A última temporada de Miguel Oliveira no MotoGP ficou marcada por resiliência, contextos adversos e números que nem sempre refletem o real valor do seu desempenho em pista. Ao serviço da Yamaha, o piloto português viveu um ano exigente, condicionado por limitações técnicas da YZR-M1 e, sobretudo, por um episódio que acabaria por pesar de forma decisiva no desfecho da sua ligação ao fabricante japonês.
Em termos de resultados, os melhores momentos de Oliveira chegaram no GP da Catalunha e no GP de San Marino, onde terminou ambas as corridas na 9.ª posição. Em ambos os casos, foi o segundo melhor piloto Yamaha em pista, apenas atrás de Fabio Quartararo, confirmando a sua consistência e capacidade de extrair o máximo de um pacote competitivo limitado. Ao longo da época, sempre que esteve fisicamente apto, Miguel Oliveira foi presença regular na luta pelos pontos e uma referência técnica dentro da estrutura ficando quase sempre à frente de Jack Miller ou Alex Rins.
O ponto de viragem da temporada surgiu no GP da Argentina, num incidente que viria a ter consequências profundas. Um toque provocado por Fermín Aldeguer empurrou o piloto português para fora de pista, resultando numa lesão que o afastou de três Grandes Prémios consecutivos. Essa ausência forçada interrompeu um ciclo de crescimento e retirou-lhe a possibilidade de cumprir integralmente a cláusula de desempenho prevista no seu contrato.
Esse detalhe contratual acabou por ser determinante. Com Miguel Oliveira impedido de competir durante várias rondas, a Yamaha optou por ativar a cláusula a favor de Jack Miller, seu colega de equipa, garantindo a continuidade do australiano em 2026. Uma decisão baseada em critérios formais, mas que deixou a sensação de que o contexto da lesão e o contributo global do piloto português não foram totalmente refletidos na decisão final.
Assim, a última época de Miguel Oliveira no MotoGP seria em 2025 com a imagem de um piloto competitivo, tecnicamente respeitado e consistente sempre que esteve em condições de competir, mas também como um exemplo claro de como circunstâncias externas podem influenciar carreiras ao mais alto nível do motociclismo mundial.
















