pneu traseiro, mas na realidade geriu tudo muito bem. O mais importante para mim foi voltar a ser muito sólido. O resultado é bom, claro, mas acima de tudo fomos consistentes e competitivos. Talvez possamos lutar pela vitória já no próximo Grande Prémio, em Aragão.”
“Não sei. Já fui campeão do mundo e gosto da ideia de continuar a ganhar. Sentir-me líder do campeonato ou não, não muda nada. O que quero é continuar a melhorar a moto e trabalhar bem. Se perdermos velocidade, significa que algo não está a funcionar como deveria, mas também que podemos corrigir isso. Temos de manter a concentração tanto nos fins de semana bons como nos mais difíceis. Aqui, felizmente, quase não precisei de mexer na afinação da moto, o que é um sinal positivo. Mas sei que haverá corridas em que vamos sofrer mais. O importante será continuar a evoluir para sermos sempre rápidos.”
“Não arranquei particularmente bem, ou pelo menos o Raúl arrancou muito melhor do que eu. Como já disse, queria manter-me na frente e não travei com força suficiente para que o dispositivo traseiro se desativasse. Depois, na mudança de direção, o Marco também me ultrapassou e perdi ainda mais tempo. Diria que foi culpa minha. Em vez de travar um pouco mais cedo, insisti em manter a liderança. Talvez pudesse ter ficado em segundo, mas fui demasiado otimista.”
“Neste momento não me interessa estar na frente da classificação, quero apenas melhorar corrida após corrida. Há dois anos estava sempre concentrado na ideia de ter de estar na liderança, mas isso consome muita energia. Agora foco-me apenas em ser a melhor versão possível do Jorge. Essa mentalidade leva-nos a fazer coisas como as que estamos a conseguir agora, e isso é o mais importante.”
















