O paddock do MotoGP pensava já ter visto de tudo no que toca a transferências inesperadas, mas desta vez o ataque é direto, brutal, quase desconcertante. Por trás da mudança anunciada de Jorge Martín para a Yamaha em 2027, Carlo Pernat não vê uma aposta desportiva nem uma ambição técnica, mas sim uma decisão fria, calculada… e muito reveladora. Segundo ele, o espanhol não está a preparar um novo capítulo na carreira — está a preparar a saída.
No papel, ver Martín sair da Aprilia enquanto luta pelo título contra Marco Bezzecchi — separados por poucos pontos — é quase incompreensível. Num contexto desportivo tão favorável, mudar de projeto levanta inevitavelmente muitas questões. E é precisamente aí que Pernat toca no ponto sensível.
“Coloquem-se no lugar dele: muitas lesões, uma carreira já complicada e um enorme fator financeiro.” A mensagem é clara: Martín não teria escolhido a Yamaha para ganhar, mas para garantir o futuro.
E Pernat vai ainda mais longe, numa declaração que já está a gerar polémica no paddock: “É mais uma escolha económica do que técnica… é incómodo dizê-lo, mas ele vai para a Yamaha para se retirar.” Difícil ser mais direto.
Esta transferência, mesmo sem ser oficial, já está a afetar o equilíbrio interno na Aprilia. Porque, se Martín conquistar o título antes de sair, levará consigo o prestigiado número 1… diretamente para a Yamaha — um cenário que a marca de Noale quer evitar a todo o custo, mesmo que nunca o admita publicamente.
Na prática, tudo indica que o apoio implícito poderá inclinar-se para Bezzecchi, que representa o futuro do projeto. Mas o problema é simples: Martín está lá, é eficaz, experiente e, acima de tudo… extremamente competitivo.
Pernat não ignora um fator muitas vezes subestimado, como referiu ao Italian Fanpage: numa luta pelo título, a experiência tem um peso enorme. E nesse aspeto, Martín leva vantagem.
“Martín está a evoluir muito rapidamente e pode ter mais hipóteses de conquistar o título do que o Bez, porque o espanhol já sabe como fazê-lo.”
















