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MotoGP, 2020, 10 factos que marcaram a época, 7: O acidente de Marc Márquez

Paulo Araújo por Paulo Araújo
27 Novembro, 2020
em Autosport, Destaque Homepage, Moto GP, Newsletter, Newsletter destaque
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MotoGP, 2020, 10 factos que marcaram a época, 7: O acidente de Marc Márquez

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O incidente mais grave que marcou a época de 2020 pela negativa e alterou mesmo toda a feição do campeonato, foi sem dúvida a queda e consequente afastamento de Marc Márquez

Marc teve uma enorme chicotada que o cuspiu da sua moto a tempo de ser atingido no braço direito pela sua Honda


De facto, as cinco épocas anteriores tinham sido marcadas pelo domínio total do espanhol da Honda Repsol, cujo talento inegável e domínio da sua Honda RCV aparentemente para lá das leis da física era tal que só quando alguma coisa lhe corria mal foi batido, em raras ocasiões, por pilotos como Dovizioso, Rins ou Viñales.

Como consequência, o piloto de Manresa montou campanhas fortíssimas entre 2013 e 2019, em que o título só lhe escapou em 2015, e não raro estava garantido por boa margem a duas ou três corridas do final.

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Mais, ao vencer a maior parte das corridas, (por exemplo, 13 de 18 em 2014 ou 12 de 19 em 2019), Márquez condicionava também a hipótese de haver muitos outros pilotos vencedores.

Mas vamos ao princípio, recuando ao primeiro Grande Prémio do ano para as MotoGP em Jerez de la Frontera:

Após qualificar na primeira fila da grelha, e com Quartararo a sair da pole para liderar por 5 segundos à 22ª volta, com Viñales e Márquez em perseguição, Marc teve uma enorme chicotada que o cuspiu da sua moto, rebolando pela gravilha a tempo de ser atingido no braço direito pelo pneu dianteiro da sua Honda aos saltos.

Logo na altura foi possível ver que o piloto de 27 anos estava magoado, pois sentou-se na zona dos comissários com o braço direito inerte e as notícias a seguir confirmaram o pior: quando a moto o atingiu, fraturou o seu úmero do braço direito, que posteriormente foi operado com uma placa e 12 parafusos, numa imagem que correu o mundo.


Incrivelmente, talvez numa tentativa de fazer jogos psicológicos para impressionar os seus adversários, Marc Márquez anunciou logo depois que a operação tinha corrido bem, se sentia em forma e ia tentar regressar no Grande Prémio da Andaluzia no mesmo circuito dentro de uma semana.

Na prática, isso constituía uma recuperação de apenas quatro dias após a sua operação da Terça-Feira anterior.

Era por demais evidente que o piloto não iria conseguir e de facto, após saltar os treinos de sexta para participar no treino livre 3 sábado de manhã, o piloto da Repsol qualificou a 1,298 segundos do tempo rápido de Maverick Viñales, mas na 19ª posição.

A seguir ao TL4, em que deu só 10 voltas para acabar 16º, o piloto foi para a Q1, e uma única volta foi suficiente para se retirar com dores intensas no braço, anunciando que não participaria mais no Grande Prémio da Andaluzia a partir daí.
Uma quinzena depois, estourou nova bomba, segundo o patrão da equipa de MotoGP Alberto Puig,  Marc Márquez  iria necessitar de uma segunda cirurgia na sequência de um acidente doméstico, supostamente ao deslizar uma porta do pátio que torceu a placa que reforçava o braço.

O efeito imediato foi Márquez perder o Grande Prémio da República Checa e o seguinte no Red Bull Ring.  Esta notícia foi recebida com muito ceticismo, pela improbabilidade de, após andar 18 voltas num treino, Márquez vir agravar a lesão ao fazer uma coisa tão mundana como deslizar uma porta de vidro.

O seu irmão Alex, que partilhava a casa, afirmou que Marc tentou sair a passear com os cães e foi então que voltou a fraturar o braço, seguindo imediatamente para o hospital.

Nessa altura, apareceram também fotografias dos meios de comunicação que mostravam Márquez com uma grande nódoa negra no braço, indicando claramente que a sua recuperação iria ser muito mais longa do que o esperado.

Seguiu-se uma fase de “diz que disse”, intrigas e especulações, como aconteceria com qualquer desportista com o perfil mediático de Marc Márquez, em que o piloto, ora dizia estar em franca recuperação e publicava fotos nas redes sociais do seu treino em ginásio, ora dizia que tinha tido um atraso na convalescença e provavelmente não voltaria a correr o resto do ano.


O próprio Marc Márquez descreveu a situação como ter escutado o que o seu corpo lhe estava a dizer, porém a especulação continuou de um iminente regresso do campeão, e só a 10 de Novembro,  com a época praticamente terminada, é que Márquez e a HRC reconheceriam que o campeão não iria regressar em 2020, quando publicou a seguinte declaração:

“Esta época não voltarei a competir. Depois de avaliar o estado do meu braço com os médicos e a minha equipa, decidimos que a melhor opção é regressar para o ano. É tempo de continuar com a convalescença. Obrigado pelas mensagens de apoio, estou ansioso por regressar em 2021.”

O resto é história: o vácuo deixado pela ausência forçada de Márquez produziu a época com mais vencedores e uma das mais competitivas de toda a história da MotoGP, com 9 vencedores diferentes.

Pior, a Honda descobriu que, tendo concentrado os seu esforços em Márquez, praticamente mais ninguém era capaz de pilotar a feroz RC213V eficientemente e estavam em apuros.

A questão que perdura agora é, com boatos já a dizer que continua a haver complicações com a recuperação do campeão, poderá Márquez regressar no início de 2021?

Regressará de todo? Ou, semelhante a Michael Doohan no mesmo circuito em 1999, as suas lesões provarão suficientemente graves para terminar prematuramente a sua brilhante carreira?

Tags: Honda TeamMarcMárquezoperaçãoPuigRepsol
Paulo Araújo

Paulo Araújo

Jornalista especialista de velocidade, MotoGP e SBK com mais de 36 anos de atividade, incluindo Imprensa, Radio e TV e trabalhos publicados no Reino Unido, Irlanda, Grécia, Canadá e Brasil além de Portugal

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