A insistência do MotoGP em disputar o Grande Prémio do Qatar, apesar da crise geopolítica que afeta o Médio Oriente desde fevereiro, está a «unir» os pilotos do campeonato, afirma Enea Bastianini.
O MotoGP tem previsto deslocar-se ao Circuito Internacional de Lusail, no Qatar, na próxima semana, para a 20.ª ronda da temporada de 2026.
Ao mesmo tempo, existem sinais de uma possível retoma dos ataques ao Irão por parte das forças norte-americanas e israelitas. Quando a guerra começou, em fevereiro, os ataques contra o Irão levaram o país a lançar contra-ataques contra países vizinhos da região alinhados com o Ocidente, como o Qatar, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos.
A deslocação ao Qatar representa, claramente, riscos para todos os elementos envolvidos no evento. No entanto, faltando apenas alguns dias para a chegada do paddock ao país, o tempo disponível para encontrar uma solução alternativa é limitado.
Enea Bastianini, Tech3 KTM.
«É muito complicado falar sobre o Qatar porque sabemos que não temos controlo sobre toda esta situação», afirmou Enea Bastianini na quinta-feira, em Sepang, numa declaração citada pelo GPOne, a oito dias do início dos treinos em Lusail.
«Continuamos a discutir o assunto com as equipas, mas também com a Dorna e Carmelo Ezpeleta, porque precisamos de ter uma visão clara da situação.»
O italiano acrescentou: «Temos de ter algo concreto até ao final do fim de semana, porque, na próxima semana, já estaremos lá.»
A situação no Qatar também motivou conversas mais abrangentes entre os pilotos, revela Bastianini.
«Digamos que estamos a tentar pressionar para obter garantias relativamente ao Qatar», explicou o piloto da Tech3 KTM.
Enea Bastianini, Tech3 KTM, Grande Prémio da Indonésia de 2026.
«Mas também estamos a tentar perceber o que fazer em relação ao nosso futuro, por isso, não estamos apenas a falar do Qatar.
«Estamos apenas a começar, ainda é tudo muito recente e temos de trabalhar neste assunto.
«Certamente, esta situação no Qatar está a unir-nos ainda mais em torno desta questão e acredito que pode criar uma boa base para o futuro.»
Bastianini espera que essa «base» possa levar à criação de uma estrutura mais formal de representação dos pilotos.
«Na minha opinião, todos os pilotos perceberam que podemos beneficiar desta situação», afirmou.
«É por isso que estamos a pressionar todos para voltarmos a ter um grupo organizado e, acima de tudo, para termos uma voz mais ativa quando determinadas decisões são tomadas.»
















