Pedro Acosta deixa aviso ao MotoGP: «As lendas vão sair do paddock e não vão querer voltar»
Pedro Acosta deixou um aviso ao MotoGP, defendendo que a organização deve «abrandar» e respeitar mais os pilotos, sob pena de ver «lendas a sair do paddock e a não querer voltar», numa altura em que foram anunciadas novas penalizações por faltas a eventos promocionais.
Uma notícia publicada pelo Motorsport durante o Grande Prémio da Indonésia revelou que o MotoGP vai começar a aplicar multas de 5000 euros aos pilotos que faltem a eventos promocionais durante os fins de semana de corrida.
A medida surge depois de terem sido levantadas preocupações relativamente à ausência dos pilotos em iniciativas destinadas aos adeptos. O tema ganhou maior destaque no Japão, quando Marc Márquez se recusou a participar numa corrida de karts antes do Grande Prémio.
Os pilotos foram também avisados de que poderão ser aplicadas sanções desportivas em caso de reincidência, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre quais poderão ser essas penalizações.
Marc Márquez criticou duramente as novas penalizações por faltas a eventos promocionais, no domingo, em Mandalika. Pedro Acosta, da KTM, partilhou a posição do piloto espanhol.
«Discordo totalmente», começou por afirmar.
«Não se pode obrigar um piloto a fazer alguma coisa sem ter em consideração tudo aquilo que está por detrás de cada um deles, e talvez a organização não tenha conhecimento dessas situações.
«Por exemplo, o Raúl [Fernández] tinha hoje um osso fraturado. Devia tratar disso, porque está a utilizar esse dedo para travar.»
Acosta alertou ainda para as possíveis consequências de obrigar um piloto lesionado a participar nestas iniciativas.
«Pode estar com dores, pode acontecer que, numa determinada altura, não consiga travar e, de repente, o problema pode tornar-se ainda maior.
«Por isso, compreendo que muitas vezes não participemos nestas atividades.
«Mas penso que também depende do momento. A organização devia abrandar um pouco e dar-nos algum espaço, como aconteceu com o Marc no Japão. Concordo totalmente com aquilo que ele fez.»
Este tema, a par do formato dos fins de semana de corrida para 2027, anunciado na semana passada e amplamente criticado, voltou a colocar em discussão a ausência de um sindicato de pilotos no MotoGP.
Acosta duvida, contudo, que essa união venha alguma vez a concretizar-se, considerando que demasiados pilotos e equipas estão concentrados nos seus próprios interesses.
«Esse momento devia chegar, mas penso que nunca vai acontecer», afirmou.
«Toda a gente está a defender os seus próprios interesses. Até as equipas estão preocupadas com os seus interesses e com os interesses das marcas.
«Como disse na quinta-feira, as carreiras dos pilotos vão ser cada vez mais curtas.
«Vamos ver lendas a sair do paddock sem sequer quererem voltar, porque o nível de stress a que estamos sujeitos é demasiado elevado. É realmente demasiado elevado. Espero que esta situação melhore.»














