Como se explica que o piloto Miguel Oliveira arranque da 11ª posição da grelha de uma corrida que tem andamento para vencer?
Este é o tema que faz sentido abordar, pois a falta de resultados nos treinos livres leva a más posições na grelha de partida, o que “em principio” dificulta a obtenção de bons resultados na corrida.
Vamos relembrar as varias corridas desde que Miguel Oliveira ingressou na KTM na epoca de 2017:
(resultado qualificação /corrida) 2017 -2018
Qatar (5º/4º) – (4º /5º)
Argentina (1º /2º) – ( 7º / 3º)
USA (7º / 6º) – (12º / 3º)
Jerez (4º /3º) – ( 14º – 2º )
França ( 17º /17º) – ( 10º / 6º )
Itália (9º /5º) – (11º / 1º )
Catalunha ( 6º / 3º)
Assen ( 4º / 5º)
Alemanha (6º /2º )
Rep. Checa ( 2º / 3º)
Austria (8º / aband)
Inglaterra ( 8º / 8º)
San Marino ( 8º / aband)
Aragon ( 1º / 3º)
Japão ( 5º / 7º )
Australia ( 3º / 1º)
Malásia ( 2º / 1º )
Valencia (4º / 1º )
Analisando as primeiras 5 corridas confirma-se que a performance em qualificação de 2018 piorou substancialmente face a 2017, enquanto que os resultados em corrida melhoraram francamente.
Ora esta situação não tem lógica. E significa obrigatoriamente que os resultados em corrida poderiam ser ainda melhores caso o piloto estivesse a conseguir partir mais avançado na grelha.
O que aconteceu hoje em Mugello é um caso raro. As corridas de motos têm destas coisas, impossíveis.
Miguel Oliveira partiu de 11º e na entrada para a 1º curva estava em 5º e chegou a 3º durante a primeira volta.
Se tivesse partido de 5º lugar na grelha eventualmente não teria conseguido fazer melhor do que fez, mas sabemos que nem sempre se consegue uma perfeição como a de hoje. É verdade que Miguel Oliveira já fez o impossível em 3 ocasiões este ano, em Austin, em Jerez e em Mugello. Aliás os seus melhores resultados em corrida foram obtidos nas situações em que estava pior classificado na grelha. Talvez essas situações de desvantagem na partida estejam a provocar momentos de verdadeira inspiração que permitiram a Miguel Oliveira fazer arranques excepcionais e inicio de corrida muito agressivos com muita coragem e habilidade para concretizar ultrapassagens que lhe têm permitido chegar ás primeiras posições logo nas primeiras voltas, podendo assim disputar toda a corrida comes tivesse partido da frente.
Mas todos sabemos que os momentos de grande inspiração não se repetem eternamente.
É importante que Miguel Oliveira consiga resolver este problema que, quer queiramos quer não, é uma desvantagem e pode impedir a vitoria do campeonato.
O final épico da epoca de 2017 fez com que todos os portugueses sonhassem com uma mais que certa vitoria no campeonato em 2018. E penso que é até um sonho bastante bem fundamentado e com uma elevada probabilidade de se concretizar.
A KTM havia dado provas de grande competitividade em 2017 e certamente que em 2018 estaria ainda em melhor nivel, face á experiência entretanto acumulada.
E é certo que a KTM tem demonstrado, em corrida ter andamento para as Kalex que entretanto também evoluíram positivamente em 2018.
O Miguel Oliveira já demonstrou que tem um andamento fortíssimo em corrida, uma impressionante capacidade de concretizar ultrapassagens, uma enorme consistência e segurança que fazem com que sofra poucas quedas, e tem uma fantástica sensibilidade para gerir o desgaste dos pneus. No fundo é tudo o que distingue um verdadeiro campeão dos outros pilotos comuns.
Miguel Oliveira tem mesmo a fibra dos campeões e foi por isso que a KTM o contratou mesmo após uma terrível primeira época em Moto2, inserido numa equipa que apesar de campeã do mundo em Moto3, nunca conseguiu estar ao nível das equipas da frente. Foi uma época desastrosa para Miguel Oliveira e mais ainda para Danny Kent que praticamente aí arruinou a sua carreira. Pelo contrario, Miguel Oliveira sai da Leopard Racing com um contrato oficial da KTM que decidira entrar em Moto2 através da Ajo Motosport para quem Miguel Oliveira já pilotara em Moto3 em 2015.
Foi precisamente essa experiencia de 2015 que levou á contratação em 2017. A KTM não brinca em serviço e fez questão de assegurar os serviços dos melhores pilotos, para garantir sucesso ao seu projecto.
Tudo isto para tentar compreender o que se está a passar com Miguel Oliveira durante as sessões de treinos em praticamente todos os GP de 2018, e podemos mesmo pensar que o problema se está a agravar.
É certo que o nível de andamento no Moto2 é impressionantemente equilibrado, como ainda ontem aconteceu, ao estarem 20 pilotos dentro do mesmo segundo. O facto de os motores serem idênticos em todas as motos, faz com que as diferenças passem a ser responsabilidade dos quadros e suspensões. Mas se a KTM tem demonstrado ter o andamento suficiente em corrida porque é que não o tem nos treinos?
Será que tem a ver com o peso ? As sessões de qualificação são realizadas com pouca gasolina nos depósitos, enquanto que as corridas se iniciam com depósitos cheios. Mas se assim fosse, ou seja se a KTM fosse mais competitiva com deposito cheio, e fosse perdendo eficácia á medida que a gasolina fosse sendo consumida e o peso baixasse, então a moto perderia competitividade a partir de metade da corrida e isso não é o que parece estar a acontecer. Ainda hoje se comprovou o excelente ritmo de Miguel Oliveira no final da corrida em Mugello.
Poderá então ser uma questão de dificuldade de afinação da moto, que demora a ser encontrada ao longo das 4 sessões?
Ou será uma questão psicológica por parte de Miguel Oliveira que não consegue realizar uma volta ultra rápida no momento certo, ou seja no momento em que tudo tem que acontecer perfeito ?
Confesso que me custaria muito a aceitar que pudesse existir uma explicação deste gênero, pois trata-se de um piloto psicologicamente muito forte, que sendo rápido, ainda o é mais em situações de grande risco e dificuldade como são as primeiras voltas de uma corrida, em que além da coragem, da capacidade de compreender as oportunidades que vão surgindo, há que ser capaz de se ser criativo para criar situações que lhe sejam favoráveis.
Miguel Oliveira é um piloto excepcional, daqueles raros, que vão ficar na historia. é um piloto completo e sobretudo muito seguro e consistente como qualquer equipa gosta de ter nas suas linhas.
Mas tem um problema para resolver, e era importante que o conseguisse fazer nos tempos mais próximos, para que as vitorias não surjam com tanto esforço, mas sim com a consistência que ele já nos mostrou ter no final das épocas de 2015 e 2017.
Miguel Oliveira tem que estar consistentemente no top 5 de todas as qualificações tal como está no top 5 no final de todas as corridas. É natural que assim seja, e é isso que desejamos que aconteça.
Força Miguel!
















