Há um dado que surpreendeu Álex Márquez: esta temporada, só houve um Grande Prémio com todos os pilotos titulares na grelha de partida, o do Brasil. Devido às lesões, em todas as outras rondas houve pelo menos uma ausência. O piloto da equipa Gresini também foi obrigado a falhar corridas depois do acidente em Barcelona e, ainda hoje, vários meses depois, continua longe de estar fisicamente a 100%. Naturalmente, as suas prestações também acabam por ser afetadas.
«Acredito que, desde Misano, perdi alguma confiança devido às quedas. Além disso, depois da minha lesão, tinha sempre um fim de semana de descanso após os Grandes Prémios e conseguia recuperar bastante bem. Depois chegaram as jornadas duplas e estou a sofrer muito. Esta sequência de três Grandes Prémios será muito desgastante para mim, tendo em conta as condições em que me encontro.
Foi uma combinação de vários fatores: houve quedas que me fizeram perder confiança e outras provocadas pelo cansaço. Vou ter de sofrer nesta fase final da temporada», admitiu.
Como está o teu ombro?
«Sabemos qual é o problema e estamos a tentar resolvê-lo da melhor forma possível, em conjunto com os médicos. Colocaram-me uma placa muito grande, o que complica as coisas. Na Indonésia, por exemplo, houve sessões em que fui 20.º porque estava a gerir o meu estado físico. Não podemos fazer milagres, esta é a situação».
Parece que, nos últimos anos, a maioria das lesões tem afetado a parte superior do corpo. Achas que é uma coincidência?
«Antigamente, as lesões afetavam mais a parte inferior do corpo devido aos highsides, mas, ao mesmo tempo, também podemos partir as clavículas neste tipo de acidentes. A verdade é que, nos últimos cinco anos, houve muitas lesões, mas não saberia dizer porquê.
Muitas vezes, não nos magoamos tanto com o impacto da queda, mas sim por entrarmos na gravilha a alta velocidade, algo que antigamente acontecia menos.
Hoje disseram-me que só no Brasil tivemos todos os pilotos titulares na grelha de partida. É um dado preocupante. Se isso só aconteceu uma vez numa temporada tão longa, temos de pensar em fazer alguma coisa para melhorar».
O que farias?
«Não sou eu que tomo essas decisões. Penso que estão a exigir demasiado aos pilotos, e refiro-me ao esforço que fazemos em pista. Existem muitos riscos, somos cada vez mais rápidos e aumenta constantemente o número de voltas que temos de fazer no limite.
Com o novo formato, procura-se proporcionar mais espetáculo, mas mais espetáculo também significa mais riscos. Acredito que a introdução da Sprint contribuiu para o aumento do número de lesões.
Tenho 30 anos e, para mim, faz pouca diferença retirar-me um ano mais cedo ou mais tarde. Mas é preciso cuidar dos jovens, como o Acosta, o Aldeguer e todos os outros. Têm 20 anos e, com esta quantidade de corridas, será complicado para eles.
É preciso pensar em criar heróis, mas heróis a longo prazo, não apenas a curto prazo».
Qual seria, na tua opinião, o número ideal de corridas Sprint?
«Deveriam, pelo menos, reduzir o número para metade. O ideal seria ter seis ou sete».















