O piloto italiano, atualmente piloto de testes da Yamaha, analisa tudo o que acontece após cada Grande Prémio no seu podcast «El 04 Bar», publicado no seu canal oficial de YouTube. Desta vez, acompanhou o GP da Austrália enquanto participava num evento durante o Grande Prémio de Fórmula 1 em Austin, no Texas, onde pilotou uma Yamaha de MotoGP para dar a conhecer as motos aos adeptos da F1. A iniciativa contou também com Dani Pedrosa (KTM), Nicolò Bulega (Ducati) e Lorenzo Savadori (Aprilia).
Dovizioso começa por falar deste evento especial da MotoGP integrado no fim de semana da F1, organizado com o apoio da Liberty Media, e partilha a sua experiência.
«Foi fantástico, incrível. Vivemos o paddock da Fórmula 1 por dentro. Na realidade, estávamos noutro paddock, mas tivemos a sorte de viver aquele ambiente, junto dos pilotos e das equipas. Quando as motos foram levadas para as boxes e ligadas, os engenheiros e os pilotos queriam experimentá-las, queriam pô-las a trabalhar e, certamente, levá-las para a pista. Fizeram-nos muitas perguntas.
Existem muitas diferenças entre um carro e uma moto. E é verdade que a Liberty Media chegou e está a mudar muitas coisas na Fórmula 1. Talvez também aconteça o mesmo na MotoGP, mas a gestão é muito diferente.»
Antes de analisar a última prova de MotoGP disputada, Andrea explica: «Não consegui acompanhar o GP da Austrália com tanto detalhe como outros Grandes Prémios, mas Phillip Island é sempre um fim de semana atípico e, infelizmente, a corrida acabou por ser cancelada.»
Sobre a possibilidade de realizar a corrida na segunda-feira ou de antecipar toda a programação para sábado, acrescenta:
«Transferir as três categorias para um dia antes significava perder um dia do Grande Prémio e ter de perceber como organizar as qualificações. Se a corrida fosse disputada na segunda-feira, haveria pessoas a cancelar ou a alterar os voos, sobretudo aquelas que tinham o regresso marcado para domingo.
É complicado, compreendo isso. Tudo faz parte de um pacote, ainda mais quando falamos da digressão asiática. São dez horas de voo entre a Austrália e a Malásia.»
Como a corrida de domingo não se realizou, Dovizioso concentra-se na análise da qualificação e da Sprint.
«Podemos analisar a Sprint e a qualificação. O dado impressionante foi a prestação de Marc Márquez na qualificação, naquelas condições particulares. Mesmo que estivesse a chover, continuava a conseguir fazer praticamente tudo o que queria com a MotoGP. É impressionante, ainda por cima numa pista tão particular como Phillip Island.
Não chegamos propriamente a ter aquaplanagem, mas é preciso fazer um esforço maior. Marc fez a diferença com aquele segundo e meio de vantagem. Foi muito rápido.»
Sobre a qualificação, acrescenta:
«O irmão, Álex, ficou em segundo, o que é um grande resultado. Mas depois vemos a diferença de um segundo e meio, com motos da mesma marca. Se fosse um piloto da Aprilia, teria uma desculpa. Mas, mais do que uma desculpa, existe uma diferença técnica que não é quantificável. Cada piloto é diferente e cada um assume os seus próprios riscos em pista.»
Ao analisar a corrida curta de sábado, o italiano destaca:
«Quanto à Sprint, foram maravilhosas aquelas oito voltas com ultrapassagens. Mas penso que Marc não tinha mais do que os outros pilotos. Acontece que está tão concentrado naquilo que quer fazer que consegue manter-se no limite e concretizar o que tem em mente.
Não era o piloto mais rápido da Sprint. Havia vários pilotos mais rápidos do que ele. Mas fez a qualificação certa, arrancou bem, geriu bem a corrida e fez tudo o que precisava de fazer. Martín era mais forte, Álex talvez também, e penso que Bezzecchi igualmente. Mas Bezzecchi arrancou de nono e chegou à primeira curva em 12.º. Diggia, no final da corrida, estava a andar mais depressa do que Marc.»
Dovizioso compara ainda o desempenho de Marc Márquez, o número 93, com o de Jorge Martín, o número 89, tendo em conta a luta entre ambos na Sprint, que terminou com a queda do piloto da Aprilia.
«Mais uma vez, Marc está a sofrer em termos de velocidade, mas está a tentar fazer as coisas no momento certo e da melhor forma possível, dentro daquilo que consegue gerir. E está a consegui-lo. É neste aspeto que Márquez faz a diferença.
Martín era rápido. Quando estavam a lutar, Marc ultrapassava-o e Jorge recuperava a posição tão rapidamente em determinados momentos que isso significa que tinha mais velocidade e estava a assumir riscos. Mas Jorge estava muito rápido.»
Para terminar, Andrea Dovizioso explica, do seu ponto de vista, por que razão Jorge Martín caiu.
«Não sei se Jorge escolheu a melhor estratégia. Lutar com Marc faz-te assumir mais riscos. Não é obrigatório, mas acabas por arriscar mais. A queda de Jorge aconteceu quando estava no limite, a lutar pela vitória contra Marc. Estás a disputar o campeonato e isso faz parte do jogo. Mas o erro que cometeu podia ter sido evitado.»















