As polémicas em torno do Qatar parecem ter desaparecido desde que os pilotos atravessaram os portões do circuito de Sepang. Era previsível, uma vez que, no final de contas, aceitaram viajar para o Qatar e agora já não podem continuar a reclamar. Fazer das fraquezas forças é uma estratégia à qual nem Bagnaia consegue escapar.
«É exatamente como esperava. Não posso esconder que estava um pouco preocupado em vir para aqui, mas decidi confiar plenamente no MotoGP, na IRTA e nos organizadores. Penso que trabalharam para garantir a nossa segurança e nos disponibilizaram praticamente tudo aquilo que pedimos. Acho que é melhor trabalharmos em conjunto. Esperava encontrar um ambiente normal no paddock, porque não podemos viver com medo de sermos bombardeados, mas apenas com a preocupação de ficarmos retidos aqui caso o aeroporto feche. Confio neles», explicou.
Ultrapassada a questão da deslocação a Lusail, há outra polémica a abordar. No passado domingo, em Sepang, Pecco afirmou à Sky que já não existe na sua Ducati aquele elemento que lhe permitiu fazer a diferença em Motegi na temporada passada. Questionado sobre o assunto, Davide Tardozzi respondeu que não sabia a que é que o seu piloto se estava a referir.
«Não posso fazer com que os meios de comunicação social falem de mim pelos bons resultados, por isso procurei outro caminho e acabou por ser uma boa forma de o conseguir. Ainda se fala muito sobre isso, portanto funcionou», explicou Bagnaia, tornando toda a situação ainda mais difícil de compreender.
A única certeza é que a aventura com a Ducati está a terminar da pior forma possível. O piloto italiano esperava conseguir em Sepang uma pequena satisfação pessoal, mas isso não aconteceu. Lusail poderá ser a última boa oportunidade para o conseguir.
«Portimão também é uma boa oportunidade, mas esta ainda mais», admitiu. «Adoro este circuito, o seu traçado é favorável às minhas características e, para a Ducati, é um dos melhores. O asfalto parece semelhante ao de Brno, por isso talvez tenha menos problemas de aderência. Se conseguir trabalhar bem com a equipa, poderei lutar por um lugar entre os seis primeiros.
«O asfalto é o aspeto principal. Tendo em conta o estado em que se encontrava em Sepang, talvez esteja mais motivado para conseguir fazer algo melhor. Ninguém quer enfrentar este tipo de problemas durante um fim de semana de corrida e a prova de domingo também foi um desastre. Estamos todos a trabalhar para alcançar um resultado melhor.»
Ainda será possível terminar a temporada de uma forma menos amarga?
«Um final digno não diz respeito apenas aos resultados», observou Pecco. «É evidente que um bom fim de semana pode melhorar o nosso estado de espírito, mas não haverá nada que retire valor àquilo que conseguimos fazer. Conquistámos dois títulos mundiais e conseguimos tornar a moto na melhor da grelha. Tenho a certeza de que ninguém nos poderá tirar isso.
«É claro que, quando as coisas não correm bem, torna-se mais difícil manter uma boa relação, mas isso faz parte da história e será sempre assim.»














