Por um lado, Raúl Fernández queria correr em Phillip Island para se despedir do circuito como deve ser. Por outro, continua lesionado num dedo crucial para pilotar uma moto de MotoGP. Como explicou o próprio piloto da Trackhouse Racing aos microfones da DAZN, foi ele quem decidiu parar no sábado para perceber se poderá competir em Sepang na próxima semana. O espanhol é uma das baixas atualmente confirmadas, juntando-se a Jorge Martín, Joan Mir, Aleix Espargaró — que substituiu Mir na Indonésia — e Fermín Aldeguer.
«Sim, a verdade é que é uma pena. Acho que, por vezes, somos demasiado teimosos», confessou Raúl Fernández.
«Corri na Indonésia porque me vi naquela posição de pole position em que nunca tinha estado e quis tentar. Correu mais ou menos bem e penso que isso levou a que tentasse novamente aqui. Na sexta-feira, sofri uma queda muito forte, na qual acabei por embater no muro e dei uma pancada forte na cabeça. Esse não foi o problema. O problema foi ter voltado a magoar os dois dedos que tenho fraturados.»
No sábado, o piloto já não se sentia bem.
«Ontem, quando saí para a pista, não estava totalmente bem. Comecei a sentir-me mal e percebi que já não era uma questão desportiva, mas sim de segurança. Decidi parar e voltar a fazer exames. Quando saí da moto, fizemos novamente uma radiografia e vimos que a fratura não tinha melhorado. Até pensamos que poderá ter piorado um pouco. Decidimos parar porque, no fundo, acho que só temos uma vida e temos de recuperar devidamente.
É um dedo muito importante para a minha carreira desportiva e para conseguir pilotar a moto. É uma pena, mas, por vezes, temos de pensar um pouco mais em nós próprios e ontem chegou a altura de pensar em mim.»
«Tive de adaptar toda a minha forma de pilotar. Mas, numa pista como esta, já não se tratava apenas de pilotar, mas também de segurar a moto nas mudanças de direção, e não consegui», admitiu Fernández.
«Essa foi a primeira razão e, a partir daí, sendo sincero, considero difícil chegar a Sepang, independentemente de isso ser vantajoso ou não para mim. É verdade que acho que a Austrália, com este circuito incrível, merece uma corrida e merece terminar em grande. Mas acredito muito nos sinais e penso que isto é como um sinal para, espero eu, regressarmos no futuro a esta pista tão bonita, porque parece que está a chorar para que não nos vamos embora.»
Quanto à lesão, Raúl Fernández explicou que a prioridade passa agora pela recuperação.
«A primeira coisa é repouso absoluto. Não posso fazer nada com a mão e tenho de deixar o osso começar a consolidar, sem o forçar. Pilotar uma moto, com todas as vibrações, não ajuda.
A partir daí, a ideia é viajar para Sepang e ver se, na quinta-feira, já se consegue observar algum calo ósseo em formação. Se virmos que o calo ósseo está a crescer, voltaremos a tentar. Caso contrário, penso que será altura de regressar a casa, iniciar uma recuperação mais profunda e levar esta lesão verdadeiramente a sério», explicou o piloto espanhol.
«No fundo, acho que, se o osso partir completamente, a situação pode tornar-se mais complicada. Felizmente, no meu caso, tenho apenas uma fissura, que não chega a atingir a articulação. Se partir por completo, poderá ser uma lesão mais grave do que parece e penso que não devemos correr esse risco.
A principal razão pela qual vim foi porque, graças ao Health Center e a todas as pessoas que trabalharam esta manhã, tivemos cerca de uma hora de tratamento para tentar chegar um pouco melhor a Sepang. Além disso, também vim porque o meu irmão vai correr e queria estar aqui», explicou o piloto da Trackhouse Racing.
Estar lesionado implica lidar com várias dificuldades, como explicou o espanhol.
«Penso que esta situação é muito difícil de gerir quando se é piloto. Em primeiro lugar, sobretudo por causa da alimentação. No meu caso, e penso que, ao nível do MotoGP, tudo é muito controlado e comemos aquilo de que precisamos, nas horas certas.
Temos nutricionistas que nos dão indicações para chegarmos à corrida nas melhores condições possíveis. Acho que esse é o principal problema. O segundo será, no meu caso, perceber como fazer o aquecimento, sobretudo nestas condições.»
«Por exemplo, sempre que subo para a moto, gosto de fazer um aquecimento para estar preparado e prevenir eventuais problemas físicos. No fundo, a incerteza faz com que não saibas exatamente o que vai acontecer e penso que isso não ajuda a preparares-te devidamente antes de subir para a moto», acrescentou Raúl Fernández.
«É muito difícil. Penso que nos calhou o pior circuito possível para chover», afirmou o piloto, referindo-se a Phillip Island.
«É difícil, sobretudo, não tanto por causa da chuva, mas pela forma como temos de gerir a temperatura destes pneus. Ainda mais numa pista tão assimétrica, com muitas curvas para a esquerda, que nos dão bastante confiança.
Em todas as curvas para a esquerda, a temperatura do pneu dianteiro, sobretudo, aumenta bastante. Mas, quando chegamos às curvas para a direita — sendo a primeira e a oitava, na minha opinião, as mais difíceis —, a situação complica-se.
É muito difícil porque, nestas condições, perdes a dianteira sem perceber porquê, sem qualquer aviso prévio. Penso que essa é a parte mais difícil de gerir.»
«A partir daí, não sei bem como gerir, sobretudo, o momento em que chegamos à grelha e temos de aquecer devidamente o pneu. Para mim, essa é a parte mais complicada, porque, depois de começarmos a rodar, conseguimos aumentar a temperatura volta após volta.
Mas, quando partimos do zero, é extremamente difícil. Sobretudo quando passamos dez minutos na grelha, arrancamos, fazemos a volta de formação, voltamos a parar e esperamos pelo semáforo. Tudo isso acaba por não ajudar a manter a temperatura do pneu dianteiro», concluiu o piloto madrileno.














